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Jornal de Santa Catarina

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14/10/2009 | N° 11757AlertaVoltar para a edição de hoje

EFEITO DO TEMPO

Agricultores amargam prejuízos

Com as chuvas e o granizo que caíram no fim de setembro, perdas chegaram a R$ 475 mil em Ilhota

ILHOTA - Assolados pelas instabilidades do clima no último ano, produtores rurais do Complexo do Baú sofrem com os estragos nas lavouras. Com o excesso de chuvas e granizo que caíram no fim de setembro, as perdas chegaram a R$ 475 mil no setor agrícola do município. Cerca de 95% da produção de hortaliças foi perdida e 85 toneladas foram jogadas fora.

Somadas com as intempéries de setembro, só nos últimos 12 meses é quinta vez que o agricultor Edwin Schill perde toda a produção. Os 33 hectares repletos de hortaliças foram totalmente destruídos. Como não dá pra fazer seguro deste tipo de plantação, Edwin amarga o prejuízo. Fornecedor de oito supermercados, trabalha para tentar recuperar o que sobrou e comprar produtos para revender e segurar os clientes, sem alterar os preços.

O agricultor não consegue sequer calcular os prejuízos. Com a tragédia de novembro, além de ter perdido as verduras, 40 mil frangos da propriedade morreram de fome. Com os olhos marejados ao lembrar dos momentos difíceis ao ajudar a salvar uma vizinha soterrada pelos deslizamentos de novembro, Edwin diz que não vai desistir de trabalhar e morar no lugar que há 23 anos escolheu para viver com a família.

– Tenho fé que Deus vai olhar para nós e ver o quanto sofremos. Ele vai parar de mandar chuva pra cá – espera Edwin.

Calote piora situação de rizicultores

As incertezas e dificuldades não são menores para os irmãos Werner. Trabalhando na propriedade de 60 hectares da família desde crianças, Sérgio Luis e João Márcio recolheram as sementes de arroz que seriam plantadas na manhã do feriado de Nossa Senhora Aparecida. A chuva mais uma vez atrapalhou os planos dos agricultores.

Somando prejuízos há dois anos, os números ruins aumentaram no começo do ano quando venderam para uma empresa que faliu e não pagou pelas 610 sacas de arroz, que valiam R$ 22 mil. Com a enchente de 2008 e a cheia do fim de setembro, houve a perda de aproximadamente 10% da produção, um prejuízo que chega a R$ 200 mil. Com empréstimos para pagar as dívidas, eles lamentam a falta de apoio.

– Dizem que tem dinheiro, mas ele não chega até nós – diz Sérgio.

Segundo a Secretaria de Agricultura, estão sendo feitos os levantamentos dos prejuízos para, depois, o município definir como ajudará os agricultores.

daniela.matthes@santa.com.br

DANIELA MATTHES

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