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Jornal de Santa Catarina

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03/07/2009 | N° 11669AlertaVoltar para a edição de hoje

SAÚDE PÚBLICA

A dor cansou de esperar

Elisabeth Silva, 83 anos, sofre desde 2007 na fila de 652 pacientes para exames de alta complexidade

INDAIAL/TIMBÓ/POMERODE - A espera de mais de dois anos por um exame de ressonância magnética no joelho direito levou Elisabeth Clara Müller Altenfder Silva a desistir do diagnóstico. No dia 28 de maio de 2007, a aposentada de 83 anos cansou das dores e deu entrada no pedido pela análise laboratorial na Secretaria de Saúde de Pomerode. A queda de uma escada dois meses depois provocou fratura no fêmur e exigiu uma cirurgia ano passado, na tentativa de garantir a recuperação dos movimentos da perna. Mas, mesmo depois da cirurgia, a aposentada continua sem andar. Com a ressonância magnética, ela teria o diagnóstico da causa do problema.

– Eu desisti de esperar. Se não tivesse sido atleta na juventude, talvez a dor pela perda dos movimentos não seria tão grande – comove-se, acamada, ao contar que a cirurgia custou R$ 11 mil e precisou ser paga pela Confederação de Atletismo de São Paulo, sensibilizada com o drama de Elisabeth, já que ela não tinha dinheiro para o procedimento.

Assim como a aposentada, há pelo menos outros 652 pacientes de Pomerode, Timbó e Indaial na longa espera por exames de alta complexidade, como ressonâncias magnéticas e tomografias, as principais demandas reprimidas. Um acordo de pactuação entre as cidades e o governo do Estado estabelece que os municípios façam esse tipo de exames em Blumenau, considerada cidade-polo. São exames de alto custo, de até R$ 900, em clínicas particulares.

– A espera pode deixar sequelas irreversíveis para o paciente, como o retardo da resolução do problema e a dor contínua – admite o diretor de Políticas de Saúde em Pomerode, Marcos Bönmann.

Para a Gerência Regional de Saúde de Blumenau, a demora é resultado do gargalo representado pelo número insuficiente de vagas para esses exames. Por isso, o governo do Estado prepara um mutirão final do mês com a intenção de absorver a demanda reprimida.

– A demanda é muito grande e a oferta é muito pequena. Faltam profissionais especializados para fazer o exame – justifica a gerente regional de Saúde, Edite Aparecida Adriano.

magali.moser@santa.com.br

MAGALI MOSER

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