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Jornal de Santa Catarina

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Geral  |  30/06/2009 21h37min

Greve dos trabalhadores do transporte coletivo da Grande Florianópois continua nesta quarta-feira

Nenhuma reunião oficial está marcada entre trabalhadores e empresários do setor

Atualizada às 22h21min Diogo Vargas  |  diogo.vargas@diario.com.br

A greve dos motoristas e cobradores de ônibus na Capital, que também atinge a Grande Florianópolis, vai continuar nesta quarta-feira e poderá se arrastar pelos próximos dias.

A negociação entre os trabalhadores, as empresas e a prefeitura é considerada a mais difícil dos últimos anos pelas partes que travam uma típica queda-de-braço.

Para agravar o prejuízo aos usuários, a determinação judicial de frota mínima de ônibus nas ruas não foi cumprida na íntegra, nesta terça-feira, deixando pelo menos 200 mil usuários sem o transporte coletivo. 

Na terça-feira à noite, na Câmara de Vereadores, enquanto o trânsito de veículos pequenos ficava ainda mais congestionado nas principais avenidas e nas pontes, o prefeito Dário Berger (PMDB) sinalizava com a notícia ainda mais preocupante para quem depende dos ônibus na Capital: o aumento da tarifa será um dos reflexos inevitáveis para bancar o tão esperado acordo entre os empregados e as empresas.

— A prefeitura nunca encerra as negociações, mas tem limites. É evidente (o aumento da tarifa), que dependerá do acordo entre patrões e empregados. Mas já temos prejuízos imensos além do comercial, psicológicos e de auto-estima da população numa intransigência incomparável — declarou o prefeito após um dia em que houve tentativas de negociação, mas sem reuniões físicas e conjuntas entre as partes.

Assista ao vídeo feito pelo fotógrafo Guto Kuerten na manhã desta terça:


Dário e o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano na Grande Florianópolis (Setuf), Waldir Gomes, cobraram intervenção da Justiça sobre o movimento, num claro sinal de que o acordo ainda estava distante até a noite.

Esta é a quarta paralisação em 60 dias dos cerca de 5 mil motoristas, cobradores e funcionários em geral do sistema. Apesar do caráter pacífico dos grevistas, houve ônibus depredados e revolta entre os usuários.

Houve também trocas de acusações entre os representantes em entrevistas, o que deixou a negociação de valores e reivindicações em segundo plano. O presidente do Setuf atacou os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Urbano (Sintraturb) ao tratar a greve como política e partidária. Condenou ainda a suposta participação de sindicalistas de outras regiões do Estado. O Sintraturb respondeu com duras críticas ao sistema.

— Deveriam (as empresas) pensar num modelo de sistema popular e não de cartel regional das empresas. Para eles é mais fácil demitir os trabalhadores e visar o lucro — disparou Ricardo Freitas, assessor da direção do Sintraturb.

Reivindicações

As principais reivindicações dos trabalhadores são o aumento salarial de 5% mais o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), o ticket-alimentação no valor de R$ 320 e a garantia da manutenção de cerca de dois mil empregos envolvendo os cobradores.

As empresas afirmam que operam o atual sistema de transporte coletivo da região com prejuízo mensal de R$ 2 milhões. A prefeitura argumenta que para aumentar o subsídio terá que reajustar a tarifa. Nenhuma reunião oficial está marcada para esta quarta-feira. Os ônibus seguem parados, a grande maioria na passarela Nego Quirido.

>> Acompanhe a cobertura da greve pelo blog Na Rua

A volta para casa: veja o vídeo de Pedro Rockenbach

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