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Guia de Praias SC  | 17/02/2012 07h10min

Status leva uma multidão a pagar mais caro para ficar em camarotes na balada

Em alguns lugares, a área VIP tem tamanho igual ou até superior ao da pista

Laura Coutinho

Não é preciso ser de ouro. Basta uma pulseira de plástico para que, no jogo das representações da noite, um baladeiro seja alçado ao olimpo dos semideuses e ocupe um lugar separado dos demais.

Originalmente relacionada ao teatro para designar os compartimentos que ficam acima da plateia, a palavra camarote veio do espanhol para representar, na dramaturgia das baladas, um espaço separado da pista e por isso, especial e exclusivo.

E aí é que está um dos principais motivos que movem aqueles que preferem os camarotes: o status de estar em um local separado, como que acima do "resto". Mesmo que muitas vezes o camarote esteja mais cheio do que o espaço destinado para aqueles que pagaram menos.

O camarote não significa mais necessariamente aquela parte restrita a pouquíssimos na balada. Embora o mote ainda seja o apelo ao desejo dos clientes de se sentirem especiais e privilegiados, a verdade é que muitas vezes a soma das áreas do camarote, backstage, área VIP e lounge é igual ou até superior ao tamanho da pista.

Observadores dos baladeiros de Floripa, Giuliana Korzenowski, do grupo El Divino, e Rico Grunfeld, um dos sócios da Confraria, confirmam que o status é o principal motivo que leva as pessoas a pagarem pelo menos 50% mais pelo ingresso de camarote. Rico, em oito anos trabalhando na Confraria, observou o aumento na procura por esses espaços, o que refletiu até mesmo em reformas estruturais na casa. 

— O espaço dos camarotes aumentou com o passar do tempo. Na Confraria, está na proporção 40/60 em relação à pista. Acho que, para os clientes, significa conforto, atendimento e, principalmente, status.

Giu, que cansa de escutar pedidos do ingressos para o camarote, tem a mesma opinião: o principal atrativo do camarote é a sensação de superioridade que ele confere em relação aos outros.

Mas para além das interpretações psicológicas existem, sim, alguns argumentos palpáveis e bem racionais que justificam a opção de gastar mais para poder curtir uma balada ou show no camarote. Os principais estão relacionados ao conforto que esses locais oferecem. 

— Sempre que saio opto pelo camarote, acho que depois de uma certa idade a gente merece mais conforto. Aqui é mais seguro, dá pra dançar e sentar, o banheiro é mais tranquilo — argumentou Milena Campos, 38 anos, no do show do Kid Abelha, no P12.

Na Green Valley, os mimos do camarote incluem serviço gratuito de maquiador e cabeleireiro no banheiro, que tem cerca de 200 metros quadrados, entre 1h e 4h.

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Backstage bombado

Antigamente, quem ficava no backstage das festas e shows fazia parte do staff, aquele time que trabalha enquanto todo mundo se diverte. Agora, o preço para estar neste lugar é alto. Às vezes, bem alto. É que pegou a moda de ficar próximo ao DJ, em uma espécie de camarote geralmente mais caro que o camarote tradicional.

Na Green Valley, em Camboriú, por exemplo, a área do backstage, exclusiva para até 150 pessoas, além da proximidade do DJ, têm uma sala exclusiva, com sofás, ar condicionado e banheiro.

Além do backstage, existem mais dois espaços exclusivos: a área VIP, que custa cerca de R$ 150 e os camarotes, que ficam dentro da área VIP. Os camarotes na área VIP ou no backstage, que acomodam entre 10 e 50 pessoas, variam entre R$ 2 mil e R$ 20 mil com consumo equivalendo a até 50% do valor pago.

Nos camarotes também estão incluídos garçom e segurança. Nos paradores ou beach clubs, os camarotes ganham o nome de lounges. São espaços onde a divisão entre camarote e pista não é tão clara mas que em geral tem conforto e localização super privilegiada.

Ocupar um destes espaços no Taikô, em Jurerê Internacional, por exemplo, implica na necessidade de uma consumação mínima que pode superar os quatro dígitos dependendo da época.

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