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Jornal de Santa Catarina

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 |  02/11/2011 07h10min

Irmãos Hanson voltam a Porto Alegre 11 anos depois

Autores do sucesso "MMMBop" tocam nesta sexta-feira na Capital

Juliana Palma  |  juliana.palma@zerohora.com.br

De volta a Porto Alegre após 11 anos de sua primeira visita quando tocaram no Gigantinho no auge do sucesso em 2000, os Hanson se apresentam nesta sexta-feira (4), no Centro de Eventos Casa do Gaúcho. O trio formado pelos irmãos Isaac, Taylor e Zachary, vêm à Capital com o repertório de seu novo álbum, intitulado Shout it Out.

O disco foi lançado em junho de 2010 e mistura ritmos como R&B, soul e pop rock, que influenciam a banda desde o início da carreira. Além das canções novas, os músicos trazem ao público sucessos que marcaram os quase 20 anos do grupo, como MMMBop.

Sobre o novo trabalho e a trajetória da banda, Zac Hanson, o mais novo dos irmãos, conversou por telefone com Zero Hora. Confira a entrevista na íntegra abaixo:

Zero Hora - Foi importante para vocês começarem a carreira tão jovens e logo se tornarem um sucesso mundial?
Zac Hanson -
Eu não diria que começar cedo foi importante para nós. Era muito mais pelo fato de termos uma paixão por fazer música e nós não queríamos esperar envelhecermos para começar. Até porque você vai acabar envelhecendo mais cedo ou mais tarde. Nós tínhamos uma paixão mútua por cantar, aprender e escrever canções, e isso acabou nos levando a começar cedo. E o fato de sermos irmãos e estarmos sempre juntos acabou, obviamente, apressando o processo.

ZH - Você diria, então, que ter começado tão cedo atrapalhou vocês?
Zac -
Acho que tem uma parte de verdade no que você está dizendo. Ter começado cedo impôs uma barreira a nós. A maneira como as pessoas olhavam para nós, sendo jovens, era algo que tínhamos que enfrentar. Eu lembro de quando nós começamos a cantar, as pessoas ficavam perguntando: " O que você quer fazer quando crescer?". Para mim, isso era um pouco insultante. Eu estava fazendo o que queria, eu sou um músico, e essa é minha carreira. É a parte ruim disso. Outros aspectos como a percepção do mundo e, obviamente, sendo tão garoto, você tem pouca experiência em tudo. A vantagem é poder treinar. Treinar, por exemplo, a habilidade de continuar na profissão. E saber quem você é, o que você quer na sua carreira, provar suas habilidades como músico ou qualquer outra coisa que você queira fazer na vida. Tem ainda uma vantagem em relação ao futuro. Aqui estou eu, com 26 anos, e nós já estamos tocando juntos há quase vinte anos. Então, eu tenho muito mais experiência tocando em banda, fazendo shows, do que a maioria dos caras da minha idade. Eu deveria ser um músico muito melhor do que eu sou, só por esse fato.

ZH - Como é o cotidiano de vocês? Vocês se dão bem o tempo todo?
Zac -
Bom, nós amamos o que fazemos. Nós gravamos álbuns, nós viajamos, nós concedemos entrevistas. E tudo isso fazemos juntos. Como irmãos, nossa relação é ótima, mas não é perfeita. Ainda é uma relação como qualquer outra, como um casamento, ou uma relação entre namorados. Você precisa trabalhar na relação para mantê-la boa. Óbvio que nós brigamos, mas é geralmente por coisas que nos importa, como a música que fazemos, por exemplo. Não brigamos por coisas bobas, como "você usou minha camisa", ou algo do gênero. Nós trabalhamos nisso, pois temos um respeito mútuo e um entendimento de que passamos por muitas coisas juntos e que não é fácil manter uma relação como essa. Ela tem funcionado por anos e nós construímos isso juntos. As pessoas veem isso como uma referência para o que é a música e que música você quer fazer. É difícil. Então, tentamos manter isso em vista e dar o melhor de nós.

ZH - O quanto a banda mudou desde o início?
Zac -
Nós mudamos em muitas maneiras. Tirando as partes óbvias como "estamos mais velhos", ser uma lenda aos 26, ou até mesmo passar da adolescência ao casamento, com filhos. Essas foram grandes mudanças no lado pessoal, e obviamente refletiram na nossa música, afetando o que a gente faz, musicalmente falando. A banda, o que nós fazemos, acho que continua mais ou menos a mesma coisa, o que procuramos, nossas referências. Nós continuamos tocando nossos primeiros álbuns, assim como estamos tocando o álbum que dá nome à turnê (Shout it Out). Sabemos que o tempo muda a maneira como procedemos, tudo isso muda, e o jeito com as pessoas se sentem em relação à nossa música, definitivamente, é diferente. Mas a música ainda é similar. O sotaque pop e os elementos das gravações continuam os mesmos. Nós somos os mesmos caras, fazendo música pelos mesmos motivos. Mas, como sempre, continuamos apenas com nosso amor pela música, não estamos tentando mudar. Estamos tentando evoluir naturalmente, fazendo as coisas pelas quais somos apaixonados. E eu acho que é assim que a música evolui.

ZH - Em matéria de música, que diferença seu último álbum traz que os outros não tinham?
Zac -
O que você pode ouvir no novo álbum é um pouco mais daquele pop dos anos 1960, muito mais do que nos outros discos. Tem um sentimento vivo nesse álbum, o sentimento de uma banda tocando a música. Isso porque a maioria das faixas foi gravada em um momento só. Nós ajustamos os instrumentos e tocamos com uma banda, e gravamos as músicas desta forma. Tem uma certa energia nesse disco que vem dessa maneira de gravar, que o faz especial, que o faz único. Outra coisa sobre esse álbum que foi nova para nós é a parte dos sopros. Em todo álbum você pode perceber arranjos com instrumentos de sopros, feitos por Jerry Hey, que trabalhou também com Michael Jackson. E é isso que deixa o disco ainda mais emocionante e é uma coisa da qual nos orgulhamos.

ZH - O que você lembra da turnê que fez ao Brasil em 2000?
Zac -
Em particular, eu acho que os fãs são maravilhosos. Uns dos mais apaixonados, barulhentos e loucos, no melhor dos sentidos. Uma coisa que a gente nunca havia visto antes. E as comidas brasileiras também são ótimas, tivemos refeições maravilhosas durante o tempo em que ficamos no Brasil. Toda a equipe saindo para se divertir, aproveitando esse circo maluco que é estar em turnê, entrando na cultura dos lugares em que você está.

ZH - Qual é a sua expectativa para o show em Porto Alegre, 11 anos depois?
Zac -
Eu estou muito orgulhoso que nós possamos voltar e eu espero me divertir. Tomara que a gente possa ver os mesmos rostos que vimos há mais de uma década. A primeira e última coisa que eu penso é na qualidade da performance, tocando tudo que nós sabemos e pensando que este poderia ser nosso último show. Nós sempre tocamos como se fosse o último show.

ZH - Quando vocês começaram a fazer sucesso, não havia todo esse aparato que vemos agora, não havia nem mp3. Hoje em dia, a internet espalha conteúdo em questão de segundos. O quanto vocês sentiram a mudança no cenário musical?
Zac -
Bem, você está certa, o cenário musical mudou muito desde que nós surgimos. Nós tivemos sorte de experimentar um triunfo único quando gravamos nosso primeiro álbum em fita e ver a transição que aconteceu depois disso. Agora o público compra cada vez menos os produtos físicos. A Internet acabou se tornando uma ótima ferramenta para artistas liberarem suas gravações. A habilidade de liberar música ao redor do mundo instantaneamente é muito poderosa, ajudando principalmente os artistas independentes. Também há, entretanto, a questão da pirataria, que é uma coisa que temos que lutar contra. Porém, não podemos apenas lutar contra ela, nós temos também que nos aliar à tecnologia. Quando o nosso último disco foi lançado nos Estados Unidos, ele continha um livro com fotos, um documentário, um LP duplo, fones de ouvido e usb para que as pessoas acessassem conteúdo no computador, e tudo interligado com as músicas que estavam no CD. Nós fizemos um CD para que as pessoas parassem e se concentrassem na música que estavam ouvindo. E é isso que nós gostamos de fazer. Tudo o que fazemos é com paixão e nós fazemos apenas o que amamos.

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