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Temporada  | 03/02/2012 07h30min

Quer aprender a construir um castelo de areia gigante? A Revista de Verão ensina

Prepare pás, baldinhos, espátulas e o espírito de criança, porque a diversão vai começar

Rodrigo Stüpp  |  rodrigo.stupp@diario.com.br

Conseguimos! E escrever isso tem um tom de alívio. Porque depois de vento, chuva, gargalhadas, desconfiança e a queda de parte de uma muralha, ver o pequeno gigante de 1m20cm de altura por cerca de 1m50cm de largura de pé é motivo de orgulho. Para mim e para a Camille Reis, editora e apresentadora do Estúdio SC, que topou botar essa ideia de pé.

Numa terça-feira cinzenta, tocamos, de Kombi, para o Riozinho, no Campeche, Sul da Ilha. Não escolhemos o lugar por acaso. A areia é fina, primeira condição para erguer nosso monumental. Levamos ferramentas adequadas ao tamanho. Duas pás de construção e baldes grandões não são imagináveis no kit praia de uma família. Mas ajudariam a acelerar o trabalho, que durou três horas.

A meta era ousada: erguer na areia, o que o editor de arte do DC, Fábio Nienow, havia feito no computador, em 3D. Por isso, a Kombi também levou à praia o escultor Marcos Pagani, que tinha dado uma olhada no projeto e topado a ideia, dias antes.

Na praia, as crianças apareceram e ajudaram a molhar e socar a areia, um troço superfácil e sem graça, mas muito necessário para que, em seguida, o castelo não desmoronasse por conta própria. A parte final, bem mais detalhada e trabalhosa, não teria sido possível sem o Marcos e suas espátulas metálicas.

Até mesmo crianças como as que participaram, de seis e oito anos, poderiam comparar o projeto 3D com a foto ao lado e dizer:

— Peraí, vocês estão loucos!

É. De fato não erguemos três torres, a base está longe de ser circular e a nossa ponte é incrivelmente maior que a prevista. Isso sem falar nos detalhes das janelas, que eram realmente difíceis de fazer. O que não passou impune pelos meus colegas que ficaram no ar-condicionado.

Na volta, ser chamado de Tonho da Lua não foi nada perto do bullying que sofri, assim que as fotos começaram a circular.

— Vou fazer nas férias e te mostrar como se faz! — afrontaram-me.

Duvido. Mas aceito o desafio. Deles, e de quem mais quiser tentar.

Confira as fotos da construção do castelo

Relevos fazem a diferença

Começamos empolgados. O Marcos orientava o vaivém de baldes de água, despejada sem dó na montanha de areia fofa, erguida por dois marmanjos com as pás grandonas nas mãos. Eu já estava esbaforido antes da primeira meia hora, de tanto surrar o bloco compacto que viraria o castelo. Cheguei a ficar impaciente, como algumas crianças, que nos olhavam com cara de "tá, e a diversão começa quando"?

Mais uma lição: este tipo de castelo se faz de cima pra baixo. Exatamente o contrário daqueles que a gente faz com areia molhada escorrendo entre os dedos, pra erguer torres que parecem a Sagrada Família, obra de Antoni Gaudí em eterna construção em Barcelona. Simples, a técnica (na areia) tem nome: drip, feito por "gotejamento".

Feito uma família de férias — éramos seis pessoas — trocávamos de função. Cinegrafista, fotógrafo, criança, repórteres, curiosos. Isso até o blocão ficar pronto. Porque aí o bicho pegou.

Marcos sacou meia dúzia de espátulas e começou a dar forma à cúpula. Coadjuvantes, atacávamos pelos flancos. Fizemos uma ponte grandona. Dava para pisar em cima que ela não se desmilinguia. Seguíamos, também, outro conselho:

— Os relevos (positivo e negativo) deixam os detalhes mais bonitos.

Foi assim que começamos a atacar os muros, tentando ângulos mais retos. Duas horas depois, quando as formas estavam mais evidentes, veio a chuvarada. Não foi um temporal daqueles, mas foi suficiente para afugentar quase todo mundo. Menos o Marcos, que, com os óculos turvos de água e umidade, seguiu comigo, determinado. Rá! Nossa consistente fortaleza resistiu.

A pressa era toda nossa

As rampas laterais próximas ao topo ganharam formas quando o céu ameaçava abrir. O fim do trabalho — rapidíssimo, para este tipo de tarefa — estava determinado por nós, jornalistas, que fizemos o papel de criança birrenta, louca para pra ir embora.

Otimista, quase concordei com a comparação da colega Juliana Sakae, uma das que também meteram a mão na areia. Nossa obra-prima praieira tinha seu quê de Casapueblo, no Uruguai. Ao menos, nas curvas errantes. La garantia soy yo!

À tarde, quando o Marcos voltou para verificar o serviço, nosso majestoso estava lá, intacto e reluzente. Na areia e na minha memória também.

Veja os bastidores da construção 

:: Mão à obra

Ferramentas
— Baldes e pás.
— Espátulas e pincéis para tirar o excesso de areia. Uma faca velha de cozinha, sem ponta, também vale.

Como fazer

1. Se estiver empolgado, faça um projeto no papel. Determine dimensões e quantidade de torres.

2. Molhe e compacte bem a areia. Faça isso em camadas. É demorado, mas fundamental para a estrutura.

3. Faça um bloco maior do que seu plano. Você vai tirar muita areia.

4. A escultura é de cima para baixo.

5. As crianças vão ajudar. Vale eleger uma torre para elas trabalharem.

6. Detalhes por último. Janelas podem ser furadas com bocas de garrafa pet ou latinhas de cerveja.

Dicas faraônicas

— A areia é fina? Faça o teste: pegue um punhado na mão e aperte. Se ficar compactado, está ótimo.

— Prefira dias mais úmidos e sem vento. Se estiver muito quente, leve um borrifador e mande ver nos pontos mais frágeis, com menos apoio.

— Nos detalhes, procure fazer níveis diferentes, como degraus. É mais bonito do que risquinhos.

— Para divertir as crianças, compre moldes plásticos. Elas podem ajudar a decorar os muros e as laterais.

— Faça pelo menos duas torres. Una-as com muros, escadas e até pontes. O efeito final é bacana.

Fontes: Escultor Marcos Marcos Pagani e livro Sandcastles Made Simple (em inglês), de Lucinda Wierenga, Stewart, Tabori & Chang.

Felipe Carneiro / Agencia RBS

Nossa obra-prima praieira tinha seu quê de Casapueblo, no Uruguai. Ao menos, nas curvas errantes
Foto:  Felipe Carneiro  /  Agencia RBS


Confira as fotos da construção do castelo
Veja os bastidores da construção
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