Na comunidade da Coloninha, no bairro Estreito, na Capital, um grupo de crianças se encontrava para fazer música. Uma lata de tinta com um pedaço de plástico amarrado em vez do fundo de alumínio servia para os primeiros batuques. De olho nos garotos, Rodolfo Silva comentou com eles:
— Querem uma escola de samba? Nós vamos fazer uma para vocês.
Promessa feita, promessa cumprida. Um ano mais tarde, em 1962, estava nas ruas a Unidos da Coloninha mirim, onde só desfilavam crianças e adolescentes de até 14 anos. Rodolfo, o primeiro presidente da agremiação, ia de casa em casa pedir aos pais que seus filhos caíssem na folia. Uma delas foi a do menino Wilson. Permissão concedida, ele estreou como chefe da ala de frente e foi mestre-sala no ano seguinte. Hoje, Wilson Rodrigues da Costa é Sabará e é intérprete da escola há 12 anos.
Foram três carnavais como escola-mirim e mais 20 anos de espera até a Coloninha crescer e entrar de vez na disputa oficial pelo título. A primeira conquista veio em 1984, com o enredo "Feitos e efeitos da cana-de-açúcar". Na época, a matéria-prima usada na confecção das fantasias era bem diferente.
— Eram feitas de papel, de pena. Quando chovia, era um problema e perdíamos o Carnaval — lembra Sabará.
Hoje a escola trabalha com materiais alternativos, que têm aparência semelhante mas são resistentes à água.
Se as fantasias mudaram, não se pode dizer o mesmo da paixão da comunidade pela escola. Segundo o atual presidente, Laerte Matos, alas como bateria, baianas e infantil são formadas por quem mora na Coloninha. E o envolvimento vai além dos dias de Carnaval. Na sede da agremiação, crianças aprendem bateria e capoeira.
Compositores: Juninho Zuação, André Cunha e Diego Nicolau
O índio foi quem extraiu
No troca-troca a madeira pau-brasil
E a coroa portuguesa levou nossa riqueza
Para Europa conquistar
A cana-de-açúcar que fez o país prosperar
Escravos trabalhavam sol a sol
Trazidos de além-mar Cidades mineiras a se revelar
Um mundo dourado a brilhar
Que mulher não sonhou ter diamantes
Mas Chica da Silva se fez deslumbrante
A borracha e o café quem é que não quer?
Tesouros dessa terra fascinante
Da crise à evolução Indústrias fortalecem a brava nação
O petróleo, ferro e aço, uniram o país num forte laço
E o período JK fez o povo sonhar, resplandecer... Brasil
Em cada rosto uma expressão
Em cada gesto a emoção
A esperança no olhar Templos de consumo, globalização
Um novo mundo pra ganhar seu coração
Quero tanto dizer como eu amo você
Minha Majestade és tu Coloninha!
Se Caminha escreveu
Esse chão tem riqueza, esse solo é meu!
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