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Comportamento  |  17/06/2008 11h37min

Michelle Obama, o Camelot Bronzeado

Carismática, ela pode se tornar a mais jovem primeira-dama dos EUA desde Jacqueline Kennedy

Uma semana após o assassinato de John Kennedy, a viúva Jacqueline deu uma entrevista para a revista Life em que discorria sobre a presidência do marido. "Existirão outros grandes presidentes", vislumbrou a primeira-dama – para concluir com a ressalva: "Mas jamais haverá outro Camelot".

Até algum tempo atrás, o termo Camelot vinha sendo associado exclusivamente à Era Kennedy. Foi quando Robin Givhan, editor de moda do jornal Washington Post, dedicou-se a descrever o estilo de Michelle Obama como "Camelot with a tan" (Camelot bronzeado). Ela adorou. Desde que Barack Obama derrotou Hillary Clinton na corrida pela candidatura dos democratas, Michelle Obama vem sendo apontada como a sucessora do estilo de Jackie Kennedy. Parece até que Carla Bruni, outra candidata em potencial, jamais existiu.

– Vários detalhes têm contribuído para que a senhora Obama lembre o estilo da mais famosa primeira-dama – escreveu Robin Givhan. – As pérolas, os vestidos de corte reto, o cabelo com as pontas estrategicamente escovadas. Todos itens tirados do guarda-roupa sessentista de Jacqueline.

Michelle tem 44 anos, 1m82cm de altura e os olhos do mundo sobre ela. Com chances em potencial de se tornar a mulher do homem mais poderoso do mundo, vive uma brusca mudança na rotina – uma rotina até então tranqüila, da qual nunca se queixou. Há um ano, sua vida se resumia ao trabalho de vice-presidente dos hospitais da Universidade de Chicago, enquanto esperava o marido, então senador pelo estado de Illinois, voltar para casa após uma semana de trabalho em Washington. O sábado e o domingo do casal eram em família, ao lado das filhas Malia, de 9 anos, e Sasha, de 6.

– Nada melhor para virar a nossa vida do avesso do que uma campanha eleitoral para a Presidência dos Estados Unidos – lembra ela com ironia.

Michelle sempre soube das conseqüências desta decisão. Refletiu muito ao lado do marido. Sabia, sobretudo, da revolução que causaria também na vida das filhas.

Até o temor de ver Obama assassinado passou pela sua cabeça. A família vive protegida por agentes do serviço secreto. Está constantemente acompanhada de um guarda-costas que jamais se afasta mais do que 50 metros.

– O que me fez aceitar a decisão de Obama foi o fato de não suportar mais viver com medo – contou ela à revista Elle. – Estou cansada de viver em um país onde todas as decisões tomadas nos últimos anos foram motivadas pelo medo. Medo dos que têm um aspecto diferente do nosso, medo dos que pensam de maneira diferente da nossa, medo uns dos outros. Não quero que minhas filhas cresçam num país e num mundo assim.

Michelle Obama é uma oradora quase tão dotada quanto o marido. Uma negociadora em potencial. Só aceitou o desafio da presidência sob a condição de que Barack Obama parasse de fumar e de que, pelo menos uma vez por semana, em meio aos comícios pelo país, tivesse tempo para ver as filhas. Ela diz querer evitar que o marido se torne um homem vaidoso e faz questão de insistir com os eleitores que "Obama não é o Messias que vai solucionar os problemas da América".

Filha de uma família modesta de South Side, bairro negro de Chicago, Michelle sempre foi muito competitiva. Quando o irmão mais velho foi admitido na universidade Princeton, ela logo pensou: "E por que não eu que sou mais inteligente?". Tem horror à derrota. Sua família não se recorda de tê-la visto chorar uma única vez. Na universidade, sempre se recusou a participar de esportes coletivos. Ficava doente se não fosse a vencedora.

Diplomada em Direito em Harvard, logo garantiu emprego em um escritório de advocacia. Um belo dia, a diretoria a encarregou de ensinar a rotina de trabalho ao novo estagiário. Era Barack Obama. Ele não tardou em convidá-la para sair. Ela pouco resistiu – e uma noite Obama a levou ao cinema para assistir a um filme de Spike Lee. Quatro anos depois, o casamento se consumava.

Amigos mais chegados costumam definir Michelle como a âncora do marido, a mulher que faz com que ele mantenha os pés bem firmes no chão. Ele reconhece a força da mulher. Em recente aparição pública, fez questão de anunciar:

– Quero que todos conheçam o amor da minha vida e o alicerce da família Obama.

À revista Time, Michelle afirmou:

– Conversamos sobre tudo, mas eu não sou conselheira política de Obama. Sou a mulher dele.

É dona de senso de humor e crítica ácida. Durante a campanha pela candidatura de Obama contra Hillary Clintou, viu-se obrigada a controlar a espontaneidade depois de declarações como "Obama ronca e tem mau hálito quando acorda de manhã" e "ele é incapaz de colocar suas meias no cesto de roupa suja". Alguns analistas políticos a definem como "castradora". Ela responde com a ironia que lhe é peculiar:

– Falo de forma direta e sem rodeios. Meu marido é extremamente capaz de lidar com a mulher forte que eu sou. Aliás, esta é a razão pela qual ele é capaz de ser presidente.

ZH/DONNA
Erik S. Lesser, EFE / 

Michelle e o marido Barack Obama, candidato democrata à presidência dos EUA
Foto:  Erik S. Lesser, EFE


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