clicRBS
Nova busca - outros
 

Jornal de Santa Catarina

22/08/2013 | N° 12966AlertaVoltar para a edição de hoje

SÍRIA

Ataque químico mata 1,3 mil pessoas em Damasco

Corpos de adultos e crianças foram enterrados em valas no subúrbio da capital

DAMASCO - Corpos intactos, aparentemente sem ferimentos, enfileirados às dezenas, crianças e adultos lado a lado, pálidos, com os olhos arregalados, de quem expressa o espanto de ter sido vítima de ataque à traição, e as bocas abertas, mostrando a possível dificuldade para os últimos suspiros.

Essas são as imagens terrificantes que levaram o mundo, ontem, a prestar atenção na Síria, onde a guerra se arrasta tanto, pelo tempo e pela banalização da violência, que quase já era esquecida.

Tão fortes são as fotos e os vídeos, especialmente os que mostram apenas corpos de crianças perfilados, algumas delas de fralda, que a comunidade internacional se viu obrigada a romper o imobilismo.

O conselho de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) resolveu se reunir a portas fechadas após pedidos de Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Luxemburgo e Coreia do Sul, cinco dos 15 países que o integram. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou estar chocado com as denúncias de que ontem foram usadas armas químicas pelas forças de segurança contra civis na região de Damasco. De acordo com a oposição, o governo sírio matou, apenas nesse ataque, 1,3 mil pessoas, que se somam aos mais de 100 mil – número impreciso que acusa a falta de controle.

Os EUA exigiram que seja facilitado o trabalho da equipe de especialistas em armas químicas da ONU que chegaram ao país domingo. Em especial, que contem com acesso fácil à região da matança.

O presidente da Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria, o diplomata brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, disse ao jornal Zero Hora, do Grupo RBS, que dia 4 de setembro será lançado um relatório oficial. Preferiu não avançar no assunto, ressalvando que o tema armas químicas deve ser tratado por especialistas.

– É hora da comunidade internacional agir de forma decisiva. Não há escolhas fáceis. Adiar essa escolha, contudo, é tolerar a continuação desta guerra e das suas muitas violações – disse ele, chamando de irresponsáveis os países que fornecem armas aos dois lados em conflito.

Líder opositor destaca o abandono da comunidade internacional

Ontem, o governo sírio negou o uso de armas químicas e gás venenoso. Vídeos, porém, mostram crianças sendo socorridas em um hospital de campanha. Médicos tentam desesperadamente ressuscitá-las, e tubos de oxigênio são utilizados para permitir-lhes respirar.

O líder opositor George Sabra destacou a atitude da comunidade internacional perante o ocorrido:

– O que nos mata e mata nossas crianças não é apenas o regime. A indecisão americana nos mata. O abandono da comunidade internacional nos mata, a indiferença dos árabes e muçulmanos, a hipocrisia do mundo que se acredita livre nos mata.


Grupo RBSDúvidas Frequentes| Fale Conosco | Anuncie - © 2000-2014 RBS Internet e Inovação - Todos os direitos reservados.