Guia de Praias SC | 17/02/2012 13h11min
Se eu tivesse apostado em um bolão como azarão, estaria rica. A despeito da torcida dos colegas por capotagens, barbeiragens e atolamentos, nada disso aconteceu. Não tem como negar: andar de quadriciclo é, realmente, bem seguro. E fácil. Tem que ser muito, muito ruim para conseguir errar. O motor não morre, nunca. O que pega, claro, é a insegurança no começo.
A aventura teve como ponto de partida uma boa conversa com a Cristina Marcante, administradora da Triptur, no Costão do Santinho, no Norte da Ilha de SC. A primeira constatação: nada de deslizar dunas abaixo. Meu sonho de uma foto de capa estilo Tieta, com uma canga esvoaçante amarrada no quadriciclo, morreu ali. O motivo: duna é área de preservação, claro.
Veículos motorizados só pelos caminhos que passam por entre elas. A segunda constatação: não dá pra pilotar quadriciclo de chinelo. Eu, desavisada, tive que pegar o tênis preto do colega Felipe Sato, o Japa, três números maior. Fiquei chateada por esquecer algo tão básico, mas logo descobri que até que não foi de todo ruim.
Todo iniciante precisa, antes de fazer a trilha, passar por uma pista de treinamento, atrás da sede da empresa. Com bandeirinhas cercando o caminho, a pequena estrada simula os possíveis obstáculos que encontraremos em breve, em meio às dunas: subidas (não muito íngremes), buracos, descidas e curvas mais fechadas.
Tudo é monitorado pelo guia, Luiz Lunelli, que vai na frente e fica cuidando da turma, em fila indiana. Terceira constatação: saber pilotar moto atrapalha, como alertou a Cristina lá na conversa inicial. Não só porque eu insistia em tentar acelerar girando o manete, em vez do botão de acelerar, acionado com o polegar direito. Mas também porque, ao fazer as curvas, jogava o peso do meu corpo pra 'ajudar'. O que não servia pra nada, visto que meus 55 quilos não faziam nem cócegas no traquejo do quadriciclo de 250 quilos.
E foi nessa que eu trolei uma bandeirinha da pista: agoniada pra andar um pouco mais rápido, meti o dedão no acelerador e fui pra curva. Joguei o peso do corpo, não adiantou e puft. Bandeirinha pra baixo do pneu. Indignada por ser a única a errar, foquei nas orientações iniciais: apertar a área do motor com as pernas, para dar estabilidade, e relaxar os punhos e braços. E aí a minha vida mudou.
Ainda estava meio medrosa quando fomos ao passeio. Não sem antes eu ter que ouvir do Luiz:
— Agora não é mais bandeirinha, tá, se tu errares, pode ser um carro, uma árvore, um velhinho". Humpf.
Banho de lama até no...
Chegando ao Caminho dos Pescadores, lamentei não estar de carona pra poder observar a paisagem. A trilha em si tem lama e buracos, mas basta levantar um pouco o olhar para dar de cara com a beleza das dunas brancas.
O céu azul quase sem nuvens, o verde do morro ao fundo e o vermelho dos nossos quadriciclos completavam a paleta de cores. Mas a lamentação durou pouco além de um minuto: poder acelerar um pouco mais, sentir o vento no rosto e ter maior controle do veículo deu aquela sensação 'não tem preço' de propaganda de cartão de crédito. Circulamos, tiramos fotos.
E eu querendo acelerar cada vez mais, tive a minha chance quando o Luiz falou que passaríamos por uma área alagada da trilha. Não tive dúvida: esperei todo mundo passar, o fotógrafo se posicionar e enfiei o dedo no botão. Só não reparei que o vento estava contra e, em vez de um bonito 'V' de água ao redor do quadriciclo, levei toda a água da poça na cara, no corpo e... nos tênis do Japa (foto abaixo). 
Após o mico, fomos até a praia, no canto direito dos Ingleses. Ali, normalmente os trilheiros param, observam as oficinas líticas, descansam, tomam um banho de mar. Na volta, impossível não lembrar das palavras de um amigo: passeio de quadriciclo deixa um gosto estranho na gente. Gosto de pouco.
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Antes do trajeto real (foto), o iniciante precisa passar por uma pista de treinamento
Foto:
Felipe Carneiro
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