Geral | 02/07/2009 06h20min
Entra no terceiro dia, na manhã desta quinta-feira, a greve dos motoristas e cobradores da Grande Florianópolis. A categoria paralisou as atividades às 7h de terça-feira, diante da falta de consenso com os empresários do setor sobre o reajuste salarial.
Às 6h desta quinta, não havia movimentação de ônibus nos bairros e na região central de Florianópolis. Os grevistas seguem reunidos na Praça das Nações, ao lado do Terminal de Integração do Centro (Ticen).
Desde o início da mobilização, representantes da prefeitura da Capital, trabalhadores e empresários participam de reuniões em busca de uma saída para o impasse.
Na noite de quarta, o sindicato das empresas (Setuf) encaminhou ao vice-prefeito João Batista Nunes uma nova proposta, que não teve a aprovação da prefeitura.
No documento, o Setuf concorda com o reajuste de 7% no salário dos trabalhadores se a tarifa for reajustada em R$ 0,15. Também condiciona o aumento em R$ 310 no
vale-alimentação ao subsídio pago pela prefeitura
(hoje R$ 0,12 por passageiro, o que significa cerca de R$ 550 mil por mês).
A proposta também determina que se o aumento for retroativo a maio (mês da data-base da categoria) deverá ser pago pela prefeitura.
Batista afirmou que o prefeito não assinará a proposta e que o aumento no preço da tarifa só vai acontecer se for para custear o reajuste salarial dos trabalhadores.
A prefeitura voltou atrás e disse que não tem de onde tirar o pagamento do reajuste retroativo a maio. Se isso ocorresse, a solução só se daria após aprovação na Câmara, o que demoraria ainda mais.
O sindicato dos trabalhadores (Setuf) já anunciou que não vai concordar com o reajuste a partir de agora, já que a data base da categoria venceu em maio.
A estratégia dos empresários, ao condicionar o aumento no vale-alimentação ao subsídio é uma forma de pressionar a prefeitura a repassar os valores sem atraso. Atualmente, o último subsídio pago
pela prefeitura foi em abril.
O de maio já venceu e o
de junho está para vencer nos próximos dias.
Proposta
Na madrugada de quarta, o prefeito Dário Berger comprometeu-se em pagar o reajuste de 7% e o aumento do vale-refeição para R$ 310 retroativo ao mês de maio — mesmo que isso acabe provocando o aumento no preço das passagens ou do subsídio pago às empresas pela prefeitura.
A proposta não foi aceita pelos empresários, que reclamaram que o prefeito não havia indicado de onde viria o dinheiro para o custeio.
O sindicato das empresas (Setuf) teme que, como ocorreu nas negociações trabalhistas do ano passado, tivesse que pagar o reajuste "do bolso" e depois esperar pelo repasse do subsídio da prefeitura, que quase sempre ocorre com atraso.
Os trabalhadores aceitaram a proposta, mas só voltam ao trabalho se ela for aceite pelos empresários.
>> Acompanhe a cobertura da greve pelo blog Na Rua
Assista ao vídeo feito pelo fotógrafo Guto Kuerten: população procura alternativas para ir ao trabalho
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