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Conteúdo: portal-social  |  14/12/2009 09h39min

A pegada ecológica de Copenhague

A mesma conferência que almeja cortes dramáticos nas emissões de gases do efeito estufa emitirá em 12 dias o mesmo que alguns países pequenos durante um período de seis meses

Comunicação Portal Social

Termina o dia na sala de imprensa da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP15, em Copenhague. As mesas estão cobertas de folhas de papel. Poucas foram trazidas pelos jornalistas – a maior parte do lixo é de avisos e convites deixados por ONGs ambientalistas. A cena expõe uma contradição: o mesmo evento que ambiciona reduções drásticas das emissões de gases causadores do aquecimento global tem um enorme impacto ambiental.

Em 12 dias de conferência, serão emitidas cerca de 40 mil toneladas de carbono – aproximadamente metade do que um país pequeno, como as Ilhas Marshall ou Comores, emite durante um ano inteiro. Noventa por cento desse total corresponde à queima do combustível dos aviões que levaram mais de 15 mil pessoas para a Copenhague e nos quais elas voltarão para casa. Também entraram no cálculo a eletricidade e a calefação do Bella Center, onde é realizado o evento, as emissões dos ônibus que transportam os visitantes dentro da cidade e a hospedagem nos hotéis.

O governo da Dinamarca não ignorou essa contradição. Há mais de dois anos, resolveu fazer dessa uma conferência “verde”. Começou o trabalho de calcular quanta poluição atmosférica seria produzida para colocar frente a frente chefes de Estado e milhares de outros participantes. O chefe da unidade de Logística do Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca e responsável pelo projeto da COP ecologicamente correta, Jan-Christoph Napierski, admite que o cálculo de emissões não está fechado: “Depende até do clima! Se esta segunda semana de conferência for mais fria, haverá mais gasto de energia”.

É por isso que o relatório final vai ser fechado só em janeiro, com a comparação de toda a lista de participantes e as distâncias que percorreram até a Dinamarca. “Estávamos calculando entre 10 e 15 mil pessoas, mas esse número deve ser maior”, avalia Napierski.

Foram feitos investimentos no centro de conferências: películas nas vidraças para evitar a fuga de calor e um novo sistema de aquecimento interno. Muitos dos holofotes da sala de conferência usam lâmpadas LED, mais modernas e econômicas. Com o equivalente a R$ 6,4 milhões investidos em infraestrutura, foi possível reduzir em 30% as emissões do Bella Center.

Restava ainda, porém, a poluição gerada pelos aviões. Por isso, o governo dinamarquês resolveu compensar toda a poluição da COP investindo em um projeto em Bangladesh, país do sul da Ásia que será um dos mais afetados pelo aquecimento global. Serão gastos R$ 1,8 milhão para substituir 20 fábricas de tijolos, com fornos antigos e altamente poluidores, por equipamentos novos e modernos.

Reduzindo o impacto
Medidas que a organização da COP15 tomou para diminuir o impacto ambiental do evento:
- São oferecidos aos delegados que participam da conferência água da torneira, para evitar o uso de garrafas plásticas, e transporte público gratuito, para evitar o uso de carro.
- De toda a comida oferecida, 65% precisa ser orgânica.
- A frota de 150 limusines disponível para participantes VIP é movida com combustível produzido com algas, etanol e hidrogênio.
- No centro de conferências, há películas nas vidraças para evitar a fuga de calor e foi implantado um novo sistema de aquecimento interno.
- Muitos dos holofotes da sala de conferência usam lâmpadas LED, mais modernas e econômicas.
- O governo dinamarquês se comprometeu a compensar toda a poluição da COP15 investindo em um projeto em Bangladesh. Serão gastos R$ 1,8 milhão para substituir 20 fábricas de tijolos, com fornos antigos e altamente poluidores, por equipamentos novos e modernos.

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