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Jornal de Santa Catarina

23/05/2009 | N° 11634AlertaVoltar para a edição de hoje

PLANEJAMENTO URBANO

Crescimento da frota também responde a estímulos culturais

Apesar da crise mundial, o mercado automotivo não parece recuar. No final de abril, Santa Catarina contabilizava mais de 3 milhões de veículos nas ruas. Em todo o país, somente nos primeiros 91 dias deste ano, foram vendidos um milhão de automóveis, especialmente os zero-quilômetro. O resultado é atribuído aos longos e diversificados planos de financiamento e ao corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). No entanto, entre os especialistas, é consenso que a aquisição do veículo não é resultado somente de estímulos econômicos.

– O carro é um bem de consumo mais desejado que uma casa própria ou um terreno. É um comércio que cresce muito e não está só ligado à utilidade do veículo como transporte, mas também como um instrumento de auto-estima – avalia o presidente da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado de Santa Catarina (Assovesc), Alessandro Anacleto da Silva.

– Em sociedades mais desenvolvidas, todo mundo fala, em primeiro lugar, em habitação ou lazer. Já no Brasil, invariavelmente, o veículo aparece sempre como primeira aspiração. Você tem milhares de pessoas sem casa própria, que pagam aluguel, mas têm carro zero. É uma questão cultural – afirma o presidente do Seterb, Rudolf Clebsch.

Para o psicólogo Glauco Anderson Espíndola, ao contrário de haver uma política de prevenção para a economia pessoal, cada vez mais é estimulado e exigido o consumo e acesso a bens e serviços:

– As propagandas de automóveis exploram conteúdos universais como a velocidade, dominação, agressividade, emoção, potência e status social, induzindo cada vez mais esses símbolos a fazerem parte do universo masculino e feminino e produzindo continuamente laços que afetam e identificam homens e mulheres com seus automóveis.


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