| 18/06/2009 10h19min
Os trabalhadores do transporte coletivo de Florianópolis não descartam novas paralisações e dizem que existe a possibilidade de entrarem em greve por tempo indeterminado na próxima semana.
Nesta quarta-feira, eles fizeram uma paralisação de duas horas.
Segundo Deonísio Linder, secretário de assuntos jurídicos e financeiros do sindicato dos trabalhadores (Sintraturb), a greve pode acontecer em conjunto com os trabalhadores rodoviários (também representados pelo Sintraturb), que fazem assembleia na próxima quarta-feira.
— A greve dos rodoviários é praticamente inevitável — afirmou.
Uma assembleia dos trabalhadores do transporte da Capital deve acontecer nos próximos dias para deliberar sobre a greve junto com os rodoviários.
A população não foi comunicada sobre a paralisação desta quarta-feira, o que descumpre a lei de greve, que determina comunicação com 72 horas de antecedência. O Sintraturb
argumenta que foi uma paralisação parcial e que, caso se confirme
uma greve, a população será avisada.
Justiça
Nesta quarta-feira, o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano da Grande Florianópolis (Setuf) anunciou que irá entrar na Justiça para pedir a proibição das paralisações.
Segundo o presidente do Setuf, Waldir Gomes, a ação deverá ser protocolada na Justiça do Trabalho nesta quinta-feira. Ela pede que seja concedido, através de liminar, o interdito proibitório nas garagens e nos terminais. O objetivo é "garantir o direito à circulação de veículos e passageiros em terminais e garagens, evitando novos transtornos à sociedade".
— Essa ação tem o objetivo de fazer com que o sindicato não possa mais tomar essas medidas. Nós precisamos ter algo que seja palpável para que a própria polícia possa agir. No dia de ontem duas empresas foram paralisadas pela ação, em cada uma, de três pessoas. Deitaram no chão, na porta das empresas e não deixaram os ônibus
sair. Não podemos aceitar esse tipo de comportamento. Quem mais
vem sofrendo é a população.
Ele acredita que, se a Justiça acatar o pedido, o sindicato dos trabalhadores não irá descumprir a ordem judicial. Se descumprir, terá de pagar multa.
As empresas definiram também que não pagarão as horas paradas aos funcionários que aderirem a paralisações.
Negociações
Os trabalhadores do transporte dizem que não podem ceder mais nas negociações.
— Já cedemos em tudo que podíamos. Concordamos com o 7% de reajuste proposto pela prefeitura. Pedimos R$ 320 de ticket, mas concordamos com R$ 310. Nós só não vamos aceitar nunca o fim da função do cobrador e o fim da participação nos lucros (PL) — disse Deonísio Linder.
Com o impasse, o Ministério Público do Trabalho entrou com ação na Justiça pedindo a instauração do dissídio coletivo (quando a Justiça determina as cláusulas da convenção coletiva). O caso está com o Tribunal
Regional do Trabalho (TRT).
O prazo determinado pela justiça para que o Setuf e
o Sintraturb apresentem suas defesas em relação ao impasse nas negociações termina dia 26 de junho. Até lá, as partes ainda podem buscar um acordo para tentar evitar uma decisão judicial sobre o tema.
HORA DE SANTA CATARINA E CBN/DIÁRIO
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