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Jornal de Santa Catarina

31/07/2008 | N° 11377AlertaVoltar para a edição de hoje

Lei Seca

Vai uma cerveja sem álcool?

Mercado abstêmio se expande em 30% nas distribuidoras de bebidas, mas quem entende de beber diz que não se adaptaria à novidade

Na terra do chope, cresce o consumo de cerveja sem álcool. Aos poucos, os blumenauenses se vêem obrigados a adaptar o paladar, já que a Lei Seca, em vigor desde junho, exige teor alcóolico zero para quem dirige. As distribuidoras vêm sentindo os reflexos da mudança de comportamento e registram aumento médio de 30% na venda de cerveja sem álcool.

De acordo com as seis distribuidoras consultadas pelo Santa, a cerveja sem álcool mais vendida é a Liber. A segunda da lista é a Kronenbier, seguida da Nova Schin e da Bavária. Não há números oficiais de unidades vendidas, mas o crescimento do consumo é gradativo.

- Estamos em um período de adaptação à bebida sem álcool. Até agora, o crescimento foi de 30% em relação ao mesmo período do ano passado. E o consumo vai continuar crescendo - estima Lizmar de Barros, gerente comercial de uma distribuidora.

O coordenador da câmara que reúne o comércio de alimentação no Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes de Blumenau, José Augusto Prebianca, confirma que a venda de cerveja sem álcool está aumentando, assim como o consumo de sucos e refrigerantes.

Para oferecer mais opções de bebidas aos clientes, o Senac, em parceria com o Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes, promove dia 23 de agosto, um curso de drinks sem álcool. Em quatro horas de curso, o presidente da Associação Catarinense de Barman, Pedro Castilho, vai ensinar oito drinks diferentes.

- Essa é um opção para tapar a lacuna que a bebida alcoólica deixou nos restaurantes e casas noturnas - justifica o presidente do sindicato, Emil Chartouni.

O Santa convidou dois apreciadores de cerveja para degustar as duas marcas da bebida sem álcool mais vendidas em Blumenau. Eles avaliaram cor, aspecto, persistência da espuma, cheiro, sabor e equilíbrio harmônico do conjunto da cerveja. Ao final do teste, concluíram: se depender deles, o crescimento das sem álcool vai parar por aqui.

"Prefiro cerveja sem álcool a refrigerante"

Nascido na terra da Oktoberfest alemã, em Munique, o músico da Banda Cavalinho, Alois Hoffmann, 57 anos, desde menino adora provar cerveja. Hoje, bebe chope nas quartas, sextas e sábados, quando faz shows em uma cervejaria. Em quatro horas de show, consome três copos de chope de trigo. Considera pouco e diz que não o impede de voltar para casa dirigindo depois da noitada de trabalho.

- Prefiro até uma latinha de cerveja sem álcool a tomar um refrigerante - conta o alemão de nascença e blumenauense de coração desde 1992.

Questionado sobre a Lei Seca, Hoffmann responde rápido:

- É muito radical! Mas o brasileiro precisa desse radicalismo porque não é acostumado a cumprir leis - diz.

"Não gosto de cerveja sem álcool"

Natural de Blumenau, o campeão nacional de tomadores de chope em metro, Sérgio Luiz Heringer Jr., 25, venceu o concurso na última edição da Oktoberfest, bebendo 600ml de chope em 12 segundos. Um ano antes, em 2006, ficou com o segundo lugar. Convidado pelo Santa, Heringer diz sorrindo que beber cerveja sem álcool é um castigo:

- Não gosto. Se tiver que ir a algum lugar que não tenha cerveja alcóolica, eu não saio de casa.

Heringer, que é corretor de imóveis, costuma sair para tomar uma cervejinha nas quintas, sextas e sábados à noite. Sobre a Lei Seca, Heringer diz que a lei tem de ser cumprida. Porém, considera um absurdo a forma como a fiscalização está sendo feita em Blumenau. Ele foi parado numa blitz e teve de fazer bafômetro às 9h da manhã.

( giovana@santa.com.br julia.borba@santa.com.br )

GIOVANA PIETRZACKA E JULIA BORBA
Custo
O processo de fabricação da cerveja sem álcool é mais complexo e mais caro:
A cerveja sem álcool é um pouco mais cara que a tradicional. Custa, em média, R$ 1,49 a lata. O preço médio da normal é de R$ 1,30. Segundo o gerente comercial de uma distribuidora de bebidas Emerson Wilson Fenerich, a diferença se deve ao processo de fabricação diferenciado. Somente no final da produção é retirado todo o álcool. Este processo é mais caro.
A cerveja Liber não possui qualquer teor alcóolico. As outras três marcas vendidas em Blumenau têm 0,05%. Segundo a Guarda de Trânsito, elas serão detectadas pelo bafômetro se consumidas em excesso.
Opinião de Hoffmann
Kronenbier: - É como tomar cerveja alcóolica. A cor é um pouco mais clara do que a da cerveja comum. O gosto é diferente, dá para sentir o sabor forte do malte. Sinto também um amargo gostoso, talvez do lúpulo. É mais doce que uma cerveja alcoólica.
Liber: - Não tem cheiro nem gosto de cerveja. A cor é bem mais clara e o gosto é muito ácido. Parece cerveja fora do prazo de validade.
Opinião de Heringer
Liber: Virando o copo como se fosse uma tulipa em metro, Heringer faz cara feia ao terminar de beber a cerveja:
- É clara demais. Tem gosto de ervas. O sabor é muito diferente do que uma cerveja alcóolica. Esta aqui tem gosto de chá.
Kronenbier: - Esta é um pouco melhor, mas o sabor é amargo demais. Não gostei. Prefiro um refrigerante.
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