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A Fila Anda, mas não Empurra que é Pior

Editora Fábrica de Leitura, 192 páginas, R$ 27,50

Divulgação, editora fábrica de leitura

Quais são as suas estratégias no mercado amoroso? Já definiu seu público-alvo? Sabe agregar valor a sua imagem? Sim, as táticas em busca da maior satisfação do cliente também podem estar a serviço do amor. É o que indica o subtítulo do livro A Fila Anda, mas não Empurra que é Pior, do gaúcho André Figueiredo Maciel: "Uma abordagem de marketing sobre relacionamentos amorosos".

O livro nasceu de uma brincadeira entre amigos. Formado em administração, André, 28 anos, passou 2005 na França, cursando um MBA em marketing. Em conversas com colegas de aula brasileiros, começaram a comparar aquilo que estudavam - a fidelização de clientes, por exemplo - e os dilemas da paquera e do namoro. André levou a idéia a sério e começou a escrever A Fila Anda (Fábrica de Leitura, 192 páginas, R$ 27,50) ainda na França, baseado no conhecimento acumulado sobre marketing e em tudo o que já havia lido, visto e vivido sobre relações amorosas - ele tem namorada atualmente, o terceiro relacionamento sério desde os 16 anos.

O resultado, André anuncia na abertura: "Este livro não é uma obra séria, o que não significa que não diga a verdade". Com texto leve e fluido, A Fila Anda brinca com analogias entre marketing e performance nos relacionamentos. São 21 capítulos com títulos feitos de jargões do marketing e abordagem repaginada para questões já bem conhecidas do repertório amoroso.

Ao contrário do que se esperaria de um livro sobre marketing, porém, não há fórmulas ou esquemas. Tampouco se trata de uma discussão aprofundada sobre como as relações sucumbiram à lógica do consumo. A Fila Anda é para quem topa entrar na brincadeira e fazer considerações (ou fazer graça) sobre si mesmo como consumidor, marketeiro ou produto - isso mesmo, você leu corretamente - no amor.

Entrevista com o autor
Uma discussão contemporânea é sobre como os relacionamentos entraram na lógica do consumo e se tornaram cada vez mais imediatistas e descartáveis. E seu livro propõe justamente o marketing como uma abordagem das relações amorosas. Qual a sua opinião sobre essa questão?
André - No livro, traço paralelos entre o comportamento meio de fetiche que temos com as mercadorias - às vezes um pouco irresponsável, imediatista - com os relacionamentos que boa parte de nós tem. Podemos encarar isso como um sinal de que é preciso tomar mais cuidado com nossos relacionamentos para que eles durem. O livro chama atenção para a fragilidade das relações e de como a gente pode, brincando com as questões de marketing, cuidar melhor da relação assim como uma empresa cuida de um cliente através de uma série de técnicas para mantê-lo, porque sabe que ele pode migrar para a concorrência de forma relativamente fácil. Podemos pensar na satisfação do cliente para conseguir uma relação mais duradoura.
A fila realmente anda?
André - Se bobear, anda. Uma amiga minha diz que a fila não anda, faz cooper. Às vezes, a gente perde o controle da fila, acha que tem de andar mais rápido ou mais devagar, mas não está com a estratégia correta. A primeira coisa a saber é se quer que a fila ande mais rápido ou que pare onde está.
Você fala da hiperescolha no mercado e no amor: a grande variedade de opções. Saber o que procura é, então, o problema?
André - A hiperescolha deixa as relações muito mais frágeis. A gente tem uma facilidade de acesso muito maior do que a que nossos pais tinham, isso tanto em produtos como em relacionamentos. Minha mãe conheceu só meu pai, enquanto hoje o comum é fazer test drive. Talvez o livro esteja adicionando um elemento a mais, o marketing, à fragilidade das relações e despertando nas pessoas o sentimento de que elas realmente têm de cuidar do que querem ou a fila vai andar mesmo.
Você diz que uma mulher não se valoriza no mercado se transa no primeiro encontro. Não é um pressuposto machista?
André - O discurso às vezes evolui mais rápido do que o comportamento humano. Pode ser uma percepção subjetiva, mas acho que ainda existe certo encanto de o homem conquistar. O homem ou a mulher que não tem mistério perde encanto fácil. No marketing também, o produto que é muito barato, fácil, a gente não valoriza.
É recorrente a queixa de que falta homem no mercado. É isso mesmo?
André - (risos) Quem tem que dizer isso são as mulheres. Acho que elas, em geral, ainda têm uma expectativa muito grande em relação aos homens, e isso acaba gerando uma certa desilusão. Falta homem no mercado? Talvez estatisticamente não. Talvez o tipo de homem que a mulher procura, falte.
Qual o risco da propaganda enganosa no mercado amoroso?
André - Utilizando os conceitos de marketing, o risco é ter uma satisfação muito baixa ou uma insatisfação. Propaganda enganosa gera uma expectativa, e, quando essa expectativa não é cumprida, o cliente ficará insatisfeito. E a insatisfação é irmã da infidelidade.
Fonte: Zero Hora
Você sugere no livro que o melhor é manter a expectativa do cliente na zona do encantamento, acima da zona de satisfação. E você o que faz para manter sua namorada na zona de encantamento?
André - Tento surpreendê-la (risos), sem criar expectativas exageradas.

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