Trânsito | 05/01/2012 11h21min
Um copo de água com açúcar para diminuir o nervosismo e, antes de abrir a porta, uma palavra de incentivo do marido. A quarta-feira seria um dia de desafio para a aposentada Aide Costa da Cruz, 65 anos. Ela tinha contas para pagar, mas não era essa a angústia que lhe apertava o peito. Era a primeira vez que Aide atravessaria a SC-405 após a inauguração, em dezembro, da terceira faixa na rodovia que leva ao Sul da Ilha.
Ela encheu-se de coragem e lançou-se à aventura. A velocidade dos carros formava rajadas de vento. Alguns buzinavam. Ela se encolhia.
Terceira pista alongou distância
Na hora de atravessar, um susto: nervosa, Aide esqueceu que havia a terceira faixa. Ficou parada no meio da via, correndo o risco de ser atropelada, enquanto esperava uma brecha.
— Eu moro aqui há 30 anos e não era desse jeito. Agora tô morta de medo — desabafa.
O assombro de Aide com o risco iminente para pedestres é compartilhado entre os moradores da região. Para entender o motivo, basta caminhar por lá. Foi o que fez a equipe da Hora durante 60 minutos, ontem, enquanto conversava com a comunidade.
Só motor tem vez
Para atravessar a rodovia na faixa de pedestres, tivemos que correr, pois poucos veículos paravam. Os motoristas buzinavam, impacientes, e as motos sequer diminuíam a velocidade. Duas pessoas escaparam por centímetros de serem atropeladas, e um carro que parou para um pedestre atravessar na faixa levou uma batida na traseira. 
Na pista fixa em sentido bairro-Centro, praticamente não há acostamento. Foi onde encontramos o administrador Cláudio Schramm Schenkel, 53, voltando do trabalho em sua bicicleta. Ele mora no Campeche e tem um escritório no Centro. Pedala 30 km todos os dias.
— Eu tenho experiência, sou cuidadoso e minha bike é equipada. Mas não recomendo que uma pessoa sem prática ande de bicicleta aqui — alerta.
Depois do Verão
Mobilizada, a população do Rio Tavares conquistou com protestos uma vitória junto ao poder público. O governo do Estado anunciou ontem que vai construir calçadas e ciclovias na extensão da SC-405 contemplada pela terceira pista. De acordo com a Secretaria de Infraestrutura, as obras devem iniciar após o fim da temporada de Verão.
O secretário adjunto de Infraestrutura no Estado, Paulo França, reuniu-se ontem com lideranças comunitárias e representantes de movimentos de ciclistas da Capital para discutir um modelo de projeto a ser implantado.
E durante as aulas?
Ainda faltam semanas para começar o período escolar, mas as famílias com filhos já estão aflitas com a possibilidade de ter crianças circulando em meio ao fluxo intenso do trânsito.
— Como as crianças vão fazer para atravessar? Não dá para deixar. É muito perigoso — preocupa-se o pedreiro Valdemir do Prado, que tem um filho de dois anos e outro de sete.
Ele faz questão de levar pessoalmente o menino mais velho para a escola, deixando o corpo entre o filho e os carros, para protegê-lo no trajeto.
Sinalização
Os cinco semáforos que vão indicar o sentido da terceira pista da SC-405 devem começar a funcionar hoje, a partir das 9h. A Polícia Militar Rodoviária será responsável pelo acionamento manual dos equipamentos.
Retorno
O presidente do Conselho Comunitário do Rio Tavares, Cedenir Silva, aponta a falta de locais para que os veículos passem de uma pista a outra, o que é possível só no Elevado da Seta ou no Campeche.
Engraçado, acredito que aquela área ali onde foi construida todas estas casas e comercio seria de preservação permanente, pois ali é uma área de mangue. Então, as pessoas se ocupam dessa área, o governo precisa indenizar algo que é ilegal, a cidade evolui e toda essa ilegalidade prejudica os muitos cidadãos que querem ir par as suas casas em situação regulares e legais. A senhora que foi atravessar e viu que tinha 3 pistas no meio do caminho? A me polpe né? Inteligencia é necessária para a sobrevivência de qualquer ser vivo nesse planeta.
Passo por lá, de carro, todos os dias. A velocidade deve ser estabelecida em 40KM/h! Radar já, juntos às sinaleiras! Os pontos de travessia de estudantes devem ser mapeados e demarcados e devem ter sinalizadores acionados pelos pedestres. Quebra-molas é uma necessidade. Um semáforo no Rio Tavares ajudaria. De resto, abram a base aérea para o povo do Ribeirão!!!
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