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Jornal de Santa Catarina

02/07/2011 | N° 12297Alerta Voltar para a edição de hoje

CONTRACAPA | Cristiano Santos

cristiano.santos@santa.com.br
  • MALANDRAGEM SE SEGURE

    Humberto Martins de Arruda, o DJ Hum, é figura seminal do hip hop brazuca. Desde os anos 1980, quando começou a tocar nos bailinhos na periferia de São Paulo, ele roda o país na disseminação de sua música. Já produziu e participou de inúmeras composições para figuras como Fernanda Abreu, Racionais, Paula Lima, Seu Jorge e Jota Quest, entre outros. Ligadíssimo, o colega Carlinhos Santos, do jornal Pioneiro, conversou com o músico.

    Como está a cena do hip hop?

    Hoje, em virtude de tanta informação disponível, as pessoas compreendem mais o que seja hip hop. Dos anos 1980 até hoje, esta é uma árvore que deu bons frutos, mas outros não germinaram. Em algum momento, o hip hop se perdeu pela falta de interesse em relação à cultura no Brasil. Como em qualquer segmento, há falta de investimento nessa área no país. É importante o Estado atentar a este gênero, que gera informações tanto para a periferia quanto para a classe média. Nossos primeiros versos de rap quase sempre com letras de protesto. Isso foi muito importante. Dizíamos que estávamos aqui e queríamos ser ouvidos. O movimento aconteceu em São Paulo, em paralelo ao Mangue Beat, no Recife, e ao funk, no Rio de Janeiro. Tudo isso em meio à febre do rock nacional. Continuamos a fazer workshops, oficinas, palestras, contribuindo com o movimento. Agora, muita rapaziada nova não tem uma relação com a cultura. Muitos entram no rap com um olhar de business.

    As ferramentas da internet destoam do feito a mão, ao vivo?

    O hip hop e o rap são feitos por timbres. Tem uma onda de mistura com o tecno e o tecno pop, de mercado. Hoje, existe uma música muito sintetizada, não há uma textura. O que vieram foram subgêneros. O rap sintetizado é o que, em São Paulo, a gente chama de black de FM. E tem também o neo-soul, que usa timbragens do hip hop, mas cantado, misturado ao jazz e à música brasileira. Tem produtores que buscam uma textura. O hip hop surgiu para as pistas. O conteúdo literário e poético é o rapper quem faz. E quem decide o que tocar é o DJ: ele pode optar só pela versão instrumental, pelas batidas. Alguns temas do hip hop hoje são muito chatos quando ficam só no sexo, violência, entretenimento. Também acredito que o hip hop enfrentou uma imaturidade. Produzir Senhorita, com o projeto Motirô, foi importante para lançar muita gente, chegando até ao filme Antônia. Entre 1990 e 1996 tivemos um bom momento.

    E depois?

    Aí, pela necessidade de misturas, entre a nova escola e a antiga, entre experiência e empolgação, muita gente quis andar sozinho. Não entendeu que o hip hop vem da tradição africana do griot, dos contadores das histórias. Não dá para pular uma escala evolutiva, tradições. Alguns entraram no movimento só pela mídia e isso fechou mais caminhos do que abriu. Na minha geração, ir para a televisão era muito complicado, precisava fazer muitos acordos. Sempre digo que o futuro do hip hop está no passado. O futuro do hip hop hoje é o Emicida. E o que ele faz? Escreve as coisas relacionadas ao passado, usa sampler, o estilo é old school. Ele só deu a roupagem poética maravilhosa com um conteúdo atual.

    Como em boa parte da cultura brasileira, é questão de mistura?

    Eu e Thayde usamos um samba do Benjor em 1990. Foi o primeiro registro de mistura de hip hop brasileiro com mpb. Depois vieram outros experimentos. De 2005 para cá, a nova geração descobriu o samba soul, o samba rock. A músicas do Sul, o baião do Nordeste, a música do Amazonas, entram nisso. A diversidade do Brasil proporciona isso. Nem sempre as grandes músicas têm de vir do FM.

    O que é um baile bom?

    O DJ tem de ser alternativo, sem medo de encarar o público. Nem sempre as músicas que tocam na rádio são as melhores para as pistas. Sendo audacioso, um DJ consegue fazer uma pista diferente. A boa festa está na variação de estilos e épocas que você põe na pista. Técnica, conhecimento e público entram na receita. A geração do hip hop dos anos 1990 é muito ligada em arte, som e cultura. O Brasil tem de se conformar: somos dominados por uma cultura afro-americana, gringa. Desde a época do rock’n roll é assim. O próprio rap é americanizado, com expressões como DJ, MC, Bboy. Não precisa ter vergonha disso. Mas a gente pode inserir nossa cultura nisso. Mas a maioria dos DJs não toca música nacional. Precisamos rever isso, tentar mixar as coisas. Isso deixa as pessoas mais ligadas culturalmente e menos preconceituosas.

  • Spots

    - Arara: a jaquetinha vermelha e preta usada por Michael Jackson no clipe da música Thriller, de 1983, foi vendida por quase R$ 2,9 milhões num leilão da Julien’s Auctions, na Califórnia. O dono deve promover uma turnê da peça (sim) para arrecadar dinheiro para instituições de caridade

    - Fim: quando Two and a Half Men voltar ao ar em setembro, os produtores decidiram que o personagem de Charlie Sheen terá morrido tragicamente. E que nada mais será falado sobre o assunto. Só aguardar por Ashton Kutcher

    - Smartphone: pesquisa americana revelou o que todo mundo já sabia. Os aplicativos de telefones estão distraindo os jovens motoristas. Dez dos 100 estudantes de uma universidade citaram acidentes nos últimos cinco anos relacionados ao uso do celular

  • Fui fazer terapia porque queria controlar a ansiedade, e aí vi que eu tinha medo de ficar doente. Trabalhei não só isso, mas também o fato de eu ser muito rigorosa comigo mesma e com os outros. O legal da terapia é que você amplia sua visão a respeito de tudo

    Camila Pitanga, atriz, em entrevista à revista Marie Claire


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