Mundo | 30/06/2009 18h16min
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, confirmou hoje que retornará a seu país na próxima quinta-feira. A declaração foi feita em Nova York após aprovação, pela Organização das Nações Unidas (ONU), de resolução condenando o golpe militar no país centro-americano e pedindo o imediato retorno de Zelaya, eleito democraticamente em 2005. O seu mandato vai até 27 de janeiro de 2010.
De acordo com a Agência Bolivariana de Notícias, Zelaya informou que voltará a Honduras acompanhado pelo presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'Escoto, pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e pelos presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Argentina, Cristina Kirchner.
— Tenho que responder a meu povo e devo regressar a meu país — disse.
O procurador-geral de Honduras, Luis Rubí, afirmou que se Zelaya voltar ao país será detido. Segundo Rubí, a Justiça hondurenha emitiu uma ordem de detenção contra o
presidente deposto, que poderá pegar 20
anos de prisão pelos crimes que supostamente cometeu.
Rubí, que ocupa o cargo há vários meses e é membro do governante Partido Liberal, disse que "uma vez que (Zelaya) pise em território nacional, ele será detido e posto à disposição dos tribunais da República".
O procurador-geral explicou que o Ministério Público investigou e formulou acusações contra Zelaya por "vários delitos", que poderiam render "20 anos" de prisão a ele.
Alguns desses crimes são abuso de autoridade, violação dos deveres dos funcionários e traição à pátria, entre outros, todos relacionados com uma consulta que Zelaya tentou realizar no domingo com a intenção de promover uma reforma constitucional.
Rubí disse que "o Ministério Público desde o princípio informou ao presidente que ele estava violando a lei" ao promover o plebiscito, porque a Constituição não dá ao Executivo condições de fazer isso, só ao Supremo Tribunal Eleitoral.
O
procurador-geral lamentou que o novo governo de Honduras,
presidido por Roberto Micheletti, seja vítima de "desinformação" sobre "o que realmente ocorreu no país".
Além disso, pediu à comunidade internacional que deixe que os problemas sejam resolvidos pelos hondurenhos, "respeitando a Constituição e as leis".
Onde fica Honduras:
Zelaya disse ante a Assembleia Geral da ONU que os culpados pelo golpe "não hão de ficar impunes"
Foto:
Miguel Rajmil/Efe
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