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Saúde  |  09/05/2008 10h10min

Endometriose é preocupação de uma em cada dez mulheres

Dor pélvica e infertilidade são os principais sintomas da doença

Embora o nome pareça assustador e muitas pessoas nunca tenham ouvido falar sobre ela, a endometriose é uma das doenças ginecológicas mais comuns. Estima-se que ela afete uma a cada 10 mulheres em idade reprodutiva.

Doença inflamatória, ela ocorre quando uma camada de tecido semelhante àquele que reveste o interior do útero (endométrio) se apresenta fora dele ou em outros órgãos da pelve, como trompas, ovários, bexiga, intestino e cicatrizes cirúrgicas. A doença pode levar a um quadro de dor pélvica, dificultando e, às vezes, impedindo a mulher de exercer atividades físicas e profissionais. Quando localizada no fundo da vagina ou sobre os ligamentos útero-sacros, a endometriose pode ocasionar muita dor durante a atividade sexual.

O aumento na incidência da endometriose nos últimos anos pode ser atribuído a dois fatores. Primeiro, a mudança do perfil reprodutivo da mulher, com um maior número de ciclos menstruais durante a vida reprodutiva. Isso ocorre devido a menarca (início do ciclo menstrual) precoce, menopausa ou gravidez tardias e diminuição do número de gestações.

Em segundo lugar, o maior número de casos ocorre devido ao aprimoramento no diagnóstico, ao desenvolvimento de pesquisas específicas e ao maior conhecimento da doença, além do avanço trazido pela videolaparoscopia, exame imprescindível para a detecção precisa da endometriose.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira da Endoscopia Ginecológica e Endometriose (Sobenge), Paulo Roberto Cará, o problema é classificado em vários graus. Nos casos mais avançados, a dor é maior e ocorre a impossibilidade de gerar filhos e um futuro retorno da doença.

– A endometriose é semelhante a um câncer em sua forma de se disseminar, apesar de não ter a mesma malignidade. Algumas mulheres chegam a ficar de sete a 15 dias em casa em conseqüência da dor – afirma Cará.

O tratamento pode ser cirúrgico ou clínico e leva em consideração a idade da mulher, o desejo de engravidar, a severidade dos sintomas, o estágio da doença e a resposta a tratamentos anteriores. Além disso, deve contar com medidas complementares como estímulo à atividade física, mudança de hábitos alimentares e apoio psicológico.

Joseani e sua família optaram pela qualidade de vida

A psicóloga caxiense Joseani Fochesato de Souza, 36 anos, descobriu a endometriose quando tentou engravidar pela segunda vez, em 2005. Mãe de Heloísa, seis anos, ela desconfiou que as dores e a demora na vinda do futuro bebê, mesmo após parar de tomar o anticoncepcional, eram indicativos de que algo não estava bem. Joseani fez uma videolaparoscopia e cauterizou os focos da doença. Quando a dor piorou, ela decidiu procurar um especialista para investigar o problema.

– Pouco tempo depois que a Heloísa nasceu, voltaram as dores. Às vezes, as mulheres não dão importância para dores ou cólicas, mas é importante investigar – afirma Joseani.

Depois de três anos de sofrimento, no ano passado Joseani passou por um novo procedimento cirúrgico, quando ficou por vários dias internada e precisou remover parte da bexiga, que foi acometida pela doença. No início deste ano, Joseani e o marido, Everson Salib de Souza, 36, chegaram a pensar em ter mais um filho, mas desistiram para evitar o risco de a doença retornar. No início de abril, Joseani colocou um dispositivo intra Uterino (DIU) combinado com hormônios, não precisa mais de medicação e está livre das dores.

– Depois de passar por tanto sofrimento, concluímos que, como já temos uma filha, agora queremos qualidade de vida – completou Souza.

Fatores de risco
– A incidência é maior em mulheres japonesas do que em brancas, e maior em brancas do que em negras

– É mais comum entre mulheres de nível socioeconômico mais elevado

– As mulheres dependentes ou que fazem uso abusivo de álcool têm mais chance de ter a doença

– Fatores hereditários indicam que existe cerca de 7% mais mulheres com endometriose em parentes de 1º grau contra 1% de não-parentes

– Existe uma evidência forte de que a endometriose seja dependente dos hormônios esteróides, onde a doença não é relatada em meninas que não menstruaram e raramente ocorre em mulheres que fazem terapia de reposição hormonal

– As taxas de endometriose são maiores nas mulheres com histórico de menstruação dolorosa e maior fluxo sangüíneo, porém diminuem quando as mulheres fazem uso de pílula anticoncepcional oral ou utilizam DIU no momento

– Mulheres com maior gordura periférica, devido a altas taxas de estrogênio, têm incidência maior de endometriose quando comparadas com aquelas com gordura centralizada

– Entre as fumantes, a incidência de endometriose é menor, provavelmente devido ao hipoestrogenismo
O Pioneiro
Exames
Além da videolaparoscopia, podem ser feitos exames como tomografias, ressonâncias e ecografias transvaginais para detectar a endometriose. Conforme o médico Paulo Roberto Cará, embora não seja específico para detecção da doença, o exame de sangue CA125, quando realizado até o 3º dia do ciclo, também pode rastreá-la.
Roni Rigon, O Pioneiro  / 

Joseane abriu mão da segunda gravidez para evitar novas crises
Foto:  Roni Rigon, O Pioneiro


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