Conteúdo: portal-social | 09/12/2009 17h39min
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Instituto Popular de Arte-Educação, 14 horas. Os acordes de vários violinos vão, pouco a pouco, aumentando de intensidade até dominarem todo o ambiente. Todos são muito jovens e a pouca idade contrasta com a compenetração. Em outra sala, em volta de uma pequena mesa redonda, dois alunos – com uma revista aberta – fazem traços precisos, copiando, à mão livre, desenhos de personagens de quadrinhos. Na área principal, a Biblioteca domina o ambiente, como a lembrar a proposta de origem do Instituto. Aqui a arte, a história e a leitura são portas importantes para a inclusão.
Criado Instituto Popular de Arte e Educação em abril de 1998, é chamado carinhosamente de
IPDAE e fica localizado na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, onde um grupo
entusiasmado se mantém unido na manutenção de ensino com qualidade. Foi assim desde o princípio, quando a professora Fátima Flores, hoje diretora executiva, vinda de São Paulo, percebeu que a região tinha algo que a destacava: o respeito ao associativismo, à ação comunitária e à busca de melhoria de vida da população.
Quem pensa que pobre só pode ter música pobre, se engana. Aqui, violas, violoncelos, flautas e violinos são ferramentas preciosas para crianças que têm a oportunidade de iniciar um aprendizado. Hoje um grupo de cinco estudantes – um naipe – ensaia a flauta transversa para uma apresentação no Teatro São Pedro.
Jéssica Ferreira Rosa, 15 anos, é uma delas, estudante do primeiro ano do Ensino Médio, do Colégio Protásio Alves, estuda flauta transversa há seis anos: “A música está sempre comigo, me apaixonei desde o início”, assegura.
Conforme Fátima, a maioria dos alunos são filhos de pais com renda entre um e três salários mínimos. “Dificilmente teriam condições de estudar música com professores qualificados, e menos ainda de terem seu instrumento e participarem de uma orquestra infanto-juvenil”, observa. Para Fátima, a mudança na autoestima e na vida desses jovens é visível e se amplia. Ela conta que muitos pais, quando chegam cansados do trabalho, pedem aos filhos que “toquem aquela música”, e têm a sensibilidade despertada para clássicos como Beethoven ou Bach.
Mas não é só de música que o IPDAE é construído. A Biblioteca Leverdógil de Freitas tem 2.800 sócios regulares, que podem participar, ainda, de atividades como A Hora do Conto e do Curso de Mediadores de Leitura. Fátima diz que sempre desejou criar um espaço onde o livro e a arte fossem propulsores do crescimento humano. Ela conseguiu. Muitos, que pensam como ela, doam instrumentos musicais, às vezes, anonimamente, para que a proposta não esmoreça. E o trabalho continua dando frutos: na parada 6, também da Lomba do Pinheiro, uma parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, permite a
realização
de cursos sobre museologia, história e educação patrimonial. O IPDAE se prepara para uma nova etapa, com a construção da sua sede própria. Os projetos apresentados visam à manutenção da suas atividades, compra de instrumentos e parte do pagamento dos 14 funcionários.
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