Casa e Família | 22/07/2008 18h49min
O acidente envolvendo um caminhão e um ônibus, ocorrido na madrugada desta terça-feira no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, desperta um sentimento comum entre familiares e amigos: o sofrimento da perda. Mas como lidar com o luto em um momento assim?
O primeiro impacto da perda é o período que os psicólogos chamam de enfrentamento da realidade. A coordenadora do Centro de Estudos da Família e do Indivíduo Adriana Zilberman sugere que os parentes e amigos das vítimas "coloquem para fora" os sentimentos:
– A sociedade tenta abafar a expressão da emoção das pessoas. Justamente nesse momento, é muito importante que os familiares possam mostrar - seja da forma que for - a sua dor, o seu sofrimento. Só vai cair a ficha um pouco mais adiante, por isso agora é hora de buscar
recursos na rede social, que são os parentes e
amigos que apóiam, que ficam perto, que dão carinho, abraço e suporte emocional.
O luto é um processo, cada pessoa o vive de uma forma muito peculiar. Quando tem situações traumáticas como num acidente de trânsito, há fatores complicadores. A psicóloga Adriana, que também é coordenadora do Núcleo de Luto do Cefi, explica:
– Misturar os sentimentos em perdas catastróficas como as que ocorreram na estrada é comum. Os familiares sentem injustiça, principalmente se a vítima for muito jovem. Existe também a tendência de buscarem um culpado, o que traz raiva e indignação.
Outro complicador é se na relação entre o familiar e a vítima ficou com alguma culpa, alguma pendência, se teve alguma briga mal resolvida. Tudo isso gera confusão de sentimentos, e o luto em si pode demorar a passar. Adriana indica:
– Se as pessoas perceberem que sozinhas ou dentro
das suas relações não vão conseguir enfrentar a dor da
perda, elas devem buscar ajuda psicológica. Mas a primeira fase é a do choque, e extravasar o que se está sentindo é o primeiro remédio.
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