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Guia de Praias SC  | 31/12/2011 19h44min

Afinal, Floripa tem quantas praias? 100, 42, 34?

Enquanto os especialistas ficam contando, muito melhor é aproveitá-las

Gabrielle Bittelbrun  |  gabrielle.bittelbrun@diario.com.br

Na cidade de Florianópolis, tanto no Continente quanto na Ilha, por onde se olha tem praias. Mas, afinal, quantas praias existem em Florianópolis? Se é difícil conhecer todas elas, quase impossível é fazer uma lista exata delas. Quando se pensa na Capital, logo vêm à mente Jurerê, Campeche, Lagoa da Conceição. Mas as porções atingidas por mar, lagoa, rio não são facilmente delimitadas e podem entrar de diferentes formas na seleção.

Praias escondidas por obstáculos naturais, como a Praia do Gancheiro, no Sul da Ilha, acabam esquecidas e também dificultam a contagem mais exata. Sobram, além de balneários, opiniões sobre o assunto.

 Confira as imagens de algumas das praias de Florianópolis

Há unanimidade quando se fala da riqueza e da variedade inigualável de praias no município. O geólogo e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), João Carlos Gre destaca as particularidades dos balneários no município e da maior parte do litoral do Estado:

— Em SC, serras e morros alcançam o litoral, as praias são em arco, têm costões, o que traz muita individualidade a cada uma delas.

O eletricista José Hortêncio Martins, de 51 anos, nascido e criado na Ilha de SC, concorda que não há "outro paraíso como Florianópolis". A dificuldade fica mesmo em fechar a conta da quantidade de praias da Capital. Enquanto isso, números e histórias variam na boca de pesquisadores, profissionais da prefeitura e de novos e antigos manezinhos. Cada um com seu argumento.

— O que sei é o que dizem e o que ouvi dos meus pais e avós — justifica José Hortêncio.

O estudioso de história, Gelci José Coelho, o Peninha, conta que o pesquisador de cultura açoriana e folclorista Franklin Cascaes encontrou 42 praias ao percorrer a Ilha de SC na década de 1960. Não se sabe quais praias entraram no registro de Cascaes, porque o levantamento foi extraviado, mas o fato é que o número "pegou" e serve como referência até hoje quando o assunto vem à tona.

Recantos escondidos como a Praia do Gancheiro, dificultam a contagem exata 

Curiosidade inspirou pesquisa

O pesquisador de Ciências Humanas e Sociais Nereu do do Vale Pereira transformou a curiosidade sobre a quantidade de praias de Florianópolis em trabalho. Ele mesmo peregrinou do setor ilhéu ao continental da cidade, considerando marcos geográficos e ouvindo dos moradores as histórias de cada praia visitada.

No levantamento, entraram na conta praias formadas em lagoas e em outras 31 pequenas ilhas que integram o município, como a Ilha de Ratones. Para Pereira, praias são "todo debruçar de mar, rios e lagos, seja sobre areia, terra, pedra ou capim", com delimitações naturais, como recortes ou elevações da parte terrestre. Todas as encontradas pelo professor no município estão elencadas no livro Descortinando as 100 belas praias de Florianópolis. O professor, que conhece a Capital como "as próprias unhas", considera que, depois do minucioso estudo, o conhecido número de 42 praias ficou velho, definitivamente ultrapassado.

— As pessoas podem não ter ido a todas elas, mas que as 100 existem, existem — garante Nereu, nascido em Floripa há 83 anos.

O geólogo e professor da Universidade Federal João Carlos Gre explica que o número final de praias vai depender dos critérios adotados para estipular onde termina cada uma. Sob a perspectiva da geologia, elas seriam limitadas apenas quando houvesse acidentes morfológicos e geográficos, como morros ou pontais de areia.

Por essa visão, a quantidade de praias não seria 42 nem alcançaria a centena. Até uma nova contagem, o professor de geologia fica sem saber ao certo em que praia firma o guarda-sol para desfrutar o verão.

— Eu adoro a Joaquina, mas não sei nem onde ela termina e onde começa o Campeche — diz.  

Orgãos públicos têm dúvidas semelhantes

Nem com a lei municipal de 2001, que considerou o levantamento do professor Nereu do Vale Pereira, se chegou a um consenso em relação ao número de praias em Florianópolis. No folheto de divulgação da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte constam 34 praias.

— Não colocamos todas porque o objetivo é atender os turistas. Por isso, temos que apontar os locais de mais fácil acesso — justifica o secretário-adjunto da pasta, Carlos Alberto Pereira da Silva.

Para o secretário de Turismo, Cultura e Esporte, Vinicius Lummertz, há dificuldade de fixar o número, pela variedade de nomes na mesma praia e porque algumas ficam mais conhecidas com o passar do tempo, após serem descobertas.

— O Riozinho, por exemplo, surgiu há pouco e está crescendo em popularidade. Muitas outras praias também mudam de nome — afirma o secretário.

A nomeação de 100 praias pelo professor Nereu do Vale Pereira também não convenceu o geógrafo David da Rosa Fernandes, da Fundação do Meio Ambiente (Fatma). Apesar de o número não atingir o trabalho do órgão estadual, ele acredita que deveriam se admitir barreiras geográficas como divisão das praias de Florianópolis.

— Por essa ideia, a Joaquina, Campeche e Armação seriam uma praia só — interpreta David.

Ele ainda lembra que a variação das marés também altera a quantidade de praias que aparecem.

— A praia do Defunto, por exemplo, às vezes desaparece com a maré, e a Ilha fica com uma praia a menos — brinca o geógrafo.  

A variedade de balneários surpreende os turistas de Florianópolis.

— Não tenho a menor ideia do tanto de praias que tem aqui. Indo de carro, não se para de encontrar praias novas — afirma Rafael Obalski, turista de São Paulo em férias.

A quantidade de porções atingidas pelo mar confunde, inclusive, os moradores da cidade.

— Eu sempre ouvi que são 42 praias aqui, mas não sei se é isso — diz a dona-de-casa Virginia Maria da Silva Cunha, que mora na Freguesia do Ribeirão da Ilha.

José Hortêncio Martins, morador da Caieira da Barra do Sul, sempre escutou a família e a vizinhança falando em 42 praias. Mas, para ele, se forem "bem contadas", o número chega a 100.

O auxiliar de maricultura Jerson Luíz Botelho, o Coelho, decidiu conferir se eram mesmo tantos os balneários e, em 1987, deu a volta à Ilha a pé, em 29 dias. O percurso na parte continental ficou para depois. Para Jerson, pior do que não ter um número estipulado de praias é ter perdido a tranquilidade nos balneários. A fisioterapeuta Alessandra Cruz, moradora de Florianópolis há 12 anos, concorda. Por isso, ela prefere praias que escapam da preferência de quem vem visitar a cidade e que caem no esquecimento da maior parte dos moradores.

— Gosto do Moçambique, e é melhor sem muita gente. Até há pouco tempo, não tinha nem placa indicando aqui — diz a moradora.

Cassiano Corrêa Filho acha que Naufragados nem precisaria ter tanta praia. Para ele, só a tranquilidade traz um grande benefício.

— Para pescar tainha, a calmaria é ótima — destaca.

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