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O humorista Renato Aragão, 73 anos, será homenageado no 36º Festival de Cinema de Gramado em reconhecimento por suas 47 participações em longa-metragens em quase 50 anos de atuação no cinema. O ator, diretor e produtor Antonio Renato Aragão, mais conhecido como Didi Mocó, é natural de Sobral, no Ceará. Sua estréia na sétima arte ocorreu em 1965, no filme Na Onda do Iê-Iê-Iê, primeiro da extensa filmografia dos Trapalhões, grupo humorístico que o tornou célebre.
No Ceará, ele chegou a formar-se em Direito e foi segundo tenente do Exército. Renato começou a trabalhar na televisão no início dos anos 1960 e desde então não parou mais, sendo considerado hoje um dos mais bem sucedidos humoristas do Brasil.
O eterno Didi já recebeu inúmeros prêmios e condecorações ao longo da carreira. O cinema também já lhe rendeu diversos prêmios, alguns até internacionais, como por Os Vagabundos Trapalhões e O Cangaceiro Trapalhão, no Festival Internacional de Cinema para a Infância e Juventude, em 1984, em Portugal. Atualmente, Renato protagoniza um programa dominical na TV Globo e é embaixador da Unicef no Brasil.
O ator, produtor e diretor Walmor Chagas, 77 anos, receberá durante a 36ª edição do Festival de Cinema de Gramado o Troféu Oscarito, homenagem pelo conjunto de sua obra. Gaúcho de Porto Alegre, Walmor de Souza Chagas estreou no cinema em 1965 ao lado de Eva Wilma. Por São Paulo S/A, filme de Luís Sérgio Person, o ator recebeu elogios do espanhol Luis Buñuel durante uma participação no Festival de Acapulco. Veio daí a motivação para seguir a carreira artística.
Formado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, acumula cinco décadas de trabalho em televisão, cinema e teatro. Como ator, atuou em 21 filmes, com destaque para a participação nos longas brasileiros Xica da Silva, dirigido em 1976 por Cacá Diegues, Beto Rockefeller (1970) e Asa Branca (1971). Walmor trabalhou ainda no recente Valsa para Bruno Stein, filme de Paulo Nascimento em cartaz durante o ano passado.
Na televisão, atuou em dezenas de telenovelas e minisséries desde a década de 60, entre elas Selva de Pedra, Mandala e Os Maias. Recentemente, atuou em Páginas da Vida (2006) e atualmente faz uma participação especial como Doutor Salvatore em A Favorita. É fundador do Teatro Cacilda Becker (1958) no Rio de Janeiro, em homenagem à esposa, e proprietário do Teatro Ziembinski. Seu nome batiza um Centro de Artes Cênicas no Vale do Paraíba, onde reside atualmente.
O cineasta cubano Julio García Espinosa receberá, durante o 36ª edição do Festival de Cinema de Gramado, o Kikito de Cristal, prêmio recente concedido apenas ao documentarista brasileiro Eduardo Coutinho. Garcia Espinosa, que nasceu em Havana no dia 5 de setembro de 1926, iniciou, ainda jovem, sua carreira artística no teatro, como ator e diretor, passando pelo rádio, e, depois, pelo audiovisual. O cineasta conta com forte influência das estéticas cinematográficas de ruptura européias - estudou, inclusive, no Centro Experimental de Cinema de Roma.
Autor - junto a outros cineastas - de El Mégano, reconhecido como o precursor do novo cinema cubano, Garcia Espinosa foi, durante a Revolução Cubana, chefe da seção de Arte e Cultura do exército Rebelde, na qual criou os primeiros documentários sobre o tema. É considerado um dos mais importantes cineastas do país, sendo um de seus filmes, Aventuras de Juanquinquín, a maior bilheteria de Cuba.
Como todo grande cineasta, suas atividades não se limitam à concepção dos produtos, mas, também, à análise crítica do meio. Como teórico de cinema, García Espinosa se destaca com Por un Cine Imperfecto, conhecido e polêmico ensaio no qual propõe sua visão provocativa às linguagens padronizadas de certos filmes. A obra é considerada um dos maiores manifestos estilísticos sobre o chamado Novo Cinema Latino-americano. García Espinosa é tido como um cineasta completo, que compõe e pensa o cinema de forma crítica e inovadora, um diferencial na sétima arte.
O cineasta brasileiro Júlio Eduardo Bressane de Azevedo teve o primeiro contato com o cinema quando trabalhou como assistente de direção de Walter Lima Júnior, em 1965. O carioca dirigiu seu primeiro filme, Cara a Cara, dois anos mais tarde, sendo selecionado para o Festival de Brasília. Como não tinha dinheiro para grandes produções, decidiu usar sua própria casa como cenário de algumas de suas obras.
Em 1970, juntamente com o também cineasta Rogério Sganzerla, fundou a Belair Filmes. Sua idéia era dirigir filmes com baixo custo e pouca produção, projeto aplicado em seis longas filmados em um semestre. Logo após criar a produtora, Bressane sofreu com a ditadura militar e ficou exilado em Londres, mas retornou ao Brasil e voltou a trabalhar como diretor, tendo a chanchada e o deboche como características de suas produções. Um de seus filmes mais conhecidos é Matou a Família e Foi ao Cinema. Já Filme de Amor, que usa a pornografia para falar do sentimento, desejo e prazer, foi seu trabalho mais caro.
Hoje, aos 62 anos, acumula 26 filmes no currículo, além de ter escrito três livros sobre o assunto. Sua última produção, Cleópatra, ganhou o prêmio de melhor filme do 40º Festival de Brasília e foi apresentado no Festival de Cinema de Veneza em 2007.
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