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As psicólogas especialistas em Terapia de Família Ana Anele Schames e Clarissa Leitune abrem este espaço para tirar as dúvidas sobre tudo o que envolve a vida em casa, desde a educação dos filhos até os problemas entre casais.

Sobre problemas na educação dos filhos (30/9/2008)
Andréia - Olá, sou separada há três anos, tenho dois filhos: um menino de seis e uma menina de cinco. Meu casamento acabou quando estava grávida da menina, fui levando até que acabou em agreção fisica por parte dele. Hoje tenho dificuldades em me relacionar, pois ainda amo meu ex, os filhos me cobram muito pra voltarmos a sermos uma familia e o menino diz que gostaria de morar com o pai, pois passam as férias juntos e não há limites como os que eu acredito serem necessários à uma criança. Comigo eles tem hora para fazer as coisas. Trabalho fora pra que eles possam ir para escola particular, isso ocupa bastante meu tempo, eles ficam com a vó que não consegue impor autoridade sobre eles. Socorro. me ajudem.
OI Andrea.
Você sem dúvida é uma guerreira que está fazendo de tudo para ficar bem e cuidar da melhor maneira dos filhos. Mas te sentimos um pouco só nesse processo de edução. Nós sabemos que não é fácil, mas você precisa contar com os seus pais e ao mesmo tempo eles são avós e não educam como você gostaria. Com o pai das crianças nao é diferente. Quem sabe você procura ajuda em uma terapia de família para que juntos vocês encontrem a melhor maneira de educar os filhos? Você precisa no momento um adulto que te ajude a estabelecer objetivos e te motive a seguir em frente.
Sobre vida com muitas atividades (29/9/2008)
Cristiane - Olá, tenho 17 anos. Faço estágio pela manhã, trabalho em um pequeno comércio a tarde e estudo a noite. Isso totaliza 13h diárias. Me sinto muito pressionada, ando muito cansada e vivo brigando com o relógio, essa situação está afetando minha vida pessoal e meus estudos, faço vestibular esse ano. Sinto uma enorme obrigação, pois meu pai está desempregado e as únicas pessoas que estão trabalhando é eu e minha mãe. Peço a ajuda de vocês. Desde já, agradeço.
Oi, Cristiane

Tua vida está cheia de atividades. Nos perguntamos se estás fazendo tudo isso por um objetivo maior na vida.
Se é uma fase muito atribulada, mas estás perseguindo um objetivo de passar no vestibular, ter uma profissao e ter mais independencia. Ótimo!!
Mas nos parece que estás te sentindo sobrecarregada e sem apoio.
É isso? Bom, a idade que tu estás e este momento de vida em particular é de muito estudo e estresse.
Algo que ajuda muito é ter alguém com quem conversar.Uma amiga que esteja passando por este mesmo momento, um adulto que te ajude a estabelecer objetivos e te motive a seguir em frente.
Sobre invasão de privacidade por familiares (23/09/2008)
Maria Teresa - Estou precisando muito de uma orientação. Não sei mais o que fazer a respeito de minha cunhada.
Tudo começou porque meu noivo e eu resolvemos que vamos morar na casa dele após o casamento. Mas ela se mete em tudo só porque resolvemos casar no civil e no religioso, e já ela e meu cunhado só moram juntos, não casaram. Ela engravidou e ele fez uma casinha nos fundos da casa do meu noivo para eles morarem, ela fica o tempo todo falando besteira e se fazendo de vítima. Antes do meu cunhado assumi-la, a garota parecia ser uma boa pessoa, sempre prestativa... Na frente dos outros familiares, se faz de boazinha e por trás, é uma verdadeira cobra sempre pronta para dar o bote. Digam-me, por favor, o que devo fazer? Já não dou mais assunto à ela, como se ela não existisse, mas gosto do meu cunhado, pois ele é uma pessoa legal se dá bem com meu noivo, só que tenho medo dela fazer besteiras quando me mudar de vez para lá. O que eu devo fazer nessa situação?
Oi, Maria Teresa
Tua situação é mais comum do que parece. Esta situação de invasão por parte de alguém da família é freqüente em casamentos. Isso ocorre quando há excessiva intimidade entre os diferentes núcleos familiares. É necessário tu e teu noivo estabelecerem fronteiras, a fim de colocar limites na entrada de outras pessoas na vida conjugal de vocês. Tente conversar com ele sobre isso dizendo que estás incomodada com as interferências dela e que gostaria que juntos pudessem dar limites a esta invasão.
Sobre problemas familiares (23/09/2008)
Caroline - Olá! Tenho 19 anos, moro com meus pais e uma irmã de três anos. Depois que minha irmã nasceu as brigas em casa aumentaram, e elas têm se tornado constantes. Qualquer motivo vira uma discussão, desde uma xícara fora do lugar, até o fato do meu pai não estar muito presente em momentos importantes à todos nós e não se importar com isso... O que faço para unir minha família? Podem me sugerir alguma coisa?
Olá, Caroline!
Através da descrição que tu fazes, nos parece um problema familiar. Tu já tentaste conversar com tua família sobre as brigas e o distanciamento que tu sentes? Uma conversa franca sobre como tu te sentes pode ajudar tua família a perceber o que não está bom para ti. Esta é a maneira mais saudável de tentar uni-la para que revejam o que está bom e o que precisa mudar. Converse com eles, se necessário uma mediação para esta conversa, pense em buscar ajuda profissional.
Sobre adolescente autoritária (22/8/2008)
Luciano - Tenho uma filha de 13 anos extremamente autoritária e mandona... Mesmo tendo uma postura firme, sempre temos brigas e stress dentro de casa... Quando ela chega da escola é como um furacão... E ainda tem a irmã menor de três anos que é bem mais calma e acaba sofrendo com esse tumulto na casa... Minha esposa e eu conversamos muito com ela, mas sempre nos leva ao limite... Alguma sugestão?
Luciano, qual é o limite de vocês? Espero que vocês estejam conseguindo manter o controle, sem partir para agressões, pois sua filha precisa de vocês para ajudá-la a passar pela ADOLESCÊNCIA.

A adolescente parece estar fazendo o seu papel, querendo ser adulta e mandar. Brigas, estresses e agitação (como um furacão), com alguns limites, também fazem parte deste período que é a adolescência.

Ela precisa de limites e muita paciência dos pais. Este momento é de muitas mudanças físicas, emocionais e sociais. Um turbilhão de emoções que invadem o adolescente que precisa lidar com este descontrole.

A conversa é a melhor solução. Para isso, lembre-se como foi sua adolescência, converse com sua esposa e também com outros pais. Trocar experiências pode ajudar muito a entender sua filha e estar mais preparado para uma conversa com ela. Isso é essencial para ajudá-la a encontrar uma maneira de conter seu comportamento e tornar a convivência familiar mais agradável.
Sobre filhos com ciúme (21/8/2008)
Karanto - Olá. Tudo bem? Sou pai de uma menina de 13 anos. Não vivo com ela, pois a tive com uma namorada na adolescência. Só que ela é superciumenta. Já tive algumas namoradas que não suportaram a pressão. Agora, estou em novo relacionamento e tenho receio de que possa acontecer novamente. O que devo fazer?
É muito comum os filhos terem medo de perder os seus pais para outros parceiros, e por isso fazerem de tudo para terminar essa relação. Fico pensando o quanto o seu outro relacionamento foi ameaçador para a relação de vocês. Quem sabe mais do que conversar sobre o que vai mudar na vida de vocês com a entrada dessa nova pessoa, você demonstra o quanto a ama e que você vai continuar sendo o pai dela, ainda melhor porque está mais feliz?
Sobre criança com dificuldade para dormir (20/8/2008)
Fernando80 – Minha filha tem oito anos. À noite, tem dificuldade para dormir e sempre pede que eu fique com ela... Já tentamos diversas situações diferente para ela sentir-se segura, até demos um gatinho para ela... Mas continua a mesma coisa. O que fazemos?
Que tipo de dificuldade para dormir é essa? Ela não pega no sono sozinha? Só com alguém junto? Acorda várias vezes? Desde quando? Aconteceu alguma coisa nessa época em que ela começou a ter essas dificuldades? Precisamos de mais informações.
Sobre teimosia infantil (19/8/2008)
Ana, de Santa Maria (RS) - Tenho três filhos, e o mais velho, de sete anos, está me deixando louca. Ele é muito teimoso, não obedece nem o pai. Está sempre incomodando minha filhinha de quatro anos, e ela chora o tempo todo. Até mesmo já bateu nela, e isso a deixou com medo. Fico nervosa só de pensar em buscá-lo na escola, pois sei que ele vai falar coisas terríveis para nós. O que posso fazer? Por favor, estou desesperada!
Não temos muitas informações para entender que se passa com seu filho... Desde quando isso acontece? .Como andam as regras e os limites da casa? Quanto tempo vocês ficam só com ele? Será que ele quer mais atenção de vocês? Um dia ele foi filho único e agora está tendo que dividir os pais com dois irmãos. A nossa orientação é para os pais conversarem para juntos, tentarem entender o que está acontecendo e aí tomarem uma atitude. Procurem proporcionar um tempo só com ele. Brinquem, joguem o que ele quiser. Esse vai ser o tempo dele só com vocês. Se não for possível com os dois pais juntos, se dividam para que ele tenha um dois pais por um tempo só para ele.
Sobre a Síndrome do Ninho Vazio (7/8/2008)
Joice, de Florianópolis (SC) - Tenho 24 anos e pretendo sair da casa dos meus pais para morar sozinha no final do ano. Minha mãe está ficando deprimida com a situação, pois sente que não tem mais utilidade, já que os filhos são completamente independentes dela. Como posso ajudá-la a se preparar melhor para essa mudança?
Joice, a saída dos filhos de casa remete os pais a sentimentos difíceis de lidar, como o orgulho por ver os filhos criados e independentes e, ao mesmo tempo, a falta da casa cheia e da vida voltada para os filhos. Estamos falando da Síndrome do Ninho Vazio. Fique tranqüila, pois todos os pais passam por isso, uns com mais facilidade que outros, mas todos sobrevivem.

Será mais fácil passar por esta fase se ambos os pais puderem voltar a (re)investir na sua vida pessoal e no casamento. Esse (re)investimento nem sempre é fácil, porque é preciso fazer um balanço geral da vida e ver o que restou: aquilo que foi sonhado e conquistado e o que ficou para trás. Afinal, não sabemos bem se tu és a última filha a sair de casa, mas nesse momento os pais voltam ao início do casamento, onde eram só os dois. Bom, este é um processo que teus pais terão que passar. Tu podes ajudá-los conversando sobre os motivos que te levaram a desejar morar sozinha, teus sentimentos com relação a isso. Procure ouvir seus sentimentos, fantasias, medos. Deixar claro que faz parte da realização de um sonho e que não deixará de visitá-los e, principalmente, de ser filha deles.
Sobre filhos e relacionamento conjugal
Mariana, de Porto Alegre (RS): Tenho uma filha de dois anos, o pai dela não a aceitou, a registrou e foi embora. Um antigo amor da minha vida assumiu a paternidade, mas infelizmente não estamos mais juntos. Ele não a está vendo, pois percebi que ele se aproxima dela para me conquistar, e isso eu não quero. Estou preocupada em saber como lidar com isso. Que reações ela vai ter? O que devo cuidar no dia-a-dia dela? A falta dele pode prejudicá-la? Devo voltar para ele para fazê-la feliz?
Nenhum casal deve se manter em uma relação infeliz para tentar fazer os filhos felizes, pois se os pais não estão felizes os filhos também não estarão. Se eles tinham um bom relacionamento, provavelmente, ela está sentindo falta do teu companheiro que atuou como uma figura paterna.

É indicado que tu estejas atenta a perguntas e que possas explicar para ela que vocês se separam e que ele não vai mais morar com vocês. Se ele conseguir entender que pode visitar tua filha, mas que não pode usá-la para te conquistar, então, seria bom que eles se vissem. Caso o interesse dele seja só em ti, é melhor que tua filha cresça ao lado de quem cuide e se importe com ela.
Sobre enteados e autoridade
Andréia, de Porto Alegre (RS): Já fui paciente do CEFI entre 2001/2002. Havia me separado há pouco e eu e minha filha precisávamos de ajuda. Foi ótimo, me recuperei e toquei a minha vida. No final de 2004, comecei a namorar o meu atual marido. Ele é uma ótima pessoa. O problema é que, quando nos conhecemos, ele havia acabado de se separar, e a ex achou que a culpa era minha, mesmo não tendo nada a ver com isso. Os problemas começaram este ano. No final do ano, resolvemos morar juntos, compramos um apartamento. Eu, minha filha e o meu esposo nos damos super bem, porém ele começou a insistir que um dos filhos dele viesse morar conosco. E eu aceitei, o que foi o maior erro. Este rapaz, 17 anos, ficou três anos escutando tudo o que é barbaridade a meu respeito e, de repente, puf, está morando com o objeto de tanto ódio. Hoje, enxergo que o problema é antigo, os filhos dele não o respeitam, simplesmente o tratam como um caixa de banco, o procuram só quando querem dinheiro. Ontem, após meu esposo sair para a faculdade, resolvi mandá-lo arrumar a bagunça que fez, e nós discutimos, quase partimos para a agressão. Ele é extremamente manipulador, mentiroso e arrogante, não respeita o pai. Como eu poderia esperar que me respeitasse? Até mentir que está doente ele mente. Não sei o que fazer. Acho que, desde o início, o meu esposo deveria ter procurado ajuda de psicoterapia. É ele quem deve acordar, pois não enxerga tudo isso que está acontecendo e que o filho dele está fazendo de tudo para nos separar. Ou sou eu que estou errada e devo continuar vivendo os problemas dele?
Andréia, a solução não está em ti nem no teu marido, mas na família de vocês. Como tu já vivenciaste uma terapia familiar, sabes como é importante ter um espaço para conversar. É disso que vocês estão precisando. Inicialmente, o casal a fim de dialogar sobre as mudanças na família com a vinda do teu enteado e fortalecê-los como autoridades da casa.

Vocês dois precisam ter a mesma linguagem com os filhos, e também tu podes ajudá-lo a perceber a falta de respeito do filho dele e restaurar o relacionamento entre pai e filho. É necessário trabalhar também com a família toda para que possam compartilhar as impressões sobre os problemas vividos, bem como os sentimentos relativos às mudanças estruturais na família. Converse com teu marido e analise a possibilidade de buscar ajuda.
Sobre filhos e parceira do mesmo sexo
Marina, de Porto Alegre (RS): Oi. Vivo maritalmente com outra mulher há um ano e tenho um filho de cinco anos. Ele foi morar com o pai desde que resolvi casar com essa pessoa. Me senti pressionada pela minha família a tomar essa decisão, e também tive medo de o expor a essa nova realidade. Inicialmente, quando ele foi morar com o pai, achei que estava fazendo o melhor pra ele, pois os meus horários de trabalho e faculdade me deixavam pouco tempo pra ficar com ele, mas agora estou arrependida, pois a forma como ele está sendo educado pelo pai e pelos avós é totalmente diferente do meu conceito de educação. Sinto-me distante dele e muito culpada por estar longe. Tenho vontade de trazê-lo pra morar comigo e com minha companheira, mas tenho medo de alterar a rotina dele, ele não se adaptar e sofrer. Também estou com um dilema sobre qual a idade certa pra eu conversar com ele sobre minha relação, ele ainda não entende.
Oi, Marina. Se vocês têm conceitos diferentes de educação, o bom seria conversarem, para juntos encontrarem a melhor forma de educar o filho de vocês. O que não pode acontecer são contradições, que confundem qualquer criança. Quanto a você querer conviver mais com o seu filho, sugerimos que isso seja feito aos poucos, com visitas mais freqüentes e mais demoradas, assim vocês vão estabelecer um vinculo mais próximo e de maior intimidade. Isso acontecerá naturalmente, sendo bom para os dois e oportunizando que vocês se conheçam mais. Assim, você encontrará uma forma de saber o que ele pensa, o que ele já sabe e o que quer saber sobre você. Respeite o tempo de vocês. Não se esqueça de ter momentos só de vocês dois, onde qualquer criança se sente feliz por ter um dos pais só para ela. Quando você estiver segura de que o melhor é o menino morar mais tempo contigo, quem sabe até proponha uma guarda compartilhada. Por que não?
Sobre o homem da casa
Rafaela, de Caxias do Sul (RS): Estou separada há três anos. Me dou muito bem com o meu ex-marido, porém meu filho quer ser o homem da casa. Fala comigo em um tom de como se fosse meu esposo, e ele tem apenas 11 anos. Fiz um quarto lindo para ele, e não tem jeito de sair da minha cama. Como devo agir?
Em primeiro lugar, ficamos pensando porque o seu filho ficou tão poderoso nessa relação a ponto de ter ficado no lugar do pai. Temos uma idéia de que algum adulto pode ter dado consciente ou inconscientemente esse poder a ele. Isso faz algum sentido para você? Pense nisso antes de sair agindo e querendo mudar as regras do jogo. Primeiro você precisa ter calma e estar certa do que quer fazer. Certamente ele tem ganhado em dormir com você, entre outras coisas, mas ele gasta uma energia se envolvendo com situações que não competem a um menino de 11 anos. Com o que um menino de 11 anos deve se preocupar? Sem dúvida, ele deve sair da sua cama, mas não será fácil. Por isso, você precisa estar muito convencida de que não é justo que o seu filho sacrifique a sua infância para cuidar de você, e nem você perca seu espaço por causa dele.
Sobre auto-imagem distorcida
Joice, de Gravataí (RS): Sou uma pessoa muito tímida, já perdi inúmeras oportunidades de crescimento profissional e até de somar amizades, e isso me deixa muito frustrada. Estou em tratamento psicológico faz três semanas. So que eu não sei como falar é que eu sou obesa, digo muito obesa, mas não desde criança. Aliás, quando criança fui tão magra que devo ter sido anoréxica. Comecei a engordar com 22 anos, mas não consigo me ver como gorda. Tenho 1,75cm de altura e estou pesando 122kg, o problema é que todo mundo me diz que estou gorda mas eu não consigo me enxergar assim. Quando vou comprar roupas, só aceito que aquela roupa não serve depois de tentar vestir no provador. Ajudem-me, por favor. Ah, estou tomando 40mg de fluoxetina diariamente.
Oi, Joice. Você está no caminho certo, porque está fazendo tratamento psicológico e medicamentoso. Pelo que escreveu, acreditamos que você tem uma imagem distorcida do seu corpo e isso precisa ser trabalhado na terapia, mas vai levar um tempo. Você pode estar sentindo-se insegura com essa imagem, e quando não estamos bem com o nosso corpo, também não estamos bem com a gente mesmo, e assim não conseguimos dar o melhor. Vai fundo na terapia, porque se conhecendo melhor você vai desatar os nós que te impedem de crescer tanto profissionalmente, quanto pessoalmente.
Sobre a relação dos pais
Claudia, de Passo Fundo (RS): Tenho 28 anos, sou casada e tenho duas irmãs mais novas, de 25 e 23 anos. O caso é o seguinte: meus pais acabaram de se separar depois de um casamento de quase 32 anos. Ele foi descoberto com uma amante de um relacionamento de pelo menos seis anos. Eles já passaram por um processo legal e amigável de separação. Nós três, as filhas, ficamos apoiando minha mãe, pois não aceitamos o que ele fez, ainda mais porque, assim que minha mãe se mudou, ele recolheu a amante para a sua casa. Apesar de tudo, eu tenho procurado relevar e o recebo em minha casa, mesmo constrangida e com um sentimento de raiva oculto, o que não acontece com minhas irmãs, que cortaram relações com ele. A nossa preocupação é com o estado emocional da minha mãe. Eu compreendo que ela tenha altos e baixos, até porque o flagrante e todo esse processo de divisão ocorreram há pouco mais de 40 dias. Só que, às vezes, ela fica falando que se sente culpada pelo que aconteceu e ainda demonstra um sentimento de que um dia ele pode voltar, o que tenho certeza ser impossível. Apesar de estarmos constantemente com ela, e minha irmã mais nova morar com ela, tenho medo que ela se deprima e deixe de lutar para reconstruir sua vida. Quando ela tem crises de choro, eu a apóio e digo que é preciso chorar e desabafar, mas minhas irmãs se irritam e dizem que ela deve nutrir somente ódio por ele e não ficar lembrando do que passou, o que acho errado. Gostaria de pedir sua ajuda quanto ao meu modo de proceder com ela, bem como o de minhas irmãs. Quem está certa? Como fazer com que minha mãe se sinta melhor, apesar de todo esse trauma? Será que estou errada em sentir ódio de meu pai e não desejar mais vê-lo?
Quando o casal se separa, os filhos pensam que devem se aliar ao cônjuge mais frágil. Será que é isso que está acontecendo? Parece que você está mais dividida do que as suas irmãs, uma vez que elas já decidiram que estão do lado da mãe e que não querem saber do pai. Se o seu pai traiu e deixou a sua mãe, esta é uma questão conjugal, da qual as filhas precisam se proteger para não se envolver nessa relação, que é deles. Uma coisa é o pai de vocês e como ele desempenhou esse papel, ao longo desses anos, outra coisa é ele nesse papel de marido da tua mãe. Eu sei que na teoria isso é simples, e que na prática as coisas são mais complicadas, por isso procure conversar com as tuas irmãs para vocês se apoiarem, porque é um momento em que todos estão sofrendo. É possível se sentir confusa com um turbilhão de sentimentos que vêm misturados, como ódio, decepção, tristeza, entre outros. E nestas conversas, não se esqueçam que questões conjugais não devem se misturar às questões parentais. Quanto ao seu temor de que sua mãe se deprima, também é importante que vocês conversem e que você explique para ela que neste momento tão difícil talvez seja importante ela procurar ajuda de um profissional especializado (terapia) para lidar melhor com esses sentimentos e elaborar o luto desse casamento.
Sobre beijos demorados
Karina, de Porto Alegre (RS): Namoro há quatro anos. Há mais ou menos dois anos, aquele beijo demorado não existe no relacionamento. Esse comportamento surgiu da parte dele, que começou a se esquivar e a dar beijinhos mais rápidos. Sinto muita falta de beijar, principalmente nas preliminares, mas nunca cobrei. O que pode estar acontecendo?
Não sabemos exatamente o que está acontecendo. Porém, é essencial que vocês conversem sobre o que tu sentes falta e sobre o quanto é importante que o beijo, principalmente nas preliminares, seja mais intenso. O que é que te impede de conversar e questioná-lo a fim de poder entender o que está se passando com vocês? Sabemos que não é fácil falar sobre o que acontece nas preliminares, mas isso é importante para que a relação seja satisfatória para vocês.
Sobre a filha do namorado
Fernanda, de Porto Alegre (RS): Estou namorando há seis anos um rapaz de 23 anos que tem uma filha de sete anos. A mãe da menina não quis ficar com ela e a deixou com ele desde que tinha três anos. Em agosto deste ano, nós vamos morar juntos, e estou preocupada com a mãe da menina. Não sei como reagir quando ela for buscar a filha pra passar o final de semana. Desde que deixou a filha, não deu mais notícias e nem perguntou pela criança. Agora ela reapareceu dizendo que quer conviver mais com a filha. Sei que devo deixar, mas o que me perturba é o fato da menina ficar muito perturbada com a situação, ela quer ficar com a mãe, mas ao mesmo tempo não gosta. Já esclareci para ela, mas quando vê a mãe, tudo acaba.
Fernanda, com relação à tua preocupação com a filha do teu futuro marido, pensamos que tu deves conversar com ele sobre qual é a posição a respeito da reaproximação e apóia-lo no que ele decidir. Sobre a reaproximação da mãe com a filha, esta deve ser feita aos poucos, como por exemplo, a mãe levá-la para passeios breves e, aos poucos, aumentando a freqüência e o tempo que passam juntas. Não podemos esquecer que muitas mudanças estão acontecendo na vida de vocês e precisam ser trabalhadas. Já no que se refere aos teus sentimentos, podemos pensar que, nestes seis anos, tu deves ter construído uma relação muito próxima com a menina, e é normal que tu te sintas perturbada por esta mudança.
Sobre provas de amor
Gilmara, de João Lisboa (MA): Sinto vontade de dizer que amo meu namorado, mas fico com vergonha, deixo para depois e me sinto mal (já faz dois anos e não consigo me soltar). Isso é insegurança, eu sei. Queria umas dicas de vocês pra melhorar. Quando estou com alguém é para valer, mas a insegurança atrapalha.
Querida Gilmara, ficamos pensando por que você tem tanta certeza de que isso é insegurança. Afinal, existem várias maneiras de demonstrar que amamos alguém como, por exemplo, através de comportamentos de cuidado, como carinho, atenção, alimentação e outras formas. Algumas pessoas não aprenderam a demonstrar carinho através das palavras. Será que este é o seu caso? Muitas vezes, aprendemos isso com nossos pais ou então, já na vida adulta, podemos aprender com nosso companheiro. Vocês já conversaram sobre a tua dificuldade? Nossa dica é essa – converse com seu parceiro sobre sua vontade de dizer o quanto gosta dele.
Sobre a família do marido
Taís, de Porto Alegre (RS) - Às vezes acho que a família do meu marido não gosta de mim. Procuro-os em festas da família, mas depois chego em casa e me sinto mal, com a sensação de estar sendo rejeitada. Devo me afastar deles? Meu marido sabe o que eu sinto em relação a isso.
Oi, Taís. Não tenho a informações do porque você se sente tão rejeitada por essa família. Fico também pensando se você já esgotou todo o seu repertório para conquistar a família de origem do seu namorado. Já me parece válido o seu marido entender como você se sente. Ele te escolheu e esperar que a família dele te inclua é uma expectativa e tanto. O melhor para você, acredito, é administrar melhor esse sentimento de rejeição, se consolando com a compreensão que ele tem da sua família. Cabe também a ele construir um lugar melhor para ti nesta família.

Ana Anele
Sobre novo relacionamento X filhos
Ana Júlia, de Porto Alegre (RS) - Estou separada de um casamento de 18 para 19 anos desde o carnaval e agora estou com namorado novo. Tenho um filho de nove anos que diz não querer conviver com ele porque não gosta dele. Resolvi contar para ele não ser o último a saber, apesar de achar que ainda é cedo. Como reagir diante dessa situação?
Ana, tu ficaste quase duas décadas casada e agora em três meses já está namorando. Parece que tu estás indo bem rápido e teu filho está sinalizando para reduzires a velocidade. Não há nenhum problema em refazer a vida amorosa, mas tudo tem seu tempo. Há também o tempo para fazer o luto da relação que terminou - ficar só e juntar os pedaços que sobraram depois do rompimento. Ainda é muito cedo para teu filho entender a separação, imagina então como pode ser difícil ter que lidar com outro homem. Vá com calma!

Conversar é a melhor solução. Inclusive falar sobre os sentimentos a respeito da separação e expectativas sobre a nova vida. Converse mais com teu filho sobre a dissolução da família. Por mais que os adultos saibam e sintam que vão se separar, as crianças percebem que há algo complicado acontecendo, mas nunca esperam que termine com a separação.

Para que teu filho possa lidar com outra pessoa na tua vida e na vida dele também, precisa elaborar os sentimentos de frustração pela perda dos pais juntos como casal e a perda da família.

Clarissa Leitune
Sobre limites
Camile, de Canoas (RS) - Tenho filhos gêmeos de dois anos e oito meses. Eles não param um minuto, vivem se machucando, se agarrando, e quando tento impor limites eles não ligam, dão risadas, falam a mesma coisa que eu falo ou fazem mais ainda. Não sei mais o que fazer.
Querida Camille. Essa fase é bem difícil. Eles estão com altíssima atividade motora e resistem muito aos limites. Mas esses limites são fundamentais. Irmãos discutem, entram em conflito e não raramente partem para a briga. Eles podem estar brincando através das brigas, mas mesmo que se entenda cabe aos pais estimular que se façam carinho em vez de se dar tapas. Os pais devem separar os briguentos, dizendo em alto e bom som: “ Não admito brigas”. Entretanto não é com violência que os pais darão um basta na violência entre os filhos: propondo palmadas, cascudos ou qualquer tipo de agressão estão fora de questão. Proponha brincadeira que os distraiam em que cada um faz uma parte delas.

Ana Anele
Dariana, 36 anos – Meu filho tem 11 anos, é um aluno bom, mas não sai do MSN. Em casa, todo o tempo em que ele não está fazendo os temas, jantando ou jogando Playstation, ele está no MSN com os coleguinhas. É tempo demais, me preocupa... Como posso reduzir sem causar um trauma?
Dariana, o primeiro passo é prestar a atenção no seu filho e perceber quando o uso da web está passando dos limites. Muitos pais não têm noção de que seus filhos gastam muito tempo on line. Você deve também, observar a que tipo de informações ele está tendo acesso, como por exemplo, sites pornográficos ou conversando com pessoas estranhas.

Você está ciente de que é preciso reduzir, ou seja, impor limites. A criação de regras quanto ao uso do computador deve ser feita assim como para quaisquer outras atividades e hábitos do seu filho, pois tudo que é feito em excesso prejudica. Esta regra vale para o uso do MSN também.

Algumas estratégias podem incluir atividades prazerosas em família e com os amigos reais. Ampliar e diversificar as opções de lazer podem exigir conversa e negociação, mas vão tornar o dia-a-dia mais saudável e estimular o convívio social de seu filho.
Sobre depressão
Anelise, de Porto Alegre (RS) - Olá, me chamo Anelise, tenho 22 anos e estou muito triste, não sei ao certo os motivos. De uns tempos pra cá, minha vida estacionou de tal maneira que não tenho vontade de fazer mais nada com medo que dê errado. Só saio de casa pra trabalhar, ando muito irritada e agressiva com as pessoas, sem paciência também até com meus amigos. As coisas ultimamente tem dado muito errado pra mim e talvez seja por isso que estou me isolando de tudo. As pessoas estão notando e vivem me perguntando o que aconteceu, o que me deixa ainda mais chateada, pois não sei ao certo os motivos. Há quase dois anos, tive depressão. Passei muito mal, foi uma fase difícil, mas depois que arrumei emprego as coisas melhoraram. Será que posso estar entrando em depressão de novo? É normal volta e meia ter umas crises dessas e elas durarem quase cinco meses? Muito obrigada pela atenção.
Anelise, não é normal. Você precisa de ajuda. Oriento-te a procurar uma avaliação com um psiquiatra.

Ana Anele
Sobre desejo e maternidade
Vera, Concórdia (SC) - Tenho 33 anos, sou casada, mãe de um bebê lindo de 14 meses que se chama João Eduardo. Só que agora, depois desta fase linda que foi a gestação e o nascimento do bebê, não sinto mais vontade de faser sexo. Adoro meu marido, até tentei fantasiar através da imaginação, mas nada me motive. Parece que estou sempre cansada. Já me passou pela cabeça tomar Viagra, só que não fiz isso ainda. Já assistimos filme pornô, mas não me instigou. Simplesmente não tenho vontade de fazer amor. Isso tem a ver com a mudança que sofre o organismo após uma gestação? Espero contar com sua ajuda.
Oi, querida Vera.

Essas alternativas que você tomou, de assistir filmes e fantasiar, são válidas. Introduzir estímulos novos podem ser manobras importantes e até necessárias. Afinal, voltar a namorar é importante. Mas no seu caso, parece que só isso não está funcionando. Vamos pensar juntas em outros caminhos que você pode tentar.

É esperado que, com o nascimento de um filho, a mãe fique mais voltada para essa relação e que o parceiro até se sinta excluído. Devemos ter cuidado com isso.

Você empregou muitas horas por dia cuidando desse bebê e, mesmo que você tenha contado com a ajuda de outras pessoas, nós sabemos que a sobrevivência de uma criança exige investimento total. Além disso, você necessita de amparo e tempo para investir em você mesma. Precisa descansar, alimentar-se bem, ser ouvida, acolhida, compreendida e, em especial, ser muito amada. Mas nem sempre o relacionamento sexual fica associado a um ato de amor, e muito menos um direito seu. Nesse contexto, corre-se o risco de tal retomada ser entendida com mais um dever a cumprir. Sem falar que a amamentação tende a reduzir o potencial erótico do seio, tornando-o indisponível para o jogo erótico.

Talvez você esteja dissociando o ser mãe do ser amante. Mãe pode estar lembrando pureza, dedicação total e absoluta, enquanto erotismo adulto lembra sujeira e desperta-lhe vergonha. São esses significados psíquicos que decidem o rumo dos sentimentos e atitudes pós-parto. O seu marido tem um papel importante de saber esperar e também de estimular-lhe a retomada da vida sexual, não por meio de cobranças, mas de sedução. Afinal, sob tensão muitas vezes não produzimos o melhor.

Ana Anele
Sobre idas e voltas
Daiana, de Blumenau (SC) - Tive um relacionamento de sete anos, sendo que durante dois moramos juntos. Nos separamos em outubro de 2007, e passaram duas semanas ele estava morando com uma guria. Em dezembro, voltamos e não deu certo. Ele voltou a morar com essa guria. Agora ele quer voltar comigo novamente e eu ainda gosto dele. Será que eu dou mais uma chance?
Daiana, penso que tu já tens a resposta no teu coração. Deves lembrar de como foram os sete anos de relacionamento. Vocês se davam bem? Como e por que ocorreu a separação em 2007? Para dar ou não uma nova chance, tens que refletir sobre estas questões. Independente de estar ou não com ele, tu deves pensar em que tipo de relacionamento queres pra ti. Parece que ele está em um vai e vem, sem ter tempo para pensar sobre o que sente. Ele também precisa decidir o que quer.

Clarissa Leitune
Sobre correr atrás
Giovana, Carazinho (RS) - Oi, tenho um namorado há cinco anos, mas temos opiniões completamente diferentes sobre quase tudo. Brigamos muito e sempre que brigamos ele fala em terminar. Só que sempre acabo correndo atrás dele, insistindo numa história que eu sei que não tem futuro. Sei que é errado correr atrás, mas, se não corro, parece que vou morrer, meu coração não agüenta. Não sou feliz com ele, mas não sei viver sem ele. Eu me odeio por ser assim e odeio ele por me tratar mal. Mas, no fundo, sei que a culpa é minha porque deixo ele fazer isso, aceito tudo. Até me trair já aceitei e continuo insistindo. Preciso muito de ajuda, quero tirar isso de dentro de mim, mas não sei como. Sei que amanhã vou estar lá, me humilhando mais uma vez. E ainda tenho um filho de sete anos que está no meio disso tudo: meu namorado tem vergonha de namorar alguém com filho.
Uma história que não tem futuro!! É assim que descreves teu namoro. Para que seja realizada uma mudança nesta situação, tu precisas te fortalecer para continuar com ele e propor um relacionamento diferente do atual ou para ficar só. Após cinco anos, decidir e mudar é um desafio, mas é possível. Indico que procures ajuda profissional.

Clarissa Leitune
Sobre namoro X casamento
Cassia, de Porto Alegre (RS) - Sou casada há seis anos e um namoro de mais seis. Já nos separamos várias vezes e sempre voltamos. Quando estamos separados é bom namorar, mas quando estamos juntos é um inferno, brigamos por qualquer coisa. Agora estamos separados há 15 dias, mas já ficamos juntos uma vez. Não quero voltar, pois não sinto vontade de conviver com ele novamente. Por que sempre acabo voltando, se não consigo viver com ele?
A principal questão é se ainda existe amor na relação. Cassia, quando tu falas que é bom namorar, podemos pensar que tu gosta dele, mas isso não é o suficiente para um casamento. Parece que há dificuldade em compartilhar intimidade. O dia-a-dia de um casamento exige muita dedicação, tolerância, respeito às diferenças e, principalmente, objetivos de vida comuns. Tu precisas identificar de forma mais cuidadosa o que está te atraindo e, ao mesmo, tempo te repelindo neste casamento.

Clarissa Leitune
Sobre independência financeira
Vania, de Londres (Inglaterra) - Tenho dois filhos: Leonardo, de quatro anos, e Yolanda, de dois. Desde que sou mãe, meu marido me pressiona para que eu volte a ter uma vida profissional ativa. Ainda não me sinto pronta, pois Yolanda é muito dependente. Ao mesmo tempo, não vejo a hora de ter uma renda própria. Me sinto uma escrava, não sei que direção tomar.
Vania, os teus sentimentos são o mais importante. Parece que estás incomodada com esta dependência financeira em relação ao teu marido. Então, vá a luta! O Leonardo e a Yolanda ainda são pequenos, mas podem se adaptar a uma babá ou à creche. O principal é que eles sejam bem cuidados e que os pais estejam felizes. Não esqueça que os filhos aprendem com os pais: se tu enfrentares a volta ao mercado de trabalho, a Yolanda vai aprender a ser independente através do teu modelo de mulher.

Clarissa Leitune
Sobre filhos com diferentes personalidades
Sandra Gil - Tenho dois filhos, um de seis e outro de cinco anos. Os dois têm personalidades totalmente diferentes. Enquanto o mais velho é mais calmo, organizado, distraído, o mais novo é totalmente elétrico, fala demais, não gosta de regras. Eu e meu esposo discutimos muito a forma de educá-los. A dúvida maior é se mantemos regras e cuidados iguais para os dois ou precisamos adaptá-las à personalidade de cada um. Hoje tentamos educar e regrá-los sem nenhuma diferença, porém nem sempre dá certo com um deles.
Você e o seu marido estão muito certos em pensar juntos sobre como educar os seus filhos. Tão importante quanto ter regras e manter uma rotina na casa, é o casal passar a mesma mensagem para eles.

E para que isso aconteça vocês devem decidir juntos, e ambos precisam concordar com o que vai ser feito. Só assim eles perceberão que os pais estão unidos e que vão manter a mesma postura com eles.

Quanto às diferenças entre eles, devem ser respeitadas. Ninguém gosta de ser igual a ninguém. Para marcar as diferenças, os irmãos vão se engalfinhar. O que é bom para o maior talvez não sirva para o menor.

Cada filho deve ser tratado como se fosse único, porque cada um tem o seu modo de ver o mundo e de estar nele.

Ana Anele
Sobre ansiedade
Anônima - Sou uma pessoa muito ansiosa e isso me prejudica demais. Sempre penso demais, e normalmente pelo lado negativo... Como posso aprender a me controlar ou me curar deste problema? Um atraso já é motivo para pensar em acidente.
É bom lembrar que uma dose equilibrada e saudável de ansiedade é vital para nossa existência. O medo e a ansiedade são fenômenos universais e estão presentes em todos nós, em doses variadas, como respostas à adaptação aos estímulos de ameaça com que nos deparamos em nosso dia-a-dia. Sem ela, nos tornaríamos seres apáticos, sem vontade de conquistas.

No seu caso, parece que existe um enorme sofrimento, onde o seu estado de vigília é permanente, ou seja, a luz acessa nunca se apaga! Neste estado, você pode perder os parâmetros normais da realidade e enfiar os pés pelas mãos.

Se você se sente como o soldado raso de prontidão diante do inimigo imaginário, precisa mudar sua forma de pensar, apesar de parecer difícil. Não pode ser um refém de um sentimento que insiste em te dominar. A ansiedade te impede de te dar conta das oportunidades que o presente generosamente te oferece e que estão bem ali, ao alcance de tuas mãos. Então, por que não agarrá-las?

O que você precisa fazer é questionar os seus pensamento e regras que você mesmo criou ou aprendeu. Procure soluções diferentes para os seus problemas e tente melhorar o gerenciamento de seu tempo. Técnicas de relaxamento também diminuem a ansiedade.

Ana Anele
Sobre separação
Vanessa, de Balneário Camboriú (SC) - Faz sete meses que me separei. Fui casada por oito anos e tomei a decisão depois de tentar por três anos reaver meu casamento. Minha atitude me fez mudar de cidade. Estou em processo de separação judicial, já que tenho uma filha de oito anos. Estamos tentando fazer da forma mais amigável possível, mas ele me culpa, diz que sou egoísta, só pelo fato de pedir pensão pra minha filha (já que eu já abri mão dos bens). Ele me diz que o estou usando. Sinto-me culpada pela situação, pois, embora me sinta segura da decisão de ter mudado de cidade e ter me separado, tenho pena dele por tê-lo deixado morando sozinho (já que não tem família perto). Não sinto por ele o que gostaria de sentir, e o que deveria sentir, mas passo por momentos de muita culpa e pressão. Quero sentir algo que não sinto por ele, mas tenho receio de reviver uma relação que mais tarde pode acabar do mesmo jeito que acabou esta. Tem momentos que me sinto forte em recomeçar a vida, tem momentos que acho que relacionamento nenhum dará certo...
A separação é um processo de desligamento complicado. Todos nós investimos muitos sonhos e expectativas em um relacionamento amoroso. Tanto é verdade que tu permaneceste por três anos tentando reaver a qualidade da relação.

Quando se chega à decisão de separar, é preciso lidar com suas próprias frustrações e com os sentimentos do parceiro. Vanessa, tu estás fazendo tudo que deve, buscando uma separação amigável, garantindo a melhor assistência financeira para a filha de vocês. Parece que tens que cuidar de ti.

Precisas fortalecer teus pensamentos e sentimentos para que não tenhas dúvidas do teu comportamento. Ninguém que sinta pena do parceiro consegue se separar. Pare de sentir-se responsável pela vida dele! Agora é cada um por si!

Como vocês têm uma filha juntos, terão para o resto da vida esta ligação, mas não serão responsáveis pela felicidade um do outro. Nestas etapas de transição do ciclo de vida, como separação, é adequado buscar uma ajuda profissional – psicoterapia - para que possas trabalhar as ambivalências e frustrações normais a esta fase.

Clarissa Leitune

As psicólogas

Ana Anele Schames

· Psicóloga CRP 07/08467
· Mestre em Psicologia Social e da Personalidade (PUCRS)
· Diretora do CEFI - Centro de Estudos da Família de do Indivíduo
· Master em Terapia de Família e de Casal pela Universidade Pontifícia de Comillas - Madri, Espanha
· Especialista em Terapia de Casal e Família com Dependência Química
· Supervisora de Estágio de Psicologia Clínica, no Centro de Estudos da Família e do Indivíduo

Clarissa Santos Leitune

· Psicóloga CRP 07/12389
· Terapeuta de Casal e Família
· Diretora do CEFI - Centro de Estudos da Família de do Indivíduo
· Especialista em Terapia de Casal e Família com Dependência Química
· Supervisora de Estágio de Psicologia Clínica, no Centro de Estudos da Família e do Individuo

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