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Jornal de Santa Catarina

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28/07/2009 | N° 11690AlertaVoltar para a edição de hoje

MÚSICA

Uma certa nostalgia

PAUL MCCARTNEY FAZ SHOW EM TEMPLO QUE OS BEATLES TOCARAM HÁ 44 ANOS EM NOVA YORK

Oterceiro show de Paul McCartney, na recente reinauguração do Citi Field, no Queens, Nova York, tinha tudo para ser nostálgico. Foi ali, no antigo Shea Stadium, que há 44 anos os Beatles se apresentaram por meia-hora para uma plateia histérica, que não lhes dava chances de ouvir suas próprias músicas.

O passado, para o bem de todos, ficou apenas nas canções. O clima foi de festa para a massa de público veterano – acima de 50, 60 anos –, misturada a várias gerações. Os 55 mil espectadores só podiam agradecer pela noite fresca e pela trégua da chuva que caía na cidade havia dois dias.

Vestido com um paletó escuro a la Beatles e com seu inseparável baixo Hofner, Paul surge no palco ao anoitecer, sem apresentações, acena por um tempo ao público e manda os primeiros acordes de Drive My Car, dos Beatles. O público vem abaixo. Emenda com Jet, de sua antiga banda Wings, e outras duas músicas mais recentes – e aparentemente desconhecidas para a maioria.

Arranca gritos ao tirar o paletó e exibir uma silhueta magra, com calça pendurada por suspensórios. Apesar dos cabelos pintados e o rosto marcado pelo tempo, mostra vitalidade e voz límpida e potente aos 67 anos. São 33 músicas em mais de duas horas e meia de show.

A cada intervalo, ele brinca com o público, acena, vai ficando mais à vontade e fala de sua noite histórica naquele estádio ao lado de seus companheiros. Pede gritos e interage, para loucura daqueles que gastaram mais de US$ 2.500 no pacote VIP com direito a assistir ao show do gargarejo. Entre arquibancada e pista (fora da área VIP) os ingressos variavam de US$ 50 a US$ 275.

Paul faz um show para fãs, mais especificamente para fãs dos Beatles. Das 33 músicas do repertório, 20 são sucessos do quarteto de Liverpool. Outras seis da época do Wings e sete mais recentes, da carreira solo. O repertório variado também ajuda a mostrar sua virtuose: troca o baixo pela guitarra, com a qual esmerilha um solo de Foxy Lady (de Jimmy Hendrix), vai ao piano, depois pega o violão e parece brincar com um ukulele (pequena viola havaiana). A competente banda que acompanha Paul há quase uma década é discreta. O baterista Abe Laboriel Jr., com seu vozeirão, dá força no backing, enquanto Rusty Anderson, Brian Ray e Paul “Wix” Wickens se revezam nos instrumentos.

A parte final do show, com dois bis, é dominada pelos Beatles, com I Saw Her Standing There, Yesterday e Get Back, e fecha com as apoteóticas Sgt. Peppers e The End. Mais de 50 anos de uma história passada em quase três horas.

LUCIA CAMARGO NUNES/AE

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