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Jornal de Santa Catarina

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 |  04/09/2010 08h39min

Escritores gaúchos contam o que fariam se ganhassem R$ 90 milhões da Mega Sena

Premiação de R$ 90 milhões aguça desejos de consumo e leva brasileiros a fazerem mais de 3,3 milhões de apostas por hora

Seis números separam o sonho da realidade hoje. Ao acumular pela décima vez consecutiva, a Mega Sena volta a aguçar as ambições dos brasileiros com o prêmio recorde de R$ 90 milhões. Somente a Mega da Virada, no fim de 2009, pagou mais, cerca de R$ 144 milhões. O superprêmio atraiu apostadores de carteirinha e os de primeira viagem. Ontem, as lotéricas passaram o dia lotadas. Até as 16h de sexta-feira, a venda média foi de 3,3 milhões de apostas simples por hora.

Confira o que você pode comprar com o prêmio


Quem ainda não apostou tem chance de concorrer. As lotéricas recebem os volantes até as 19h de hoje, uma hora antes da extração. Às 20h, milhões de apostadores voltam os olhos para Santa Rosa de Viterbo, no interior de São Paulo, onde a Caixa realizará o sorteio.

Mansões, carros esportivos, viagens ao redor do mundo correm no imaginário dos brasileiros, que almejam arrematar a fortuna.

E você? O que faria com R$ 90 milhões? ZH convidou quatro escritores gaúchos para contar como investiriam esse dinheiro.

E SE O PRÊMIO FOSSE DELES:

Cintia Moscovich

"O que eu faria com uma bolada dessas? Eu compraria minha paz. Em primeiríssimo lugar, eu compraria a casa ao lado da minha e, com isso, usufruiria do direito de viver na minha própria casa e de trabalhar com literatura (sem contar que meus vizinhos finalmente poderiam ter um ambiente sadio). Aplicaria um dinheirinho para me garantir e destinaria uma quantia para minha família, para entidades que cuidam de animais maltratados, de pessoas idosas, de crianças e de deficientes físicos. Reservaria uns R$ 20 milhões para uma fundação que auxiliasse pacientes com câncer. Estabeleceria bolsas de criação literária, para que outros autores pudessem escrever sossegados. (Sei lá, mas até acho que faltaria dinheiro...)."

Cláudia Tajes

"Começaria pelo óbvio, arrumando a vida de família, amigos e agregados. Depois, a minha própria vida seria uma festa. Viajaria muito e nunca mais ficaria em hotel muquirana. Mandaria baixar todos os livros, discos e DVDs que hoje eu e o meu filho Theo só podemos cobiçar (precisaria de uma casa maior para guardar nosso novo acervo). É tanto dinheiro que eu compraria muita roupa sem o menor remorso. E mais todas as futilidades domésticas que eu nunca tive. Então ajudaria os abrigos de menores carentes com tudo que fosse possível e equiparia algumas escolas e creches. Ainda adotaria várias crianças. Por último, daria um craque ao Grêmio, minha singela contribuição para ver se as coisas melhoram. Mas para isso preciso antes jogar, coisa que nunca lembro de fazer."

Antônio Xerxenesky

"Como quase toda pessoa ligada ao mundo criativo, valorizo muito o ócio, o não fazer nada. Ganhando a Mega Sena, separaria uma boa parte dos R$ 90 milhões eu colocaria na poupança. O plano é o seguinte: viver apenas dos rendimentos dela, de modo que eu nunca precisasse arranjar um emprego de verdade e pudesse ocupar a vida apenas caminhando por aí, lendo o que quero ler, escrevendo o que quero escrever. Porém, a bem da verdade, se eu recebesse essa bolada de dinheiro não seria tão racional assim. A primeira coisa que faria seria pagar uma cervejada para todos os amigos e todas as pessoas que algum dia se importaram comigo. Ganhar a Mega Sena significaria que sou uma pessoa sortuda, e toda pessoa de sorte deve expressar, antes de mais nada, gratidão."

Fabrício Carpinejar

"Nada como uma fortuna para aniquilar uma personalidade. Não teria mais possibilidade de ser santo, um santo depende do sacrifício, um afortunado é apenas filantropo. Não exerceria mais a generosidade, a bondade surgiria como obrigação. Apagaria a chance de chegar em casa com um chocolate escondido entre os pães e ser festejado pelos filhos. Não poderia reclamar que quase bati o carro ou ser consolado pela mulher diante do medo da demissão. Não teria mais amigos, mas empregados. Não teria mais esposa, mas uma sócia. Passaria a desconfiar da mãe, do cachorro, numa paranoia constante, certo de que desejam se aproveitar de mim. Não lutaria por nada, mandaria. Se eu ganhasse R$ 90 milhões, simplesmente não existiria. Apesar de tudo, não custa tentar. Preenchi meu bilhete."

Max Mallmann

“Talvez eu arrematasse algum pequeno país, do qual eu me tornaria monarca absoluto. Ou, quem sabe, eu comprasse a escultura O Rinoceronte, de Salvador Dalí, para botar no meu quarto. Ou, talvez, eu apenas abrisse um restaurante de frutos do mar. Na Antártida.”

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