| 13/08/2009 23h10min
Com ensino gratuito e de qualidade, as universidades federais sempre estão entre as mais procuradas pelos estudantes brasileiros. Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no entanto, estão sobrando vagas em alguns cursos já em andamento.
A situação inusitada é realidade nos campi de Curitibanos, na Serra, e Araranguá, no Sul. Quando a UFSC lançou o vestibular para os cursos de Ciências Rurais, em Curitibanos, e Tecnologia da Informação e Comunicação, em Araranguá, estabeleceu que, para estar apto a disputar uma vaga, o candidato precisaria ter, no mínimo, quatro pontos em Português e Literatura, de 12 possíveis; e 24 nas outras disciplinas, de um total de 68.
Quem obtivesse esta pontuação, passaria para avaliação da redação, na qual se exigiam quatro pontos, de 15 possíveis; e das seis questões discursivas, exigindo-se o mínimo de seis pontos de 15 possíveis — cada questão valia 2,5.
O vestibular foi realizado nos
dias 12, 13 e 14 de julho. Em ambos os
cursos, faltaram aprovados. Para o de Ciências Rurais, havia mais de 200 inscritos para 180 vagas, mas apenas 22 candidatos foram aprovados conforme as regras do edital.
Assim, para preenchimento das vagas, o Conselho Universitário da UFSC baixou uma resolução pela qual os candidatos que obtiveram a pontuação mínima na primeira fase precisariam apenas não zerar nas seis questões discursivas para serem aprovados em segunda chamada.
Mesmo assim, em Curitibanos, só 86 passaram, sobrando ainda 94 vagas. Em Araranguá, das 50 oferecidas para Tecnologia da Informação e Comunicação diurno, foram ocupadas apenas 31 e, de outras 50 para o mesmo curso, só que noturno, foram preenchidas 45.
Ainda que não completos, os dois cursos estão ocorrendo normalmente desde 3 de agosto, e as vagas remanescentes deverão ser preenchidas por eventuais transferências e pelo vestibular de verão.
Para o presidente da Comissão Permanente do Vestibular da UFSC
(Coperve), Júlio Felipe Szeremeta, a inusitada
situação é resultado da falta de preparo da maioria dos candidatos, já que a UFSC realiza apenas vestibulares de verão e os estudantes "não estavam estudando" para as provas de inverno, e à pouca divulgação dos cursos pela própria universidade.
— São projetos inovadores e muito importantes para as respectivas regiões, mas faltou informar o público sobre o perfil destes cursos. A partir dos próximos vestibulares, os estudantes se interessarão por eles, e não deverão sobrar vagas. O que aconteceu foi um fato raro na UFSC.
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