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Jornal de Santa Catarina

24/08/2009 | N° 11713AlertaVoltar para a edição de hoje

SAÚDE PÚBLICA

Médicos descumprem horários na Capital

Reportagem da RBS TV flagrou profissionais batendo cartão e saindo em seguida no Hospital Nereu Ramos

FLORIANÓPOLIS - O não-cumprimento da carga horária de trabalho por médicos do Hospital Nereu Ramos, na Capital, pode estar prejudicando o atendimento a pacientes da rede pública estadual. A denúncia foi exibida ontem à noite pela RBS TV no Estúdio Santa Catarina.

Funcionários, inconformados com o fato de alguns médicos baterem o cartão-ponto e em seguida irem embora, denunciaram a situação à reportagem, que fez imagens da entrada do hospital e acompanhou a rotina de médicos durante o horário em que deveriam estar na instituição.

As cenas mostram o cirurgião João José de Deus Cardoso chegando ao hospital no início da manhã. Ele registra a entrada no cartão-ponto e minutos depois vai embora. No seu carro, segue para uma universidade particular e ministra aula para uma turma de Medicina. O mesmo procedimento se repete em outro dia. O médico bate o cartão e depois segue para a UFSC. No final da manhã vai para um consultório particular. No ponto do hospital, fica registrado que o médico entrou de manhã e saiu no fim da tarde.

O médico cardiologista José Aloísio Della Giustina é outro que aparece registrando o cartão-ponto de manhã cedo e sai do local em seguida. Ele também é diretor-clínico de uma clínica particular. Com a microcâmera, a reportagem revela que o médico atendeu no estabelecimento privado pela manhã.

O terceiro flagrante da reportagem mostra o médico radiologista Pedro de Luca na mesma cena: bate o ponto de manhã e logo depois vai embora. A saída não havia sido registrada no cartão ponto.

O diretor do Hospital Nereu Ramos, Antônio Miranda, afirmou que os horários de trabalho dos médicos são flexíveis dentro de uma negociação interna. Miranda argumentou que, se todos os 54 médicos da instituição ficassem dentro do horário estabelecido, não poderia contar com eles, por exemplo, em uma outra necessidade.

– Todo médico tem que cumprir 20 horas semanais. Tem médico que cumpre a escala e os que não têm escala e vêm aqui quando é necessário – comentou.

O diretor ressaltou que o procedimento faz parte de um acerto com os médicos e o que vale é a carga horária que cumprem fora do cartão-ponto. Miranda informou que computa o horário feito a partir de uma folha em que os médicos anotam o suposto horário real de trabalho no hospital.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde Privado e Público Estadual, Edileuza Garcia, acredita que não haveria tantas filas nos ambulatórios se os médicos cumprissem as cargas horárias.

O secretário estadual da Saúde, Luiz Eduardo Cherem, se disse perplexo ao saber da prática e prometeu uma sindicância para apurar o caso do Nereu Ramos.

– Além de irregular, é extremamente imoral ou indecente – declarou o secretário.

Contrapontos
O que disse o médico João José de Deus Cardoso:

Afirmou que os horários fora do hospital são compensados.

– Aquele dia que eu bati e não estava ali, compensei em outro horário. O funcionário comum bate o cartão e vai embora. O médico não – sustentou.

O que disse o médico José Aloísio Della Giustina:

A reportagem o procurou em sua clínica, mas a secretária informou que ele não estava e não forneceu nenhum outro contato.

O que disse o médico radiologista Pedro De Luca:

Disse por telefone que estava de férias e bateu o ponto “no automático”.

– Na saída não bati. Tenho que ligar para eles cancelarem – comentou.

O diretor do hospital afirmou que Pedro é do Hospital Regional e só dá cobertura no Nereu.

 


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