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Saúde  |  07/07/2008 13h38min

Depressão pós-parto: quando a maternidade não traz felicidade

Doença atinge de 10% a 15% das mães logo após o nascimento dos filhos

Mais uma morte brutal comoveu o país. Mariana, oito meses, foi jogada pela mãe, Tatiane Damiani, 41 anos, do sexto andar do prédio onde ambas moravam, no centro de Curitiba (PR). Gaúcha de Colorado, no norte do Estado, a auxiliar de enfermagem confessou o crime e foi presa na mesma noite, quando aparentava estar desorientada.

– Eu precisava me livrar do pacote. Eu faria de novo. Não me arrependo – disse a mãe.

Segundo familiares, Tatiane tomava medicamentos para depressão há 13 anos, e o problema pode ter se potencializado após o nascimento da filha. Em até 30 dias, o Instituto Médico Legal da capital paranaense deve concluir os laudos que apontarão se a mãe sofre de distúrbios mentais e se estava sob o efeito de medicamentos naquela noite. Especialistas consideram a hipótese de um quadro extremo de depressão pós-parto, doença que acomete de 10% a 15% das mães logo após o nascimento dos filhos.

Confira, abaixo, mais informações sobre o tema:

ZH/MEU FILHO
Fonte: Lourdes Maraschin Haggsträm, psiquiatra
Causas
Há diversos fatores envolvidos - psicossociais, biológicos e até ambientais. Pacientes com quadros anteriores de depressão ou familiares (pais, irmãos, tios, avós) com esses antecedentes estão mais propensas a sofrer de depressão pós-parto. Durante a gravidez e depois do nascimento do bebê, a mulher sofre uma série de alterações hormonais, que podem desencadear transtornos de humor.
Sintomas
Mau humor, irritação, choro e tensão podem indicar que a mãe está enfrentando a chamada disforia do pós-parto, que acomete cerca de 85% das mulheres e desaparece em 10 ou 12 dias. Quando os sintomas persistem e se intensificam, é preciso observá-la com mais cuidado – pode, então, se tratar de depressão pós-parto.
O quadro depressivo costuma ser de moderado a grave, iniciando lentamente a partir da segunda ou da terceira semana após o nascimento.
Mães que já sofreram com esse problema em gestações anteriores têm 50% de chances de voltar a combatê-lo.
A paciente sente um sofrimento intenso, desânimo e total ausência de prazer nas atividades relacionadas ao bebê – e em todas as demais.
A maioria apresenta diminuição do apetite, e um pequeno número, aumento.
Transtornos do sono, perda de energia, fadiga ou cansaço são comuns.
A mãe se acha incapaz de cuidar do filho. Como está deprimida, realmente não consegue. Desenvolve sentimentos de inutilidade e culpa excessiva.
Tem pensamentos negativos, de desvalia e até mesmo de morte.
Gravidez desejada X depressão pós-parto
O problema pode afetar qualquer mulher, de todas as classes sociais, que vivem em famílias felizes ou que sofrem com casamentos desfeitos, por exemplo. O importante é que seja diagnosticado o quanto antes, e para isso torna-se fundamental a observação, a iniciativa e os cuidados dos familiares para procurar a ajuda de um profissional frente a sinais que indicam que algo não vai bem. Pediatras e obstetras também têm detectado casos de depressão pós-parto e encaminhado pacientes para tratamento especializado.
Riscos à criança
A mãe deprimida não consegue cuidar do bebê, mas não é uma ameaça à vida dele.
Psicose puerperal
Os casos de psicose puerperal, esses sim, representam uma séria ameaça à criança e também à mãe, que pode matar o filho e cometer suicídio. A mulher pode ter delírios e passar a acreditar, por exemplo, que o bebê tem uma doença incurável, malformações e anomalias, além de pensamentos fantasiosos, o que provoca a vontade de se livrar dele. As ocorrências são raras, atingindo 0,1% das mulheres.
Transtorno obsessivo-compulsivo
Algumas pacientes desenvolvem uma espécie de transtorno obsessivo-compulsivo durante a gravidez ou logo após o parto, que não está associado a depressão. São idéias repetitivas e invasivas – por exemplo, o pensamento constante de que podem deixar o filho cair no chão, ou mesmo atirá-lo. Como amam o bebê e não querem lhe causar mal, se afastam, com medo dessas possibilidades. A incidência é menor do que a da depressão pós-parto e também exige tratamento com terapia e medicamentos.
Tratamento
Com terapia e medicação (específica para esses casos, que não impede a mãe de continuar amamentando), além de orientação aos familiares. Se a paciente engravidar outra vez, um tratamento preventivo deve ser iniciado por volta do quinto ou do sexto mês de gestação. Caso contrário, indica-se a administração de antidepressivos logo após o parto.
Divulgação / 

Depressão acomete de 10% a 15% das mães logo após o nascimento dos filhos
Foto:  Divulgação


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