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A Educação Precisa de Respostas  | 11/10/2012 05h04min

Dia das Crianças serve como aula sobre consumo

Especialistas em educação financeira auxiliam pais a lidar com pedidos de presentes dos filhos

Joice Bacelo  |  joice.bacelo@zerohora.com.br

Entrar em uma loja de brinquedos com crianças pode ficar complicado – para elas e para os adultos – caso nenhum acordo tenha sido feito antes de sair de casa. O especialista em educação financeira infantil Álvaro Modernell, que já escreveu mais de 10 livros sobre o tema, atesta: a cena comum nos dias que antecedem a escolha do presente para o Dia das Crianças é um reflexo da relação financeira estabelecida entre pais e filhos durante o ano todo.

Para o especialista, pais que não ensinarem os filhos a planejar tendem a uma relação de conflito quando o assunto envolver as finanças da família. Conforme levantamento da Fundação Getulio Vargas, os gastos com os produtos mais consumidos entre as crianças durante o ano estão maiores. Isso devido ao índice de inflação acumulado nos últimos 12 meses, que mostrou alta dos itens relacionados a alimentação, vestuário e lazer. Porém, houve queda entre os produtos mais procurados no Dia das Crianças, o que deve contribuir para um aumento nas compras.

Fecomércio e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) estimam crescimento de até 5,5% no volume de presentes comprados – a procura por brinquedos deve crescer entre 3,5% e 4,5% e a busca por roupas e calçados deve ser entre 1% e 2% maior do que no ano passado. Porém, a tentação dos preços mais baixos não pode se tornar um pretexto para que os pais esqueçam de impor limites aos filhos, alerta Modernell.

– Os pais podem levar as crianças para a loja, mas elas precisam ter a consciência de que não vão poder comprar tudo o que virem pela frente. O ideal é sair de casa com as opções de presente e também com a quantia que se quer gastar definida, como em um pacto – sugere o especialista.

Professora de matemática, Patrícia de Carli, 31 anos, levou os dois filhos para comprar os presentes de Dia das Crianças. Helena, com apenas quatro meses, ainda não entende o valor do dinheiro, mas Yuri, sete anos, sabe que a mãe só o deixou ir até a loja porque se comprometeu a escolher um único presente. Na casa dos Carli, o assunto dinheiro é parte da rotina.

– Para a lista de presentes deste Dia das Crianças, nós incluímos lembrancinhas para famílias carentes, uma maneira de fazer o bem e mostrar a realidade ao meu filho: a gente não pode ter tudo o que quer – diz Patrícia.

APRENDENDO A LIDAR COM DINHEIRO
Os pais devem se preocupar com a educação financeira dos filhos a partir do primeiro pedido de compra. Essa fase geralmente acontece aos dois anos e meio da criança. Vale apresentar as cédulas (como usar uma lupa para mostrar os desenhos menores e sentir o peso das moedas) e ensinar a guardar o dinheiro na carteira – dessa maneira, elas aprendem que precisam cuidar do dinheiro.

A criança pode começar a receber a semanada a partir dos seis anos. A especialista aconselha o pagamento de R$ 1 por idade a cada dia – por exemplo, se a criança tem seis anos, ela vai receber R$ 6. Esse sistema de curto intervalo de tempo entre uma remessa e outra facilita a correção do erro.

A transição da semanada para a mesada ocorre dos nove aos 10 anos, quando o pagamento passa a ser feito por quinzena. A partir dos 11 anos, a data da entrega do dinheiro tem de ser mensal. O valor deve ser acordado entres os pais e o filho, porém a decisão final tem que ser tomada pelo adulto. A especialista alerta que para que dê certo, precisa haver disciplina por parte dos pais: o pagamento tem de ser feito sempre no mesmo dia, sem atraso nem adiantamento.

Castigos não devem ser relacionados ao corte do pagamento. A especialista explica que essa associação pode ter efeito contrário e acabar causando confusão sobre o sentido da mesada, que é o do planejamento financeiro.

Para os pais que preferem fugir da mesada, uma alternativa é investir na participação do filho nas decisões mais simples da vida financeira da família.

Uma sugestão é incluir o filho na elaboração da lista do supermercado e depois, na hora da compra, frisar que só vão para o carrinho os itens necessários – o filho pode ajudar também na pesquisa de preços e marcas.

Fonte: Cássia D'Aquino, especialista em educação financeira infantil

ZERO HORA
Fernando Gomes / Agencia RBS

Yuri, de sete anos, ao lado da irmã Helena, foi levado à loja pelos pais sob a condição de escolher apenas um brinquedo
Foto:  Fernando Gomes  /  Agencia RBS


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