Geral | 12/06/2009 09h37min
O diretor-geral da Airbus, Fabrice Brégier, reafirmou que seus aviões são seguros, após as dúvidas surgidas sobre o possível envolvimento dos sensores de velocidade no acidente com o avião da empresa que se acidentou no Oceano Atlântico, e pediu cautela até que se conheçam os motivos da tragédia.
— Nossos aviões são seguros. Afirmamos isso, afirma a Agência Europeia de Segurança Aérea (Easa), afirmam nossos clientes — reiterou Brégier, em entrevista publicada hoje pelo jornal La Dépêche du Midi.
O número dois do construtor europeu considerou "irresponsáveis" os artigos publicados na França que indicam falhas nos sensores de velocidade como causa do acidente:
— Neste estado da investigação, não há qualquer relação entre o acidente do avião da Air France e qualquer debilidade de navegação do aparelho.
Essa reação, a primeira de um diretor da Airbus, está alinhada com a do Escritório de Investigações e Análises (BEA, em francês),
responsável pela investigação, e pela Air France,
companhia aérea proprietária do avião.
Enquanto o BEA reiterou que "não há qualquer relação estabelecida entre os sensores e as causas do acidente", o diretor-executivo da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, disse não estar convencido de que essa falha tenha provocado a catástrofe.
Brégier reconheceu que o avião registrou "incoerências na velocidade medida", mas indicou que "resta agora definir o motivo".
O diretor da Airbus disse que as falhas estão previstas nos manuais de voo dos aviões e precisou que "os aviões estão certificados para estas circunstâncias".
— Por isso, lembramos às companhias aéreas os procedimentos a serem aplicados se estes incidentes aparecerem. Repito, o problema dos sensores não pressagia as causas reais do acidente — disse.
Lembrou que, atualmente, há 600 aviões A330 similares ao acidentado no Atlântico que somam 13 milhões de horas de voo, e que o do AF447 foi "o primeiro acidente
mortal" deste tipo de aparelhos em operação.
Brégier
disse que, caso a investigação mostre a implicação dos dispositivos de velocidade, tomarão "as medidas necessárias". Quanto à decisão de algumas companhias de trocá-los, disse que é uma decisão tomada de forma voluntária "sob a pressão dos pilotos ou da opinião pública".
O diretor-geral da Airbus indicou que a Airbus está colaborando com a (BEA) para tentar definir a causa do acidente e destacou que "a descoberta das caixas-pretas permitirá esclarecer o que aconteceu com o voo da Air France". Caso não sejam encontradas, Brégier disse que "será preciso estudar o que se tiver, os destroços do aparelho darão informação".
Conheça o submarino francês que vai fazer buscas pela caixa-preta do A330:
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