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Vestibular  | 03/02/2010 14h44min

Aprovada em Medicina foi única estudante com nota máxima na Redação da UFRGS

Clarissa Both Pinto mantém um caderno de citações onde registra frases de autores nacionais e internacionais

Leandro Rodrigues  |  leandro.rodrigues@zerohora.com.br

Antes de pensar em estudar para o vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a jovem Clarissa Both Pinto, natural de São Francisco de Paula, já tinha um hábito curioso: ela mantinha um caderno de citações no qual registrava frases de autores nacionais e internacionais.

Esse caderno acabou sendo um forte aliado na hora da prova de redação da UFRGS deste ano. Dele, a vestibulanda retirou três citações que ajudaram sua redação a tirar a nota máxima no concurso, 25. Clarissa foi a única a conseguir “gabaritar” essa prova.

– Quando fui para casa naquele dia, acreditava que tinha feito uma boa redação. Mas uma nota assim, tão alta, jamais passou pela minha cabeça. Quando contei para minha professora, ela perguntou se eu tinha visto direito – conta a estudante, aprovada em Medicina, aos 20 anos.

Ir bem, de qualquer forma, não seria uma surpresa para ela. Desde que começou a estudar para o vestibular, nos últimos três anos, raramente deixou de escrever uma redação por semana. Ao mesmo tempo, leu dezenas de textos feitos por outros vestibulandos. Está aí um dos segredos que Clarissa não quer guardar, mas dividir com outros candidatos.

– A redação é uma prova lógica. Ela deve ser considerada uma disciplina igual as outras. É preciso estudá-la da mesma forma que matemática, física ou química. O estudo, no caso da redação, é produzir muitos textos e ir aperfeiçoando.

Entretanto, também é verdade que o esforço de Clarissa começou muito antes e, de certa forma, sem ser percebido. Trata-se de seu hábito de leitura. Para ela, está longe de ser uma obrigação, ler sempre foi um prazer. E, mesmo para uma vestibulanda, vai além das leituras obrigatórias da UFRGS. Seu gosto literário vai de Luis Fernando Verissimo a Franz Kafka.

Como ela fez
- Primeiro, Clarissa leu mais de uma vez o enunciado para saber, sem qualquer dúvida, o que estava sendo pedido
- Depois, ela fez o esquema do texto. No desenvolvimento, um parágrafo seria para falar das infrações e outro para as incivilidades. Em cada parágrafo, decidiu falar de três das opções oferecidas em cada quadro.
- A vestibulanda lembrou de cinco citações que se encaixavam na redação, optou por três delas.
- Colocou Claude Levi-Strauss na abertura para, segundo ela, impactar logo de cara o avaliador.
- Manuel Bandeira, no meio, para mostrar que conhecia literatura e, no final, Saramago.
- Ela escreveu a redação fazendo pausas para responder às questões de português. Segundo ela, isso dava tempo para pensar melhor nos argumentos.

ZERO HORA

Comentários

raquel

Denuncie este comentário04/03/2010 09:03

Depois de ter visto essa reportagem até em motivei! :D


jose andersen  - 

Denuncie este comentário03/03/2010 18:50

Prezada Clarissa Tive a oportunidade de ter publicado em Artigos de ZH/ RS , em 13 de novembro de 2009, “Indignação nacional começa em casa”, tema da Redação do Vestibular da UFRGS desse ano. Tratava dos pequenos “delitos” que cometemos em nossa vida diária e a nossa indignação manifestada, em público geralmente, contra os grandes desfalques contra o patrimônio público que vêm ao nosso conhecimento graças à imprensa. Mas gostaria de ir adiante, em busca das soluções e não só na mera constatação de um comportamento que sabemos existir e que nos serve bem até como mecanismo de defesa – projetamos apenas nos outros aquelas “qualidades” que não aceitamos conscientemente em nós mesmos. São só os outros que são imprudentes no trânsito, são só os outros que dão um jeitinho de burlar as regras de convivência diária, são só os outros que vão, pelo acostamento, até a praia, impunemente, na maioria das vezes. E esse é o outro elemento do binômio, a meu ver, que nos faz assim: a impunidade, percebida ou real, daqueles que transgrediram as regras legais ou aceitas por todos nós. Através de uma falsa comparação – se ele fez algo muito mais grave e ficou impune – eu, que apenas cometi algo menor, banal até, automaticamente me perdoo... Esse é um falso raciocínio, uma falsa comparação de valores mas que também nos serve muito bem como desculpa. Onde eu gostaria de chegar: os resultados de um sistema educacional eficaz por certo ainda demorarão muitos anos para serem sentidos pela nossa sociedade, onde as pessoas, espontaneamente, conviverão dentro das normas de urbanidade esperadas e o número de atos prejudiciais à sociedade serão em menor número. O que nos resta até lá além de boas intenções? A lei, no seu aspecto mais evidente para toda a sociedade: a efetiva punição. Por exemplo, todas as notícias que lemos, e a cada feriado são em maior número, falam em “acidentes” de trânsito ocorridos... O condutor embriagado, dirigindo imprudentemente e causador de mortes de terceiros, não seria exatamente, a meu ver, uma vítima de um “acidente fortuito”. Isso não é exatamente a definição de acidente! As circunstâncias eram conhecidas e o fim é previsível. Vejamos os custos, apenas, por exemplo, ao sistema de saúde público (que é quem arca realmente nos casos de alta complexidade e não os planos de saúde particulares) de um “acidente” desses. Estamos todos nós, contribuindo financeiramente, quer queiramos ou não, para o amparo do “acidentado” pelo Estado, independentemente da irresponsabilidade assumida, embriaguês, imprudência e por aí vai. A proposta é polêmica, mas expressa o que muita gente gostaria de dizer e ver acontecer: pague, financeiramente também, pelos seus atos, e você pensará um pouco mais antes de cometê-los!

Divulgação, Laércio Calle / 

Clarissa Both Pinto teve escore máximo na Redação da UFRGS
Foto:  Divulgação, Laércio Calle


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