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Jornal de Santa Catarina

07/11/2009 | N° 11778Alerta Voltar para a edição de hoje

MOACIR PEREIRA

moacir.pereira@gruporbs.com.br
  • Casuísmo ridículo

    Se a moda pega, vai ser um Deus nos acuda nos 293 municípios de Santa Catarina. Como se já não bastassem os casos polêmicos dos suplentes que assumiram mais de 15 cadeiras na Assembleia Legislativa, agora torna-se normal o afastamento dos prefeitos e dos vices para a promoção dos presidentes das câmaras. E, mais grave: em desrespeito à Constituição, a negativa de transmitir o cargo ao vice, como já aconteceu no Rio Grande do Sul. E agora em São José.

    A posse do vereador Gean Loureiro (PMDB) no cargo de prefeito interino de Florianópolis foi toda montada para dar a maior repercussão política. O prefeito Dário Berger e o vice João Batista Nunes definiram um período comum de afastamento para prestar esta homenagem ao presidente da Câmara. Isto explica o tom sentimental do discurso de Berger, ressaltando as parcerias antigas com o vereador. A presença de lideranças do PMDB e de forte representação da maçonaria teve por objetivo alavancar o projeto de Gean Loureiro, que pretende concorrer à prefeitura de Florianópolis. Um forte esquema está montado para dar visibilidade às ações nestes próximos 12 dias.

    O governador Luiz Henrique está respaldando esta estratégia. Credenciou o secretário regional Valter Galina a viabilizar o que for possível para promover a interinidade de Loureiro. É a famosa via de mão dupla. Galina espera contar com o esquema do prefeito para se eleger deputado estadual. Em contrapartida, trabalha para se tornarem realidade os sonhos de Dário Berger, de ser o candidato a governador pelo PMDB, (ou até vice na tríplice) e de Gean Loureiro.

    Enquanto isso, em São José, Djalma Berger (PSB), irmão de Dário, convalida um casuísmo deplorável, com a alteração no regimento interno da Câmara Municipal, desobrigando-o de transmitir o cargo ao vice, até em viagens internacionais. O prefeito nega participação na mudança da regra consagrada na ordem jurídica e reproduzida nos estados e municípios. Ou está sofismando, ou tentando transmitir ao público externo posição oposta ao que decidiram os aliados no Legislativo. Ele tem controle sobre a Câmara. E viajará no fim do mês para a Europa. Portanto, casuísmo escancarado que fere e ética e a moralidade pública.

    Djalma Berger e o vice Telmo Vieira (PDT) não se bicam. Um acusa o outro de bloqueio do diálogo. Uma situação pessoal que não poderia ser transferida para o plano institucional. A população de São José nada tem a ver com as divergências. As últimas eleições municipais deixaram algumas lições para a classe política. No caso de São José, a rejeição ao prefeito Fernando Elias caracterizou-se muito mais pelo amadorismo com que administrava uma das mais importantes cidades de SC do que pelo prestígio eleitoral do adversário. São José, afinal, é o quarto maior colégio eleitoral do Estado. É, também, um centro econômico que hoje ocupa posição destacada em Santa Catarina. Coloca-se à frente da maioria dos polos sócioeconômicos e eleitorais.

    O povo quer saber: por que será que no quarto maior colégio eleitoral do Estado, município próspero e ao lado da Capital, os vereadores votam este casuísmo ridículo como ovelhas cegas e obedientes?


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