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Jornal de Santa Catarina

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28/07/2009 | N° 11690AlertaVoltar para a edição de hoje

TEATRO

Fitub em três atos

FESTIVAL ALTERNATIVO E DISCUSSÃO ENTRE A CLASSE ARTÍSTICA ALIMENTAM O DEBATE SOBRE O FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO UNIVERSITÁRIO

As cortinas do Festival Internacional de Teatro Universitário de Blumenau (Fitub) cerraram-se em julho do ano passado, mas a polêmica segue no centro do palco. Com a transformação do evento em bianual, parte da cena cultural se sente órfã de cultura neste mês em que deveria ocorrer o festival. O assunto foi levantado pelo colunista do Santa Maicon Tenfen. Em coluna publicada quinta-feira e no blog (www.santa.com.br/maicon), Tenfen questiona a preocupação de instituições com relação ao Fitub e a criação de um novo evento, o Nosso Inverno, que seria uma forma de protesto contra a falta do festival. O Santa foi atrás de respostas às perguntas no ar para descobrir se a história terá um final feliz.

NOSSO INVERNO

Por que a classe artística não fez uma manifestação ou protesto para manter a anualidade do Festival de Teatro?

Daniel Costadessouza, integrante da comissão do Nosso Inverno: Nem eu nem nenhum dos artistas podem responder oficialmente pelo Nosso Inverno com relação a uma manifestação sobre o Festival de Teatro. Isso porque somos um coletivo de artistas, mas não somos um evento político-cultural. Cada um tem uma opinião diferente do outro e se posiciona de forma diferente com relação ao assunto. A comissão organizadora que existe tem apenas o objetivo de orientar os artistas a trabalharem em conjunto e analisar as propostas feitas para o evento, para que ele ocorra harmonicamente. Os que estão interessados em se manifestar devem procurar pessoas com a mesma afinidade de ideais.

FURB

Há outras formas de conseguir verba para viabilizar o festival que não seja por vias governamentais?

Eduardo Deschamps, reitor da Furb: Nas últimas edições contamos principalmente com verbas do Funcultural e da Funarte, ambas fundos governamentais. Eventualmente, contamos com algum patrocinador privado e, talvez, esse seria um caminho, mas não é algo muito simples, pois as empresas aproveitam do mecenato para apoiarem os eventos culturais. Portanto, a ideia de tornar o evento bianual visou facilitar o ciclo de captação de recursos. Não podemos pedir verba para uma próxima edição enquanto o anterior ainda não ocorreu ou ainda não teve prestação de conta. Sempre tínhamos um prazo muito curto para prestar conta e aprovar novo projeto e foi uma recomendação de órgãos financiadores torná-lo bianual, para facilitar a chegada da verba. Não é de hoje que nota-se esta questão financeira. Por vários anos, a Furb bancou o evento sozinha, mas em função do crescimento de gastos e da reestruturação das contas da universidade não teríamos mais condições. Para o ano que vem, o projeto foi aprovado na Secretaria Regional com orçamento de R$ 767.150. No entanto, ainda falta a aprovação do Conselho do Estado, em Florianópolis. Mas não acreditamos que não seremos bem-sucedidos.

TEATRO CARLOS GOMES

Por que o teatro não abriu as portas de forma gratuita ao Fitub assim como fez para o Nosso Inverno, que nasceu como uma forma de protesto da classe artística pela falta do festival?

Ricardo Stodieck, presidente do Teatro Carlos Gomes: Primeiramente, o teatro não participa de protestos e quando procurados pelos organizadores do Nosso Inverno, se tivessem informado de eventual protesto, não os teríamos apoiado. Portanto acreditamos que esta informação não procede. Apoiamos o Nosso Inverno pois eventos importantes como estes, na sua primeira edição, precisam de subsídios adicionais para serem realizados. Com relação ao Festival Universitário de Teatro, o teatro sempre praticou preços diferenciados para o Fitub por acreditar muito no evento. Nenhum outro evento tem tabela melhor ou igual ao praticado para o Festival Universitário. No entanto, o Fitub, por já existir há 22 anos, tem um nome para se viabilizar financeiramente, o que futuramente o Nosso Inverno também terá. Estamos tranquilos pois sabemos que não foi o Carlos Gomes que inviabilizou o festival.

wania@santa.com.br

WANIA BITTENCOURT
Entenda o caso
Julho 2008
- O Festival de Teatro Universitário de Blumenau (Futb) tornou-se internacional e correu o risco de não ocorrer em função da verba.
Março 2009
- A Furb anuncia que o Fitub se tornará bianual, com a próxima edição em 2010.
- Um grupo de artistas cobra da Fundação Cultural e do teatro incentivo para a arte produzida aqui e cria o evento Nosso Inverno.
Julho de 2009
- No mês em que ocorreria o evento, começam a pipocar e-mails e posts em blogs sobre a falta do festival e a não-movimentação da classe artística.
- Maicon Tenfen, em sua coluna do dia 23 e no blog, questiona o posicionamento do teatro, Furb e organizadores do Nosso Inverno.
- O reitor da Furb, Eduardo Deschamps, confirma o evento para 2010 e a aprovação, na Secretaria Regional, do projeto com orçamento de R$ 767.150. O projeto e o valor ainda precisa ser aprovado no Conselho do Estado, em Florianópolis.

 


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