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ILHOTA - Assolados pelas instabilidades do clima no
último ano, produtores rurais do Complexo do
Baú sofrem com os estragos nas lavouras. Com o
excesso de chuvas e granizo que caíram no fim
de setembro, as perdas chegaram a R$ 475 mil no setor
agrícola do município. Cerca de 95% da
produção de hortaliças foi
perdida e 85 toneladas foram jogadas fora.
Somadas com as intempéries de setembro,
só nos últimos 12 meses é quinta
vez que o agricultor Edwin Schill perde toda a
produção. Os 33 hectares repletos de
hortaliças foram totalmente destruídos.
Como não dá pra fazer seguro deste tipo
de plantação, Edwin amarga o
prejuízo. Fornecedor de oito supermercados,
trabalha para tentar recuperar o que sobrou e comprar
produtos para revender e segurar os clientes, sem
alterar os preços.
O agricultor não consegue sequer calcular os
prejuízos. Com a tragédia de novembro,
além de ter perdido as verduras, 40 mil
frangos da propriedade morreram de fome. Com os olhos
marejados ao lembrar dos momentos difíceis ao
ajudar a salvar uma vizinha soterrada pelos
deslizamentos de novembro, Edwin diz que não
vai desistir de trabalhar e morar no lugar que
há 23 anos escolheu para viver com a
família.
– Tenho fé que Deus vai olhar para
nós e ver o quanto sofremos. Ele vai parar de
mandar chuva pra cá – espera
Edwin.
Calote piora situação de
rizicultores
As incertezas e dificuldades não são
menores para os irmãos Werner. Trabalhando na
propriedade de 60 hectares da família desde
crianças, Sérgio Luis e João
Márcio recolheram as sementes de arroz que
seriam plantadas na manhã do feriado de Nossa
Senhora Aparecida. A chuva mais uma vez atrapalhou os
planos dos agricultores.
Somando prejuízos há dois anos, os
números ruins aumentaram no começo do
ano quando venderam para uma empresa que faliu e
não pagou pelas 610 sacas de arroz, que valiam
R$ 22 mil. Com a enchente de 2008 e a cheia do fim de
setembro, houve a perda de aproximadamente 10% da
produção, um prejuízo que chega
a R$ 200 mil. Com empréstimos para pagar as
dívidas, eles lamentam a falta de apoio.
– Dizem que tem dinheiro, mas ele não
chega até nós – diz
Sérgio.
Segundo a Secretaria de Agricultura, estão
sendo feitos os levantamentos dos prejuízos
para, depois, o município definir como
ajudará os agricultores.
daniela.matthes@santa.com.br
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