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Jornal de Santa Catarina

15/06/2012 | N° 12598AlertaVoltar para a edição de hoje

ATAQUE DE PITBULL

De dócil a agressivo

Tio de criança atacada por pitbull em Itajaí diz que animal ficou violento depois que começou a ser treinado em casa pelo dono, pai da vítima. Especialistas defendem que não há nada de errado com o temperamento da raça, e que a diferença está na criação e no tamanho. Ainda assim, tramita na Câmara projeto de lei para proibir reprodução e importação dos animais

Um dia após o ataque do pitbull Oliver ao filho do dono, o menino de três anos Andrew Manoel de Oliveira, em Itajaí, a família tenta compreender o que pode ter acontecido com o cão que passou de dócil a agressivo. Acidentes como este colocaram em tramitação na Câmara um projeto de lei que busca impedir a reprodução e importação de rottweilers e pitbulls. A proposta deverá ser votada na próxima terça-feira.

Segundo um dos familiares da criança, o animal estava sendo treinado para atacar pessoas estranhas e cuidar da casa. Há duas semanas, o cão permanecia durante o dia em um canil e só era solto à noite. Marcelo Pontes, tio do menino e irmão de Andreo de Oliveira, dono do cão, conta que o pitbull foi comprado pela família de um criador da raça no Paraná, quando ainda era filhote.

Nos primeiros anos de vida o cão andava solto e era dócil, quase não saía no quintal e não costumava latir para estranhos, conta Pontes. Mas o temperamento foi mudando, depois que Oliver passou a ser treinado em casa, sem o acompanhamento de um profissional, para cuidar do imóvel, atacar e até matar, se fosse preciso, algum assaltante que entrasse no local.

O tio da vítima conta ainda, que para treinar o pitbull e deixá-lo mais agressivo com estranhos, fazia o cão puxar uma moto, bicicletas, pneus e, depois, ganhava gatos para perseguir. Aos poucos, Marcelo diz que Oliver passou a rosnar, latir e atacar os carteiros. Há dois meses, ele teria cumprido a tarefa de atacar um rapaz que entrou no quintal para assaltar a casa.

– Ele machucou bastante aquele moço e, a partir dali, notamos que ficou mais agressivo. Por isso, não foi mais solto e ficava o dia preso em um canil de um metro quadrado. Só soltavam à noite – lembra.

Menino que foi atacado por cachorro se recupera bem

Marcelo também acredita que o pitbull pode ter ficado estressado porque o dono estava trabalhando muito e já não tinha mais tempo para passear e brincar com o cão como há alguns anos.

– Eu tenho um filhote do Oliver. Hoje ele está com sete anos. Assistindo alguns vídeos eu fui aprendendo como domesticá-lo para ser dócil. Ele aprendeu a dar a pata, rolar e deitar e faz show para a vizinhança. É mais manso que a minha vira-lata – afirma.

O pai do menino, Andreo de Oliveira, conversou rapidamente com a reportagem e informou não ter treinado o cão para atacar. Disse também que ele ficava dentro de casa. Depois, não atendeu às ligações para dar mais esclarecimentos a respeito do caso.

O menino que foi atacado se recupera bem. Segundo a avó Maria Alves, ele já pediu água, dormiu bem, está tranquilo, mas ainda não está comendo, pois o rosto permanece muito inchado. A criança ainda não tem previsão de alta, mas, depois que se recuperar, deve passar por uma cirurgia plástica no rosto.

aline.rebequi@diario.com.br

ALINE REBEQUI
PARA SEU FILHO LER
O melhor cão para morar com você
Sempre é bom ter um cãozinho como melhor amigo. Os pitbulls não são tão maus, eles são grandes e podem machucar as crianças sem querer. A boca dele tem muita força. Muitos cachorros gostam de brincar de morder, mas com o pitbull não dá, ele não consegue morder fraco. Quando for escolher um amigo bicho, é bom escolher os menores. Se sua casa tiver um enorme quintal, se sua família tiver tempo para brincar e correr com um cachorro grande todos os dias e puder educar ele com um professor experiente é possível ter um melhor amigo pitbull. Mesmo assim, crianças não devem ficar sozinhas com cachorros grandes.

 


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