Clima | 31/08/2010 08h44min
O período de estiagem no Oeste de Santa Catarina, onde, em algumas cidades, não chove há pelo menos 20 dias, começa a provocar prejuízos para produtores rurais da região.
A pastagem seca já impacta na produção de leite e de gado de corte. Para complementar a alimentação dos animais, os produtores têm que usar ração, encarecendo a produção.
Na lavoura, o aumento do número de queimadas e a redução da umidade no solo também causam prejuízo. O plantio teve de ser suspenso.
A quebra na safra de leite deste ano deve chegar aos 20%, estima o engenheiro agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) Ivan Baldissera. Nas últimas semanas, a produção leiteira já caiu 12% na relação com o mesmo período no ano passado.
— O produtor precisa se precaver estocando ração para complementar a alimentação dos animais nos próximos meses, não deixando que a produção de leite ou de carne (no caso do gado de corte) sofra impacto — sugere o especialista.
Agricultores vivem o dilema de decidir o melhor momento de iniciar o plantio das culturas da estação, como o feijão e o milho. A terra seca demais impede a germinação das sementes.
— O momento é de espera. Geralmente se planta as culturas de verão entre agosto e setembro, mas neste ano, o recomendado é que se espere um período de chuva, porque não há condições para germinação agora — explica.
Segundo Baldissera, há a previsão da chegada de frentes frias ao Estado na primeira quinzena de setembro. Com a chuva, o produtor deve plantar as sementes de forma escalonada, sem diminuir o espaçamento normal para compensar a semeadura tardia, e utilizar cultivares recomendadas.
As culturas de inverno, garante o representante da Epagri, não estão sendo prejudicadas pelo período sem chuva. Há a preocupação de danos às produções caso ocorram geadas fora de época nos próximos meses.
Mesmo com o período de tempo seco, o nível dos rios e das reservas de água não baixou na região, garante o engenheiro.
La Niña
Santa Catarina deve se preparar para um período de tempo mais seco entre a próxima primavera e o verão. Pelo menos é o que indicam as análises climáticas, que apontam a atuação do fenômeno La Niña (resfriamento das águas do Oceano Pacífico na região do Equador).
A condição faz com que o regime de chuva sofra diminuição no Sul do país — com possibilidade de forte estiagem em cidades catarinenses. Segundo o meteorologista Leandro Puchalski, da Central RBS de Meteorologia, além de diminuir o volume de chuva, o La Niña também deve prolongar o período de chegada de massas de ar frio ao Estado, que pode ir até o começo da primavera.
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