clicRBS
Nova busca - outros
 

Jornal de Santa Catarina

05/01/2010 | N° 11827Alerta Voltar para a edição de hoje

MAICON TENFEN | MAICON TENFEN

maicon.tenfen@santa.com.br
  • O filme do Lula (1)

    Quem lê a coluna sabe que venho acompanhando as controvérsias que cercaram a produção, a realização e agora a distribuição de Lula, O Filho do Brasil. Ideologias à parte, há muito o que dizer sobre o filme, uma das maiores picaretagens já ajambradas pelo cinema nacional. Hoje falarei dos aspectos externos da obra, ou seja, quem a financiou, a quem se destina e como os políticos estão se beneficiando dela. Amanhã falarei do filme em si mesmo, das imagens, das promessas de messianismo contidas no roteiro.

    Logo no início da projeção, aparece um letreiro que diz mais ou menos o seguinte: “Este filme não foi financiado por nenhuma lei de incentivo à cultura federal, estadual ou municipal, mas por patrocinadores privados que investiram diretamente no projeto”. E aí começam a desfilar as logomarcas dos tais patrocinadores, por coincidência empresas beneficiadas pelo governo Lula através de empréstimos milionários ou bilionários concedidos pelo BNDES.

    Cito algumas dessas empresas e os valores dos empréstimos: Ambev (319 milhões só em 2005), Grendene (314 milhões para comprar a Azaleia), Neoenergia (600 milhões em 2008), EBX (mais de 3 bilhões para o grupo do empresário Eike Batista só em 2009) e Oi (4,4 bilhões em 2009, o maior valor já concedido a uma empresa de telecomunicações). Segundo os produtores, o filme custou R$ 12 milhões, ou as migalhas que sobraram das transações acima. Quem pagou a conta, portanto, foi o BNDES.

    Em certo momento, quando apareceu a logo da construtora Camargo Corrêa, as pessoas começaram a rir no cinema. Ficou claro que estávamos diante de uma piada genuinamente brasileira, mas não devemos esquecer um detalhe fundamental: o filme não foi feito para ser visto em salas de shopping, mas em telas improvisadas nas centrais sindicais do país. Antes de chegar ao conteúdo de O Filho do Brasil, podemos perceber pelo financiamento e pela distribuição que se trata de uma sofisticada peça de propaganda. Quem acessar o Blog da Dilma (Rousseff) verá como ela já começou a “capitalizar” sua candidatura com o filme.

    Lá aparecem personalidades como Paulo Henrique Amorim afirmando que “Lula é maior do que o Brasil”, ou seja, stalinismo deslavado. Sorte que o filme é ruim. Se estivesse à altura de Dois Filhos de Francisco, por exemplo, é possível que acabássemos todos no paredão de fuzilamento. Mas isso é assunto para amanhã.


Grupo RBSDúvidas Frequentes| Fale Conosco | Anuncie - © 2000-2012 RBS Internet e Inovação - Todos os direitos reservados.