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Jornal de Santa Catarina

14/10/2009 | N° 11757AlertaVoltar para a edição de hoje

ARTIGO

O valor da linguagem

Desde o nascimento, e ao longo da vida de cada ser humano, através do espanto e do encantamento perante o mundo vamos, cognitivamente, construindo significados, possibilitando uma visão de mundo que nos constitui como indivíduo, como pessoa e como cidadão. Indivíduo por ser único, com seu caráter e perfil que o diferencia por suas características próprias dentro da espécie humana. Pessoa pela personalidade própria dentro dos mais variados papéis que desempenha no palco social em que cada um atua. Cidadão na qualidade de membro de uma nação, regulada por uma Constituição que o protege e regulamenta seus direitos e deveres.

É evidente que essas três instâncias não são estanques. Elas se fundem através de princípios e valores próprios de cada sociedade. E essas três dimensões conferem um distinto caráter civilizatório e de urbanidade. E para a representação dessa construção, além do instinto e da intuição, o ser humano possui a capacidade da abstração e do raciocínio que possibilita um estado de consciência local e universal de sua presença no mundo. E o instrumento que permeia, esclarece e nos põe ante essa realidade é a linguagem.

A linguagem nos possibilita transcender a um estado de contemplação e análise da natureza, proporcionando indagações e proposições no intuito de modificá-la, quando necessário. Portanto, toda e qualquer representação simbólica feita buscando definir uma determinada realidade só é possível porque entendemos e interpretamos o mundo pela lógica da linguagem.

Como todas as habilidades que o ser humano adquire ao longo de sua trajetória, a linguagem pode ser desenvolvida e aprimorada. Adquirimos competências linguísticas espontaneamente no meio em que nascemos e crescemos. Mas para que nosso entendimento se torne mais apurado, este necessita ter como meio o ato constante da leitura. É certo que possuímos uma leitura de mundo antes de adquirirmos as habilidades de leitura de textos, porém, gradativamente, é possível ampliar sobremaneira nossas concepções, através de leituras cada vez mais complexas.

Não basta apenas a aquisição da decodificação da leitura, é necessário exercitá-la e aprofundá-la constantemente para a compreensão e a interpretação a fim de refinarmos nossos saberes e conhecimentos sobre o mundo e, a partir daí, enriquecermos e visualizarmos mais claramente nossa existência como indivíduo, como pessoa e como cidadão.

NILTON SEHNEN|Professor

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