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Educação | 01/12/2009 18h33min
De olho na universidade, pelo menos 150 alunos da Escola de Educação Básica Henrique Fontes, em Tubarão, no Sul do Estado, "abraçaram" o projeto Quem não lê, não aprende.
Aos poucos, eles vão se interessando pelo universo de informações que estão nos livros, revistas, gibis e páginas de internet para chegar mais afiado ao ensino superior.
O Quem não lê, não aprende surgiu em 1999 no curso de Administração da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). Na época, o professor Nerio Amboni lamentou que a maioria dos trabalhos eram ricos em termos técnicos, mas sem uma boa redação. Em reunião com outros professores, decidiu lançar algum projeto porque, diz ele, "quem não lê, não aprende".
— E assim fi cou batizado o projeto, que até 2006 era limitado à universidade, depois se tornou extensão e a partir daí foi para as escolas incentivar a leitura dos alunos — diz uma das idealizadoras da atividade, Marilene da Rosa Lapolli, professora de Filosofia e
Ética e Epistemologia.
Na
prática, o projeto envolve um parceiro, geralmente uma empresa, que "adota" um grupo de alunos e o presenteia com um livro de um autor local. Foi assim que 150 estudantes do segundo ano do ensino médio da Henrique Fontes começaram a ler a ficção Navio Fantasma, de autoria do escritor tubaronense Alexandre Bitencourt. A obra que envolve História, Língua Portuguesa e Filosofia ganhou a atenção da estudante Priscila Alves, 15 anos.
— A história é bem legal. O projeto é muito interessante, pois o hábito da leitura ajudará muito no nosso futuro — diz a garota, que pretende cursar Direito na universidade.
O projeto já foi realizado na escola em 2008 e aos poucos começa a dar resultados. Ele incentiva os 150 alunos selecionados e os colegas deles a se interessar por revistas e livros.
— Nunca fui muito fã da leitura, mas adoro histórias em quadrinhos e agora estou gostando do Navio Fantasma — conta Luan Mendes, 16.
Projeto descobre pequenos escritores
Em
2007, o Quem não lê saiu da universidade para as escolas e a primeira experiência ocorreu em Içara, no Sul do Estado.
Uma indústria química local se tornou parceira do projeto e disponibilizou livros de vários gêneros para os estudantes, que no fim do ano estavam tão afinados com as obras e suas histórias que até lançaram um concurso literário.
Agora, a experiência será repetida em Tubarão. Uma papelaria, onde trabalham pais de alunos da Escola Henrique Fontes e até mesmo alguns estudantes, se tornou parceira do movimento, que deve resultar em uma publicação em alguns meses. A data exata não foi definida.
— O título é Quem não lê, não escreve — Inovação com Responsabilidade Social. É um relatório, quase um resumo, de toda a realização do projeto nos últimos três anos — ressalta a professora Marilene da Rosa Lapolli.
Como leitura puxa leitura, outros alunos também aderiram ao movimento, considerado um sucesso na região. Empolgado
com o projeto, o professor Marcílio Alano
também organizou atividades com literatura para descobrir pequenos escritores em uma turma da oitava série.
Alunos da Escola de Educação Básica Henrique Fontes participam do Quem não lê não aprende
Foto:
Dc na sala de aula
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