Clima | 01/09/2009 12h28min
A previsão é de chuva acima do normal para os próximos meses em Santa Catarina, o que não significa que haverá uma nova tragédia como a do final do ano passado no Estado, segundo o meteorologista Leandro Puchalski, da Central RBS.
Ele participou de um bate-papo com internautas do diario.com.br, do an.com.br e do santa.com.br na manhã desta terça-feira.
Veja a previsão para os próximos dias em SC
— A tragédia ocorrida ano passado foi um evento extremo. Como tal, não ocorre todo o momento. A previsão é de chuva acima da média até o final do ano, mas temos que considerar também a distribuição dessa chuva. Não necessariamente
tenha que ocorrer tudo de uma vez só. Claro que chuva forte na primavera vamos ter — disse.
Para o final deste ano está prevista a ação do fenômeno El Niño, que costuma trazer maior quantidade de chuva a Santa Catarina. E isso pode ter um lado positivo.
— O fenômeno ajuda a diminuir a estiagem normal de verão, o que é muito bom, por exemplo, para a agricultura do Estado. As maiores safras de soja do sul do Brasil ocorrem em anos de El Niño — ressaltou.
O ideal, de acordo com o meteorologista, é acompanhar frequentemente a previsão do tempo para informações mais precisas.
Confira a íntegra do chat com Leandro Puchalski:
??UM DESABAFO CLIMÁTICO!?? Que as mudanças climáticas já estão acontecendo no Sul do país não temos dúvida (SC e RS), porém o Brasil só fala no criminoso desmatamento da Amazônia, tanto os órgãos governamentais quanto a comunidade cientifica e ambientalista. A impressão é que só o desmatamento emite CO², outras fontes como a combustão e queima de combustíveis fósseis não influenciam no desequilíbrio do clima, muito menos então o calor emitido pelas termelétricas. Não consideram as tragédias do clima no Sul de SC, que estão causando pânico na população, matando e destruindo, tanto em áreas urbanas quanto rurais, com enormes prejuízos materiais. Estamos participando de vários seminários, encontros e reuniões sobre mudanças climáticas em todo país, pois virou moda e consequentemente existe patrocínio para viagens e hospedagens. Outro dia comentei que o município de Araranguá ? epicentro do furacão Catarina havia sido contemplado com três eventos climáticos de considerável magnitude num período de apenas 15 dias, como a segunda maior enchente da bacia hidrográfica do rio Araranguá, felizmente sem vitimas (e dai não dá mídia), uma chuva de granizo com pedras de sete cm de diâmetro e um inédito tornado na segunda quinzena de setembro, ou seja, uma semana antes do II EFAMuC. A descrição não poderia se mais trágica, considerando o sofrimento das pessoas atingidas e os prejuízos materiais, mas um comentário inapropriado ironizou que o município era o epicentro então tinha que se acostumar. Numa outra ocasião comentei da menina de treze anos que havia presenciado três eventos climáticos, iniciando com o furacão quando morava em Criciúma, depois a enchente na Barranca e por último o tornado onde está morando no Mato Alto, quando um senhor inocentemente ironizou que então é ela que atrai o problema. Não é qualquer ventinho que vira dois caminhões numa rodovia como a BR-101 e não é qualquer ventinho que provoca ondas de seis metros como acorreu no Pântano do Sul na Ilha de Florianópolis. Nenhum dos eventos do dia 19 de novembro foi previsto com a violência e gravidade que ocorreu no sul do país, entre Porto Alegre/RS e Florianópolis/SC e por fim anunciaram como vendaval, quando as características foram de tornado e ciclone extratropical. Algo está errado com a eficiência da ciência da meteorologia, eventos como o do Catarina já causaram controvérsias na época, é preciso, portanto buscar explicações com a geofísica e a oceanografia por exemplo. Estatisticamente a tendência é intensificar os eventos climáticos e com mais frequência, porém não estão sendo adotadas medidas preventivas e a população não está preparada para uma adequada adaptação. Realizamos o II Encontro de Fenômenos Naturais, Adversidades e Mudanças Climáticas da Região Sul, em 07 e 08 de Outubro, em Araranguá, e uma carta / manifesto foi lançada com as principais demandas, onde consta a elaboração de estudos mais profundos como forma de esclarecer a população que quer respostas as tragédias do clima e a criação de um Observatório do Clima em Araranguá. Tentamos contato com órgãos governamentais tanto estadual quanto federal e não existem recursos para determinada ação proposta, ou não existe interesse da classe política, pois quanto mais tragédia mais margem para politicagem com os recursos do Estado e da União. Tadeu Santos / ONG Sócios da Natureza / Araranguá ? SC. AS POPULAÇÕES AFETADAS PELAS TRAGÉDIAS DO CLIMA CONTINUAM QUERENDO RESPOSTAS!!!
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