| 26/02/2010 10h44min
As ressacas que nesta manhã destruíram quiosques em Capão da Canoa, no Norte, e casas no Balneário do Hermenegildo, no Sul, ontem, intriga veranistas e moradores. A violência do mar assusta e reacende a discussão da interferência do clima nestes fenômenos.
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Especialistas garantem que o aquecimento global não tem qualquer interferência
nessas lavadas do mar na beira da praia. Mas, ressacas como estas não são comuns nesta época do ano.
De acordo com a Somar Meteorologia, uma frente fria que passou esta semana pelo sul do país veio acompanhada de uma massa de ar polar, situação normal durante o verão. A diferença está no vento, que foi mais intenso, com características de outono.
— Estes ventos intensificaram as ondas, que acabam quebrando na costa muito maiores do que o normal. Deve ter chegado a mais de 3 metros, sendo que o habitual é de 1,5 metro — explica o meteorologista Fábio Feltrim.
Ocupação irregular
O especialista em geologia marinha professor do Instituto de geociências da Universidade federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jefferson Simões, estuda as mudanças climáticas há 25 anos e pode garantir:
— Ressacas são normais. As casas é que estão construídas em locais
errados.
Ele explica que parte da costa está avançando e outra retraindo
e diz que é natural que em locais onde há erosão o mar avance e derrube construções.
— As pessoas precisam entender que não é só chegar e construir. Especialistas precisam ser consultados. Eles são capazes de indicar locais de risco para se erguer um prédio. Cedo ou tarde quem se arrisca vai ter problemas.
O doutor em oceanografia geológica, Lauro Júlio Calliari, conta que a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) estuda dados de ciclones — um dos agentes provocadores das ressacas — há 40 anos. Eles perceberam que a incidência destes fenômenos continua praticamente a mesma, assim como a altura das ondas.
Previsão
As ressacas devem seguir durante o dia de hoje. A previsão é de que o mar só se acalme totalmente no domingo. Amanhã, as ondas chegam a 2 metros.
O professor Lauro Calliari também conversou com o
repórter Cid Martins, da Rádio
Gaúcha. Confira: