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Internet  | 24/09/2008 08h42min

Lentidão e altos preços impedem popularização da banda larga no Brasil

Apenas 32,8% dos usuários brasileiros de banda larga assinam serviços superiores a 1 Mbps

Vanessa Nunes  |  vanessa.nunes@zerohora.com.br

No primeiro semestre de 2008, os acessos de alta velocidade à internet no país ultrapassaram, pela primeira vez, 10 milhões de conexões, subida de 48% em um ano. Mas não há motivos para comemorar. O Brasil está na 38ª posição em um ranking de 42 países que avalia a qualidade da banda larga.

Para uma boa experiência online, segundo estudo conduzido pelas universidades de Oviedo (Espanha) e Oxford (Grã-Bretanha), seriam necessários 3,75 megabits por segundo (Mbps) de velocidade de download (recebimento de dados) e 1 Mbps para upload (envio de dados). No país, apenas 32,8% dos usuários de banda larga assinam serviços superiores a 1 Mbps, aponta o Barômetro Cisco, estudo realizado pela consultoria IDC.

Além de lenta, a banda larga brasileira é cara. No Japão, 1 Mbps custava, em maio, R$ 1,34, segundo levantamento da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp). No Brasil, beirava R$ 70.

Estudante de medicina, Alexandre Wahl Hennigen, 26 anos, morou quatro meses na Alemanha, onde se impressionou com os planos de acesso “bem melhores”. De volta a Porto Alegre, a tentativa de retomar a banda larga em casa gerou frustração. Desistiu, irritado com problemas na instalação. Agora, enquanto estuda outras alternativas de banda larga, se vira com a internet sem fio da faculdade, ou com o acesso discado em casa:

– Além disso, o serviço era ruim, trancava várias portas (de comunicação). Eu queria fazer um servidor para compartilhar arquivos da faculdade com meus colegas, mas não podia, estava no contrato – reclama.

Não é o único insatisfeito. Só em agosto a Anatel recebeu 17.470 reclamações referentes a serviços de internet. Para a coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci, falta infra-estrutura:

– Há um problema crônico, não só de prestação de serviço. Não houve investimento adequado.

Quem deseja contratar banda larga hoje no Brasil depara não só com preços salgados, mas com a falta de opções. E esses dois fatores estão interligados, afirma o presidente da Associação Brasileira de Prestadora de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp), Luis Cuza.

Para pacotes com mais banda – 8 ou 10 megabits por segundo (Mbps) –, disponíveis em poucos locais, até se consegue preços em torno de R$ 25 por Mbps. Mesmo assim, são valores 17 vezes maiores do que os cobrados no Exterior, segundo levantamento da Telcomp.

– A principal razão é a falta de concorrência. No Japão, inúmeras empresas oferecem serviços. Além disso, a banda que se vende aqui é muito devagar. Não existe alta velocidade porque não há infra-estrutura. As concessionárias não investem o suficiente em fibra óptica – diz Cuza, que defende a desagregação das redes, como se fosse um aluguel de sua infra-estrutura, como uma solução que ampliaria as opções disponíveis.

Presidente da Associação Brasileira dos Provedores (Abranet), Eduardo Parajo pondera que a internet é uma interligação entre várias redes, e que a qualidade depende desses vários entes:

– Cada uma tem uma capacidade. É diferente de comprar um acesso de conexão dedicada de ponto a ponto, em que se tem a certeza de estar comprando aquilo de início ao fim. As empresas garantem dentro de sua rede. Se você for acessar um site no Exterior, depende da conexão lá existente – afirma.

As conexões geralmente têm diferentes taxas de download (recebimento de dados) e upload (envio de dados). Quando o internauta usa sistemas de troca de arquivos, deve levar em conta também a taxa de upload de quem está fornecendo o material. Também há momentos em que a rede pode estar congestionada, quando mais gente está usando, como no horário comercial, em que há muita demanda corporativa. De novo, falta investimento.

Para Vinícius Caetano, analista de telecom da consultoria IDC Brasil, as operadoras estão subestimando o uso da internet pelo brasileiro, disponibilizando pouca banda. A maioria dos contratos de alta velocidade no país garante somente 10% da velocidade contratada.

– Quando o brasileiro assina o contrato, não lê nas letrinhas pequenas que as empresas se comprometem a entregar apenas 10% da velocidade – comenta.

ZERO HORA
Jefferson Botega  / 

Alexandre Wahl Hennigen desistiu da banda larga em casa e voltou para a conexão discada
Foto:  Jefferson Botega


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