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A Educação Precisa de Respostas  | 01/11/2013 10h01min

Mãe de adolescente que critica escola na web fala sobre a importância da participação dos pais na educação

Mel acompanhou a filha Isadora Faber em palestra no TEDxUnisinos

Kamila Almeida  |  kamila.almeida@zerohora.com.br

Isadora Faber, 14 anos, foi a última palestrante da manhã desta quinta-feira no TEDxUnisinos, que teve educação como o tema central. Em julho do ano passado, a adolescente catarinense começou a escrever o blog Diário de Classe sobre os problemas da escola onde estuda. Teve milhares de acessos e ainda ajuda a resolver os problemas estruturais da instituição.

Desde então, tem viajado o Brasil contando a sua experiência e de que forma é possível mudar uma realidade com a força das palavras, sempre acompanhada da mãe Mel, uma produtora de vídeo gaúcha, de 46 anos.

Ela conta que quando o Diário de Classe ficou conhecido e todo mundo passou a falar da filha, pensou que fosse mais uma a viver 15 minutos de fama. Com o tempo, viu que a menina caiu no gosto do público e nunca deixou de apoiá-la, pois também acredita na mensagem de luta por um ideal que Isadora transmite. Mas Mel já ouviu muitas críticas pela forma como decidiu educar as suas três filhas — Isadora tem duas irmãs, uma de 17 anos e outra de 25 anos. Assim que elas entraram na segunda série já ganharam um despertador e elas mesmas cuidavam do horário de ir para a escola.

— Escola é responsabilidade delas e esta responsabilidade tem que começar desde cedo. Na escola, a média é cinco, mas lá em casa, é sete. Além disso, sempre incentivei a serem independentes. Se elas brigavam no colégio ou tinham algum desentendimento com professor, orientava a melhor forma de se comportarem. Elas sempre resolveram os seus problemas, sempre se defenderam — detalhou Mel.

Agora, ao ver o sucesso da filha, a mãe se derrama de orgulho:

— Tudo isso que está acontecendo está dando um grande aprendizado a ela. Lembro de quando ela chegou abatida em casa, depois de ter sido marginalizada na escola pelas denúncias que fez. Me doía o coração, mas eu nunca interferi, sempre apoiei. Ao mesmo tempo, sempre deixei ela bem à vontade para desistir.

Ela conta que no ano passado, depois de todo o tumulto, enquanto aguardavam um voo em São Paulo para uma palestra, perguntou se não estava muito pesado para Isadora, se ela não queria mudar de escola:

— A Isadora respondeu que não e que ia se matricular para o ano seguinte naquela semana mesmo. Ela ainda comentou: "acabou o sonho das professoras". É claro, elas querem ver a Isadora bem longe de lá.

De tanto receber e-mails e pedidos de ajuda de outros estudantes sobre como fazer o mesmo, a adolescente criou a ONG Isadora Faber.

— Fui ameaçada pelo pessoal da escola, jogaram pedras na minha casa, mas eu sabia que estava fazendo a coisa certa. Tanto que duas semanas depois de o blog ficar conhecido, dois caminhões da prefeitura chegaram para reformar a escola. E até hoje é assim, tudo o que eu reclamo eles vão lá e arrumam — afirmou Isadora durante a palestra em Porto Alegre.

Em vídeo, veja a entrevista com a mãe da blogueira:

Confira a entrevista com Isadora Faber:

Zero Hora — Esta foi a primeira palestra?

Isadora Faber — Não, eu já tinha até participado de um TED, em Ribeirão Preto, e já dei várias palestras.

ZH — E geralmente você fala sobre a sua experiência com o blog?

Isadora — É bem variado. Dei uma palestra na Bahia, no Ministério Público, sobre cidadania e em São Paulo sobre como lidar com as críticas, mas sempre envolvendo o Diário.

ZH — Como se lida com as críticas, afinal?

Isadora — Eu nunca dei muita bola para as críticas porque para cada crítica eu tinha dez que estavam me apoiando, respondendo por mim também. Foi fácil. E geralmente elas não são argumentativas, consistentes e construtivas, então, não dou muita bola. Mas é bom também para pensarmos os dois lados.

ZH — Já sabe que profissão você vai seguir no futuro?

Isadora — Eu penso em ser jornalista. Como acompanhei o trabalho de jornalista muito de perto dentro da minha casa, porque eles iam muito lá (Isadora virou notícia nacional após as repercussões do blog que criou), acabei gostando. Ajudei uns estudantes de jornalismo lá da universidade federal a ganharem um concurso para irem a Atlanta estudar. Era um campeonato. Quem ganhasse a melhor entrevista ganhava uma bolsa para ir a Atlanta.

ZH — Como foi essa virada na tua vida?

Isadora — É bem difícil porque eu faço curso à noite, tenho aula de manhã. Segunda e quinta eu tenho aula de inglês durante a tarde. Tenho palestra, viagem e entrevista. Ainda estou me acostumando.

ZH — Você continua na mesma escola?

Isadora — Sim.

ZH— No começo, você foi alvo de muitas críticas na escola, onde você menos esperava. Como eles lidam com o fato de você contar a sua experiência que eles tanto desaprovaram para outras pessoas?

Isadora — Agora eles não falam sobre isso mais. As vezes ainda tem alguma indireta, mas não dou bola.

ZH — Você se sente excluída na escola?

Isadora — Não. Eu tenho os meus amigos de antes que não falam sobre o Diário porque têm medo de sofrer represálias dos outros professores, mas eles estão do meu lado, são meus amigos.

ZH — Como vai o seu rendimento na escola?

Isadora — Não caiu. Em português até chegou a melhorar um pouco, pois enquanto estava escrevendo o Diário também estava aprendendo.

ZERO HORA
Bruno Alencastro / Agência RBS

Isadora Faber palestrou em Porto Alegre nesta quinta-feira
Foto:  Bruno Alencastro  /  Agência RBS


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