Vida Profissional | 27/10/2008 13h41min
A difusão e o uso de tecnologias como notebooks e smartphones abre espaço para um novo perfil de atividade profissional, o mobile office. A casa já não é o principal reduto desse trabalhador, que cumpre tarefas onde quer que esteja.
A evolução do home office, no entanto, traz consigo uma brecha que tem permitido ações trabalhistas justamente por conta da dedicação em tempo integral. Muitas empresas estão elaborando contratos com cláusulas que, em tese, serviriam para evitar ou minimizar prejuízos. É preciso que o contrato informe detalhadamente questões como horas-extras ou jornada estendida:
– Se não disser nada, fica sujeito ao que o juiz entender do caso. As empresas que não arrumarem a casa correm riscos, com o problema de não saber nem qual é o tamanho da
conta. Não formalizar é o mesmo que não ter controle e não
saber o risco – afirma Patricia Peck Pinheiro, advogada especialista em Direito Digital e autora do livro Direito Digital.
– Há decisões na justiça favoráveis a funcionários que receberam e responderam e-mails de madrugada, em que ficou configurada jornada estendida – complementa.
Outro ponto preocupante, segundo Patricia, diz respeito à segurança da informação. A facilidade de transportar uma grande quantidade de dados em notebooks, smartphones – celulares com funções de computadores – e até mesmo em pen drives causa uma exposição que pode trazer danos à empresa, considerando furtos, roubos e até mesmo o extravio do equipamento.
A atividade, presente tanto no setor público quanto no privado, não está especificada na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), principal norma legislativa do trabalho no país. A CLT não distingue se a função é exercida na empresa ou na casa do trabalhador. Só estabelece a existência do vínculo.
Uma
maneira de controlar o trabalho fora da base é
com uso de tecnologias de assinatura eletrônica, que gera relatórios com as atividades realizadas pelo funcionário, bem como o tempo gasto, explica Gilberto Stürmer, professor de Direito do Trabalho da Pontifícia Universidade Católica do Estado (PUCRS).
– Talvez daqui a cinco, 10 anos, o número de empregados em domicílio seja muito maior – afirma Stürmer.
| Para o trabalhador |
| Fonte: Vanessa Manfredini, psicóloga e professora da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) |
| VANTAGENS |
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| > Deixa de perder tempo no deslocamento de casa até o trabalho > O ambiente doméstico em geral é menos estressante > Com planejamento, é possível ser mais produtivo e eficiente |
| DESVANTAGENS |
| > Perda do contato com a estrutura de uma empresa formal > Redução do espírito de coletividade, sem troca de experiências com colegas |
| O QUE NÃO PODE FALTAR NUM HOME OFFICE |
| > Metas e prazos para cumprir tarefas > Adaptar as horas de trabalho à vida doméstica, sem prejuízos para ambos os compromissos |
| Para as empresas |
| Adotar um home office pode representar economia para a empresa, que reduz gastos com aluguel, e mais conforto ao trabalhador. Mas, por falta de normatização, abrem-se brechas para ações trabalhistas. A advogada especialista em direito digital Patricia Peck Pinheiro dá dicas para prevenir riscos: |
|---|
| > A empresa deve ter políticas claras sobre uso de home office. É recomendável a assinatura de um termo de responsabilidade, detalhando como será a relação > Nesse documento, deve ficar descrito que o ambiente está sujeito a monitoramento e inspeção > A relação precisa ser bem normatizada, já que se cria uma situação em que o funcionário, em tese, permanece 24 horas online, o que gera riscos legais e de incidentes de vazamento de informação confidencial > Esse novo modelo de trabalho, se gerenciado de forma inadequada, gera riscos para a empresa (especialmente de segurança da informação) e riscos para a saúde do funcionário (que não consegue se desconectar) > É necessário revisar o Código de Conduta do Colaborador e criar o Código de Conduta do Terceirizado pois, além da mobilidade, cresce o uso de mão-de-obra terceirizada |
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