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 | 19/04/2008 10h13min

Gêmeos: iguais, mas diferentes

É fundamental respeitar a individualidade dos irmãos gêmeos

Aos cinco meses de gestação, a enfermeira Rossana Prado queria saber o sexo do segundo filho. Quem observava a barriga enorme calculava o tamanho do bebê e esperava descobrir se era, realmente, uma só criança ali dentro. Chegaram o dia do exame e a notícia. Começariam as compras em dobro - eram gêmeas.

- Ainda bem que tenho dois peitos - foi o primeiro pensamento da mãe.

- Duas faculdades... - soltou o pai num suspiro, calculando o tamanho da despesa para dali a quase duas décadas.

- Duas para brincar! - comemorou a caçula, Gabriela, nove anos à época.

Passou o susto, teve início a expectativa, e então nasceram Isabela e Giovana, univitelinas (concebidas a partir da fecundação de um único óvulo), hoje com 12 anos, que obrigaram a mãe a recorrer a livros para entender um pouco mais sobre a gravidez de múltiplos. Prática comum em muitas famílias, os guarda-roupas idênticos não acompanharam o crescimento das manas. A enfermeira decidiu que não faria de uma filha a cópia perfeita da outra. Quando ia às compras, se gostava muito de alguma peça, adquiria duas iguais, mas de cores diferentes, e as meninas nunca as vestiam na mesma ocasião. Hoje em dia, Isabela e Giovana, gosto parecidíssimo, entram em uma loja e escolhem os mesmos itens. Fazem combinações, quem vai emprestar para quem. Às vezes a mãe precisa intervir quando estão saindo de casa:

- Ah, não! Podem trocar de roupa. Estão muito "par de vaso"!

A iniciativa de Rossana e do marido, o médico Paulo Nelson Prado, é das mais acertadas na opinião de especialistas. Perceber-se como um indivíduo único, mesmo que os traços permitam confusões e trocas de nomes com o gêmeo, é fundamental para o bem-estar. Ao serem pressionadas pela padronização, crianças podem se rebelar e criar atritos com o irmão.

- Por mais que tenham essa força biológica, os filhos necessitam do auxílio dos pais para crescer como duas crianças bem distintas - explica o psicólogo Celito Francisco Mengarda. - Na adolescência, quando é preciso definir com mais clareza a identidade, eles precisam mais do que nunca da compreensão de ser um indivíduo único, até para continuarem se gostando, sabendo que são diferentes.

Isabela e Giovana são assim definidas pelos pais: a primeira é mais tranqüila, doce, de fala mansa, boa ouvinte. Mas quando estoura... sai da frente. Vaidosa também, "não sai sem um brinco". Giovana é prática, objetiva, boa de argumentos, quer porque quer convencer qualquer platéia. Autoritária, quase. Alunas da 7ª série da mesma escola, mas não colegas, Isabela vai bem em matemática, enquanto Giovana gosta de história. Giovana é mais dedicada aos estudos, Isabela "leva mais na flauta". Giovana adora esportes, foi a primeira a começar a prática do handebol, e a irmã seguiu-a depois. Isabela ficou um tempo no banco de reservas, enquanto assistia à outra entre as titulares, até que as duas garantiram vaga no time.

- Elas respeitam muito o espaço de cada uma. Sempre me policiei bastante para não compará-las - conta a mãe.

Psicóloga e orientadora educacional, Susana Dornelles aprova a cautela de mães como Rossana e alerta que comparações freqüentes podem incentivar a competição em vez da colaboração e influir diretamente na postura adotada.

- Há o perigo de cada um assumir um rótulo e agir de acordo com isso - acrescenta.

ZERO HORA
jefferson bottega / 

A mãe de Giovana (E) e Isabela nunca as vestiu com roupas iguais, mas o gosto das irmãs hoje é similar
Foto:  jefferson bottega


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