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Jornal de Santa Catarina

04/07/2009 | N° 11670AlertaVoltar para a edição de hoje

MUNDIAL DE SURFE

Nos braços do povo

Mito das ondas, americano Kelly Slater supera má fase e brasileiro na final para levar título em Imbituba

IMBITUBA - A final dos sonhos do público brasileiro no Mundial de Surfe, o Hang Loose SC Pro, ocorreu sexta-feira, na Praia da Vila. O paulista Adriano de Souza, o Mineirinho, e o norte-americano Kelly Slater, travaram um duelo digo das melhores decisões do circito. E Slater, mais uma vez, levou a melhor.

Nove vezes campeão do mundo, o norte-americano pegou duas excelentes ondas na parte final da bateria, somou 17,94 pontos e tirou qualquer possibilidade de reação de Mineirinho, que fez 14,67 pontos. O curioso é que antes de desembarcar no Brasil, Slater estava em baixa no circuito mundial e até cogitava uma aposentadoria.

Nas três primeira etapas, na Austrália e no Tahiti, ele perdeu logo na primeira bateria. Por isso mesmo, quase não veio ao Brasil. Mas, diante de um público que o venera, o enredo dessa história foi diferente. Adorado pelos fãs, Kelly sentiu na pele esse furor da torcida quando percorreu um corredor de aproximadamente 300 metros entre o pódio e a sala de imprensa. Distribuiu sorrisos, autógrafos, tirou fotos e agradeceu o carinho.

– O Brasil é um lugar especial e essa vitória me deu ânimo para continuar perseguindo o título (o décimo na divisão de elite) – disse Kelly, que pulou do 25º para o nono lugar no ranking com o resultado da Praia da Vila.

É verdade que, diferentemente de outras vezes, Kelly, 37 anos, competiu na final com a torcida contra (“parecia que eu estava surfando contra o Pelé”, brincou o americano, espantado com as vaias do público). A vibração e energia foi toda direcionada para Mineirinho, que, em quatro etapas do Mundial deste ano, chegou duas vezes à decisão. E, de novo, bateu na trave.

– O problema é que eu só pego caras que são feras nas decisões. Na Austrália (Gold Coast), perdi para o Joel Parkinson (atual líder do ranking) e agora enfrentei um mito, um cara que é simplesmente o melhor de todos – afirmou Mineirinho.

O vice-campeonato, no entanto, fez o brasileiro pular do quinto para o segundo lugar na classificação geral, o que o deixa na briga direta pelo título mundial da divisão de elite, algo inédito para o país. Mineirinho, aos 22 anos, tem sido presença constante nas decisões e acredita que a vitória está ficando cada vez mais madura.

– O melhor de tudo é que eu fiz a final dos meus sonhos e ela valeu mais do que qualquer título que já conquistei – ressaltou o brasileiro, que saiu da água de mãos dadas com o mito Kelly Slater.

jean.balbinotti@diario.com.br

JEAN BALBINOTTI

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