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Jornal de Santa Catarina

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04/07/2009 | N° 11670AlertaVoltar para a edição de hoje

ACIDENTE NO ITAJAÍ-AÇU

Salvos do segundo naufráugio

Três dos quatros tripulantes do atuneiro Alalunga V sofreram outro acidente no ano passado em Florianópolis

ITAJAÍ - A agonia de dois pescadores, presos na casa de máquinas de um barco de pesca que emborcou no Rio Itajaí-Açu, sexta-feira, durou quase quatro horas. Marcos Gonçalves Francisco, 53 anos, e Manoel Francisco Pereira, 48, foram os últimos tripulantes resgatados do atuneiro Alalunga V, entre as 11h e as 11h40min, com a ajuda de mergulhadores. Outros dois tripulantes foram salvos logo após o naufrágio, entre eles, Laureano Paulo Chufer, 41, mestre da embarcação. Esta foi a segunda vez que Chufer, Francisco e Pereira enfrentaram juntos um acidente de barco. Em 12 de janeiro do ano passado, os três tripulavam o atuneiro Alalunga VII, que bateu em pedras e afundou próximo à Ilha do Xavier, em Florianópolis.

Sexta-feira, o barco começou a afundar pouco depois das 7h30min, na região do Bairro Cordeiros, acima do Porto de Itajaí. Em meio à forte neblina, que havia interrompido até as atividades portuárias, Chufer, o mestre, conseguiu saltar no rio antes do fundo do casco vir à tona. Logo depois dele, Jesiel Alcenir Peixoto, 24 anos, foi retirado da embarcação por um bombeiro. O jovem pescador tentava quebrar um vidro para escapar pelo fundo do casco já emborcado. A pressão da água acabou rompendo a pequena janela e ele conseguiu sair com ajuda.

Bombeiros, Capitania dos Portos, Polícia Militar e pescadores com embarcações cercaram o Alalunga V para tirar os sobreviventes. Francisco e Pereira permaneciam em um vão acima do nível da água e conversavam com os bombeiros através do ralo do barco.

– Demorou para acalmá-los. Eles não tinham vivência de mergulho, estavam no escuro, confusos e com água pela cintura. As redes de pesca ficaram presas e tínhamos dentro do barco um labirinto de cerca de 20 metros para ultrapassar – explicou o tenente-coronel Onir Mocelin, mergulhador há 23 anos e comandante do 7º Batalhão do Corpo de Bombeiros.

Os quatro tripulantes resgatados do Alalunga V foram embrulhados em cobertores e levados para o Hospital Marieta Konder Bornhausen. Apesar de não terem sofrido ferimentos, eles estavam exaustos e apresentavam baixa temperatura corporal. Todos receberam alta sexta-feira à tarde. O primeiro a sair do hospital, Jesiel Alceni Peixoto, falou com a reportagem, ainda muito chocado, com escoriações nos braços e na face.

– O pior era o frio. Eu estava desesperado, tentando quebrar o vidro, de repente, vi que alguém estava me ajudando do lado de fora e consegui sair. Fiquei muito abalado, acho que para o barco eu não volto mais – disse.

sicilia.vechi@santa.com.br

SICILIA VECHI

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