Polícia | 17/08/2010 18h15min
Um clínico geral de 55 anos está sendo indiciado por homicídio culposo em Joaçaba, no Meio-Oeste de Santa Catarina. De acordo com a polícia, ele teria realizado um parto normal no Hospital Universitário Santa Terezinha (Hust), no dia 31 de maio, mesmo sem especialidade técnica. O recém-nascido faleceu cinco horas depois.
Segundo o delegado Maurício Pretto, a criança teria ficado presa no canal vaginal da mãe e um anestesista precisou auxiliar na retirada. A demora resultou em uma parada cardiorrespiratória, provocando a morte do recém-nascido.
A família da vítima registrou um boletim de ocorrência contra o médico. Também foi aberto um inquérito para investigar o caso. A denúncia apontaria para a negligência do profissional.
A polícia concluiu que o médico não poderia realizar partos pois não possuia nenhuma especialidade na área de obstetrícia.
— Ele está sendo indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, em face da imperícia médica — diz o delegado.
Em depoimento, o médico teria alegado que o canal vaginal da mãe era estreito demais e por isso a criança teria ficado presa.
O inquérito será encaminhado à Justiça de Joaçaba nesta quarta-feira. Uma cópia também será enviada ao Conselho Regional de Medicina (CRM), que deve analisar o caso do ponto de vista administrativo.
O médico que realizou o parto não foi o mesmo que fez os exames pré-natais. Segundo a polícia, no dia em que a criança nasceu, o ginecologista que acompanhou a gestação estava preso preventivamente sob acusação de tentar molestar pacientes durante as consultas.
Danos morais
Em depoimento, a mãe da criança alegou ter alertado o médico sobre a necessidade de realizar uma cesariana. Ela já teria constatado, no nascimento da primeira filha, que não possuiria estrutura óssea para encarar um parto normal.
Diante da situação, o advogado de defesa da família, José Gustavo Conte, protocolou no fórum da cidade uma ação de danos morais contra o hospital.
Contraponto
O clínico geral que está sendo indiciado disse por telefone, na tarde desta terça-feira, que não vai se pronunciar sobre o caso. Ele declarou que já prestou depoimento à polícia e vai aguardar o andamento do inquérito. A direção do Hust não foi encontrada para comentar sobre a ação.
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