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Saúde  |  21/11/2008 09h32min

Estudo mostra como latinas vêem depressão

Quase metade das entrevistadas considera a doença um problema de pessoas frágeis

Alterações no apetite e a perda do desejo sexual podem ser os principais indicativos da depressão em mulheres, aponta pesquisa feita com 1.100 mulheres no Brasil, Chile, México, Colômbia e Venezuela. A depressão atinge duas vezes mais homens que mulheres, e 90% das que já apresentaram o distúrbio garantem que as crises depressivas tiveram um impacto direto na qualidade da vida familiar, profissional e social.

De acordo com a pesquisa, 96% das mulheres avaliadas disseram que a depressão provoca alterações significativas no apetite e 87% dizem que a depressão na mulher diminui o desejo sexual. Os dados fazem parte do estudo DELA (Depresíon en Latinoamérica), divulgado nesta quinta-feira no XXV Congresso da Associação Latino-Americana de Psiquiatria (APAL), na Venezuela.

– Para as mulheres, essa percepção é particularmente importante. Sabemos da importância que elas dão a boa forma e como esses fatores poderão afetar diretamente na adesão ao tratamento. Elas têm duas vezes mais depressão do que os homens e precisam conhecer mais sobre a doença – explica psiquiatra Edgard Belfort, presidente do comitê organizador do congresso. Mais de 90% das mulheres também acreditam que a depressão tem um grande impacto funcional, afetando diretamente sua vida familiar, profissional e social.

Segundo o levantamento, as mulheres latino-americanas sabem como identificar a depressão, afirmam procurar o médico quando não se sentem bem, mas também afirmam que o efeito colateral dos medicamentos, principalmente o ganho de peso causado por certos antidepressivos, desestimula a continuidade do tratamento.

Do total de mulheres entrevistadas nos cinco países, 45% delas ainda acreditam que a depressão é uma doença de pessoas frágeis, o que revela o preconceito que ainda cerca o problema. 

– O resultado mostra uma mudança importante no comportamento feminino, mas também revela que ainda há muito desconhecimento em torno da doença – explica Belfort. Os sintomas emocionais, como tristeza, irritabilidade e sensação de isolamento, ainda são os mais relatados na hora de definir a depressão por 66% das entrevistadas.

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